Demagogia

A demagogia é entendida como a política que visa agradar as massas populares para conquistar o poder político, tanto na antiguidade quanto nos dias atuais.

A palavra demagogia significa, literalmente, a arte ou técnica de guiar ou liderar o povo. Trata-se de um termo grego composto de δῆμος (dēmos = “povo, população”) + ἄγωγος (agōgos = “liderar, liderança”).

O termo tem um significado neutro, que simplesmente indica o “guia político da cidade”. No entanto, a demagogia rapidamente se tornou uma palavra “ruim”, isto é, um epíteto que serve para qualificar negativamente o modo de fazer política daqueles que buscam o consenso fácil manipulando as massas.

Ilustração: VIOR

Demagogia: conceito

O dicionário Aurélio define demagogia como um conjunto de processos políticos hábeis que tendem a captar e utilizar, com objetivos menos lícitos, a excitação e as paixões populares.

O filósofo grego Aristóteles define o demagogo como um “bajulador do povo”, alguém que, com certo apoio popular, consegue manipular a consciência das massas e redirecionar os desejos e vontades coletivas para a concretização dos seus interesses. Também apontou a demagogia como sendo uma degeneração da democracia.

Nesse sentido, o demagogo aproveita das vantagens do regime democrático, mas desvirtua suas finalidades de modo a adequá-las aos seus objetivos.

Platão inclui no conceito de demagogia os sofistas, cujo conhecimento é reduzido à capacidade de adivinhar os gostos e desejos das massas.

Nesse contexto, as classe mais baixas estão particularmente expostas a um governo demagogo, pois, ocupadas com maiores e mais pesadas jornadas de trabalho, tendem a acreditar no que o líder demagogo lhes diz ser correto e que deve ser sua vontade.

Segundo um estudioso do assunto, Sergio Ortix Leroux, o demagogo visa conquistar a simpatia popular através de elogios, recursos retóricos, argumentos simples ou falaciosos, mentiras, promessas inatingíveis, discursos incendiários, lugares comuns e, no final, chantagem sentimental.

O teatro de sua encenação pode ser tanto a praça pública quanto a mídia de massa (rádio e televisão), e na contemporaneidade, as redes sociais (o Twitter, em particular).

Em última análise, a intencionalidade da mensagem é geralmente a mesma, independentemente dos espaços ou plataformas disponíveis: amar, encantar ou seduzir as pessoas.

Características de um demagogo

Seja na Grécia e Roma Antiga ou nos tempos atuais, um líder demagogo apresenta as seguintes características:

  • Pessoa pública com grande aceitação popular;
  • Flexibilidade moral e ética para ajustá-las aos seus interesses, normalmente políticos;
  • Valem-se de argumentos apelativos, emocionais e falaciosos visando estrito convencimento do seu público-alvo;
  • Mostram-se conservadores ou progressistas a depender da necessidade momentânea, sem posicionamentos claros e coerentes em sua prática, a menos que tais posicionamentos sejam essenciais para a conquista de seu objetivo.

Demagogia: estratégias e exemplos

Um político faz um discurso muito emocional sobre um assunto que gera grande comoção popular, prometendo soluções que não serão cumpridas, seja por sua falta de interesse, seja pela impossibilidade de fazê-lo. Quando isso acontece, existe um discurso demagógico, isto é, feito apenas para agradar o povo.

Outro exemplo comum são os discursos ou as opiniões dadas publicamente. Nesse aspecto, um político pode emitir opiniões, mesmo que não correspondam ao seu verdadeiro pensamento, pois sabe que serão bem aceitas pelos seus eleitores. Veja a seguir mais exemplos de demagogia:

Falácia

A falácia é um argumento inválido que parece válido. Por exemplo: “Todas as coisas têm uma causa; logo, há uma só causa para todas as coisas”.

Prova-se que um argumento é falacioso mostrando que, apesar de possível ou muito provável que as suas premissas sejam verdadeiras, a sua conclusão é falsa.

Quando se diz que uma definição, por exemplo, é falaciosa, quer-se dizer que é enganadora ou que pode ser usada num argumento que, por causa disso, será falacioso. Esse é um recurso muito usado em discursos demagógicos.

Dessa forma, são exemplos de falácias muito conhecidos:

  • Falácia ad hominem (ataque à pessoa): falácia pela qual se pretende refutar uma afirmação, atacando, ou desvalorizando de alguma maneira, a pessoa que a defendeu.

    Exemplo: “O meu pai diz que não se deve fumar, mas fuma. Logo, não há razões para deixar de fumar.” Neste caso, pretende-se refutar a ideia de que não se deve fumar atacando a pessoa que a defendeu por ela ser incoerente.

  • Falácia da afirmação da consequente: falácia que consiste em supor que da condicional “Se P, então Q” e da afirmação da consequente dessa condicional, ” Se Q, então P.”

    Exemplo: “Se jogamos bem, então ganhamos o jogo. Ganhamos o jogo. Logo, jogamos bem.”

    No entanto, é fácil apresentar uma refutação desta forma de argumento com um contra-exemplo contendo a mesma forma lógica.

    Exemplo: o argumento “Se isso é sardinha então isso é peixe. É peixe. Logo, é sardinha.”, implica a falsidade “Basta ser peixe para ser sardinha.”, mostra que este padrão argumentativo é falacioso.

  • Estratégia de distração

    Consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante contínuas distrações e de informações insignificantes.

    A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar por conhecimentos essenciais e mantê-lo longe dos verdadeiros problemas sociais, permitindo ao demagogo agir conforme seus interesses.

    Referências

    La demagogia, ayer y ahoy – Valentina Prazé
    Demagogia – Sergio Ortix Leroux

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO