Arthur Schopenhauer

Para Schopenhauer, a vida em si não possui um significado ou uma finalidade; a felicidade, assim, é encontrada na solidão e na reflexão sobre si.

Arthur Schopenhauer, conhecido como um filósofo pessimista e sombrio, pode ser considerado um dos pensadores mais influentes no Ocidente até atualmente. Conforme o autor, a solidão e a capacidade de bastar a si mesmo são uma das qualidades mais valiosas para a felicidade de um indivíduo. Saiba mais sobre esse filósofo a seguir.

Biografia

Fotografia de Arthur Schopenhauer
Fotografia de Arthur Schopenhauer por Jacob Seib.

Arthur Schopenhauer nasceu em 22 de fevereiro de 1788 como o primeiro filho de uma família abastada, na cidade de Dantzig, Polônia. Logo, ele nasceu um ano antes do início de um dos marcos da história ocidental: a Revolução Francesa.

Quando jovem, ganhou do pai uma viagem pela Europa, o que instigou a sua habilidade de observação. Além disso, tornou-se uma pessoa desconfiada, sem ânimo elevado, e tinha conflitos familiares. Com a morte de seu pai, ele passou a se dedicar mais à vida intelectual.

Nas palavras de sua irmã, Adele: “Já não suporto a presença deste homem. É o inimigo da minha alegria, da minha vida. Quando estou diante dele, sinto morrer em mim toda mocidade e me sinto gelo.” Ainda, sua mãe dizia a ele: “você é insuportável, opressivo e muito difícil de se conviver”.

De fato, os conflitos entre ele e sua mãe eram frequentes. Ainda, para além de sua própria personalidade, atualmente ele é conhecido por suas ideias pessimistas, sendo considerado frequentemente um niilista.

De todo modo, viveu até a velhice, sendo reconhecido pelas suas obras ainda em vida. Assim, faleceu em 1860, ao lado de seu cachorro, tranquilamente. Diz-se ainda que ele possuía estatuetas de Buda e de Kant em sua casa.

Influências e importância

Schopenhauer teve contato com as obras de diversos autores. Dentre eles, o filósofo Platão exerceu grande influência, havendo concordâncias e discordâncias entre ambos. Para Schopenhauer, não há imortalidade da alma, mas a filosofia pode ajudar a refletir sobre a morte.

Kant também foi outra influência crucial para Schopenhauer. Nesse caso, o autor discorda da ideia kantiana de que as ações das pessoas sejam fundamentadas apenas na razão. Logo, a moral deve estar conectada com outros elementos da realidade além da racionalidade.

Por outro lado, Schopenhauer se tornou uma referência importante para muitos pensadores. Nietzsche descobriu as suas obras aos 21 anos, e ficou encantado com essa filosofia que criticava a metafísica e produzia reflexões sem um ser divino envolvido.

Além disso, Schopenhauer foi contemporâneo de Hegel. Enquanto o pensamento hegeliano fazia sucesso na época, pois pregava um progresso dialético da história, Schopenhauer não. Assim, ele se tornou uma espécie de contraponto nas reflexões de seus tempos.

Pensamentos e teorias

Um dos conceitos importantes no pensamento de Schopenhauer é o da Vontade. Segundo o filósofo, essa Vontade é aquilo que explica a conduta humana, algo que não possui uma finalidade, é cego, e não apresenta sentido. Ou seja, a realidade é guiada pela Vontade, e não pela razão.

Esse é um dos pontos que tornam Schopenhauer um autor “pessimista”. Afinal, se a base de tudo é a Vontade, a vida em si não possui um significado, uma finalidade, e a humanidade não se encaminha em um progresso contínuo. Na verdade, tudo é guiado sem um significado inerente.

Nesse contexto, o filósofo sugere que é preciso examinar a própria vida para poder encontrar uma felicidade e um bem-estar. Ao contrário, boa parte das pessoas estão interessadas apenas nos divertimentos e nas distrações, sem produzir uma reflexão consciente de si.

Portanto, Arthur Schopenhauer defende também a solidão como um componente fundamental para a felicidade – não apenas estar só, mas em bastar a si mesmo. De qualquer modo, é também na solidão que se alcança a verdadeira liberdade.

Principais obras

Arthur Schopenhauer escreveu diversas obras ao longo de sua vida. Todavia, por muito tempo, não era reconhecido e suas aulas na universidade eram pouco frequentadas. Tardiamente, começou a ser notado. Veja a seguir algumas de suas obras:

  • O mundo como vontade de representação (1819);
  • Dialética erística (1831);
  • Sobre a vontade da natureza (1836);
  • O livre arbítrio (1839);
  • Os dois problemas fundamentais da ética (1841);
  • Parerga e Paralipomena (1851);
  • Aforismos para a sabedoria de vida (1851).

O mundo como vontade e representação

Essa é considerada sua obra prima. Ela foi finalizada em 1818, e por certo tempo em sua vida ficou sem reconhecimento. Contudo, é nesse livro que ele realiza reflexões importantes sobre Kant, dialoga com Platão e propõe um sistema filosófico.

Para Schopenhauer, a vida tem como consequência o sofrimento, já que ela não possui finalidade ou significados em si. Assim, a moral só poderia ser compreendida na prática, na relação entre indivíduos, não sendo elas boas ou más a priori.

7 frases de Schopenhauer

O filósofo é dono de diversas citações instigantes, por vezes consideradas sombrias demais. Contudo, elas suscitam reflexões importantes sobre a existência humana e a importância da filosofia. Confira uma seleção de suas frases:

  1. “Todas as pessoas tomam os limites de seu próprio campo de visão pelos limites do mundo.”
  2. “Vá bater nos túmulos e perguntar aos mortos se querem ressuscitar: eles sacudirão a cabeça em um movimento de recusa.”
  3. “O perfeito homem do mundo seria aquele que jamais hesitasse por indecisão e nunca agisse por precipitação.”
  4. “As coisas são decerto belas de ver; porém ser uma delas é algo completamente diferente.”
  5. “A obscuridade e a falta de clareza da expressão são sempre um péssimo sinal.”
  6. “Bastar-se a si mesmo; ser tudo em tudo para si, e poder dizer trago todas as minhas posses comigo, é decerto a qualidade mais favorável para a nossa felicidade.”
  7. “A voz dos animais serve unicamente para expressar a vontade, em suas excitações e movimentos, mas a voz humana também serve para expressar o conhecimento.”

Portanto, ter o contato com os textos do próprio autor é importante para entender sua filosofia e sua linha de raciocínio. Assim, será possível compreender melhor até mesmo outros autores, como o Nietzsche.

Vídeos sobre as ideias de Arthur Schopenhauer

Schopenhauer é um dos filósofos ocidentais mais famosos na história moderna. Assim, para ampliar seu estudo sobre o autor, é imprescindível conhecer as suas influências e as discussões que suas ideias suscitam. Para isso, confira a seleção de vídeos abaixo:

Vida e obra do autor

Confira no vídeo acima uma explanação breve da vida e das principais ideias do autor. Para assisti-lo, não esqueça de ativar as legendas.

Schopenhauer resumido

Para entender resumidamente as principais ideias do autor, veja o vídeo sugerido. Assim, o material poderá ser útil principalmente para candidatos de vestibulares e ENEM.

Sobre o pessimismo

Uma das características mais conhecidas de Schopenhauer é o seu pessimismo. Todavia, o que ele significa no contexto de sua filosofia? Saiba mais.

Schopenhauer e quem somos nós

Há uma tradição na filosofia ocidental em pensar sobre o que somos nós, na condição de humanos. Logo, entenda como esse tema pode ser trabalhado com o pensamento do autor.

A arte de escrever

“A arte de escrever” é uma das obras famosas do autor, interessando principalmente o público ligado ao campo de estudos da literatura.

Logo, a obra de Schopenhauer é rica e impactante. Para continuar se aprofundando nos estudos sobre a filosofia, sobretudo em um dos assuntos tradicionais que interessavam o autor, confira a matéria sobre ética e moral.

Referências

Amor e morte em Schopenhauer – Juliana Fernandes Breda;

Arthur Schopenhauer e a crítica a Kant: uma ética da compaixão aplicável aos animais irracionais – Beatrís da Silva Seus;

O niilismo de Schopenhauer – Jarlee Oliveira Silva Salviano;

Representação e conhecimento em Arthur Schopenhauer: influência dos Vedas, Kant e Platão – Eliani Gracez Nedel.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Cientista social pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações. (SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005)
O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à

a) consagração de relacionamentos afetivos
b) administração da independência interior
c) fugacidade do conhecimento empírico
d) liberdade de expressão religiosa
e) busca de prazeres efêmeros

Resposta: b

Justificativa: é bastante comum na tradição da filosofia ocidental a importância da reflexão sobre si, o controle das vontades ou das paixões, e a conquista de uma independência.

2. [UEA]

Pensemos num cavalo diante de nós. Então perguntemos: o que é isso? Platão diria: “Esse animal não possui nenhuma existência verdadeira, mas apenas uma aparente, um constante vir-a-ser. Verdadeiramente é apenas a Ideia, que se estampa naquele cavalo, que não depende de nada, nunca veio-a-ser, sempre da mesma maneira. Enquanto reconhecemos nesse cavalo sua Ideia, é por completo indiferente se temos aqui diante de nós esse cavalo ou seu ancestral. Unicamente a Ideia do cavalo possui ser verdadeiro e é objeto do conhecimento real”. Agora, deixemos Kant falar: “Esse cavalo é um fenômeno no tempo, no espaço e na causalidade, que são as condições a priori completas da experiência possível, presentes em nossa faculdade de conhecimento, não determinações da coisa-em-si. Para saber o que ele pode ser em si, seria preciso outro modo de conhecimento além daquele que unicamente nos é possível pelos sentidos e pelo entendimento.” (Arthur Schopenhauer. “Sobre as ideias”. Metafísica do belo, 2003. Adaptado.)
Schopenhauer compara as filosofias platônicas e kantianas, fazendo-as responder a uma mesma questão. Na perspectiva platônica, o cavalo presente “diante de nós” é

(A) a demonstração da inexistência do mundo inteligível.
(B) absolutamente igual a todos os cavalos do mundo.
(C) uma sombra da ideia do cavalo.
(D) um ser imutável e eterno.
(E) a essência do cavalo real.

Resposta: C

Justificativa: se o real está na Ideia e o que se encontra pelos sentidos humanos é apenas um exemplar dessa Ideia geral, o cavalo é apenas uma sombra dela.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO