Conhecimento filosófico

A filosofia é um dentre outros tipos de conhecimentos humanos que permitem a reflexão e a crítica.

O conhecimento filosófico é valorizado na cultura ocidental como um tipo de saber elevado e refinado da humanidade. Por que ele possui tais valores positivos em nossa sociedade? A seguir, veja algumas de suas definições e relações com outros conhecimentos.

O que é conhecimento filosófico

O conhecimento filosófico é uma forma de saber baseado no questionamento da aparente ordem natural do mundo. A partir da dúvida, a filosofia constrói um pensamento sistemático e racional.

Na narrativa ocidental tradicional, a origem da filosofia está na Grécia antiga, apesar de atualmente o fato ser questionado – há indícios anteriores de conhecimento filosófico, por exemplo, na África.

Embora a filosofia ocidental não seja necessariamente ciência, ela também não se confunde com a mitologia. Assim, um de seus objetivos é formular um conhecimento baseado na razão, negando os mitos tradicionais.

As 4 características do conhecimento filosófico

Existem muitos conhecimentos filosóficos possíveis. No modo ocidental como conhecemos, é importante salientar pelo menos 4 características importantes para lembrar sobre esse tipo de saber:

  • Reflexivo: visa entender os pensamentos e as ideias humanas, produzindo especulações e hipóteses sobre o assunto. Logo, o exercício reflexivo deve ser constante;
  • Questionador: a filosofia é questionadora porque ela parte de dúvidas a respeito do mundo. Assim, não tomar as coisas como dadas e certas, e pensar sobre elas é primordial;
  • Racional: o empreendimento do pensamento realizado para produzir filosofia deve ser guiado pela razão. Ou seja, o conhecimento filosófico deve ser guiado por critérios lógicos e coerentes;
  • Sistemático: além de formular hipóteses sobre o mundo, essas ideias devem ser organizadas sistematicamente, relacionando-se uma com as outras. Portanto, as contradições não são desejáveis.

Essas características são critérios importantes para discutir sobre o conhecimento filosófico. Além disso, elas são úteis também para guiar debates mais gerais, garantindo uma relação mais democrática na sociedade.

Outros conhecimentos

O conhecimento filosófico é apenas uma das formas de saberes que existem na humanidade. Assim, é importante entender algumas delas, bem como suas diferenças e semelhanças com a filosofia:

Conhecimento do senso comum

É uma das formas de conhecimento mais disseminadas e sabidas. Assim, em oposição à filosofia ou a ciência, o senso comum é considerado em geral como irracional, sem reflexões profundas ou até ingênuo.

No entanto, é importante entender que esses são muitos preconceitos para com o senso comum. Na verdade, esses conhecimentos também podem ser coerentes, e estão ligados à lógica da vida cotidiana. Portanto, são importantes para a experiência de vida em geral.

Conhecimento científico

Assim como a filosofia, a ciência se usa da racionalidade, da lógica e da sistematização para produzir conhecimento. No entanto, os cientistas se preocupam com a experimentação e a verificação de suas hipóteses na realidade – uma tarefa que não é cabível aos filósofos.

Logo, a ciência também muitas vezes gera um conhecimento técnico, visando transformar a natureza ou modificar as relações entre as pessoas. Por sua vez, a filosofia não tem necessariamente um compromisso com tais tecnologias.

Conhecimento teológico

Por mais que a teologia geralmente se refira ao cristianismo em específico, é possível pensar em um conhecimento religioso em geral. Os saberes produzidos nas religiões não são filosóficas, nem científicas, e nem se limitam ao senso comum.

Desse modo, cada religião possui crenças próprias, costumes, rituais e um modo de organizar o mundo conforme seus agentes sagrados ou profanos. Frequentemente, somente os líderes religiosos possuem os segredos mais profundos desse conhecimento.

Portanto, há uma variedade de saberes importantes e eles não podem ser considerados mais importantes que o outro. Além dos citados, há, por exemplo, o conhecimento mágico. Pesquisas antropológicas demonstram o quão complexos e coerentes são esses saberes.

5 videoaulas sobre o conhecimento filosófico

A filosofia é um tipo de conhecimento antigo e, por isso, é abrangente e plural. A seguir, confira uma seleção de vídeos que revisam sobre suas definições possíveis. Além disso, há ainda temas importantes a serem discutidos, como a origem e a diversidade filosófica:

O que é filosofia

Acima, veja uma explicação sobre a definição clássica e corrente do conhecimento filosófico. Logo, será possível distinguir e pensar sobre suas diferenças com outros saberes.

As diferentes formas de conhecimento

Por mais que a filosofia seja um saber importante, há outros tipos de conhecimentos que também são complexos e relevantes para a humanidade. Conheça alguns deles.

A filosofia e o senso comum

Uma diferença tradicional é feita sempre entre a filosofia e o senso comum. Além disso, há a narrativa clássica da origem grega do saber filosófico. Saiba mais sobre essa perspectiva.

Origem da filosofia: a África

Apesar de a narrativa tradicional situar a origem da filosofia na Grécia, há estudos que questionam esse fato. Se o assunto te despertou interesse, confira o vídeo acima.

Para introduzir filosofias orientais: Mozi

A filosofia que geralmente conhecemos é apenas sua versão ocidental. Além da origem africana da filosofia, é importante conhecer outras formas de pensar filosófico possíveis.

Assim, a filosofia é um tipo de conhecimento central em nossa sociedade. Afinal, ela também está ligada ao debate racional e a democracia, que são fundamentais para transformações sociais e soluções de problemas que enfrentamos.

Referências

A necessidade do conhecimento filosófico para a formação humana – José Aparecido de Oliveira Lima; Elizabete Amorim de Almeida Melo; Anderson de Alencar Menezes;

Os diversos tipos de conhecimento – Wilson Correiros.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [CESPE]

De acordo com o pensador G. Vico, o senso comum é um julgamento sem qualquer reflexão, comumente sentido por toda uma classe, todo um povo, toda uma nação, ou por todo o gênero humano. Segundo Heidegger, nós nos movimentamos no nível de compreensão do senso comum à medida que nós cremos em segurança no seio das diversas “verdades” da experiência da vida, da ação, da pesquisa, da criação e da fé.
M. Heidegger. Sobre a essência da verdade. São Paulo 1970, p. 18 (com adaptações).

A propósito dessas informações acerca do significado do senso comum, problematizado pela filosofia, assinale a opção correta.
a) Enquanto o senso comum é um conhecimento seguro, a filosofia é um pensamento inseguro. Logo, a filosofia deve ser rejeitada como perigosa para o homem do cotidiano.
b) O senso comum reflete, argumenta e justifica suas crenças.
c) O senso comum é convicção arraigada, crença partilhada com segurança pelos homens, na vida, na ação, na pesquisa, na criação e na fé. A convicção é fundamental ao pensamento e, portanto, o senso comum se identifica com o pensamento filosófico.
d) É com o senso comum que o homem enfrenta, no cotidiano, os seus problemas imediatos. O senso comum antecede todo o filosofar. Devido a essa anterioridade e ao seu caráter de convicção inquestionada, ele deve ser considerado como critério de julgamento, como princípio dirimente de todas as dúvidas teóricas.
e) O senso comum é um julgamento irrefletido, que, uma vez compartilhado por muitos homens no âmbito da cultura como crença cotidiana, é tido como óbvio e permanece inquestionado. A filosofia, porém, é um movimento radical de autonomia do homem baseado no exercício do pensamento, do questionamento. Por isso, a filosofia se põe de maneira crítica frente às pretensões do senso comum.

Resposta: e

Justificativa: o senso comum é considerado irrefletido e irracional em oposição à filosofia. Por mais que essa diferença seja atualmente questionada, é o correntemente considerado.

2. [ENEM]

A filosofia, por outro lado, trata de problematizar o porquê das coisas de maneira universal, isto é, na sua totalidade, buscando estruturar explicações para a origem de tudo nos elementos naturais e primordiais (água, fogo, terra e ar), por meio de combinações e movimentos. Enquanto o mito está no campo do fantástico e do maravilhoso, a filosofia não admite contradição, exige lógica e coerência racional e a autoridade destes conceitos não advém do narrador como no mito, mas da razão humana, natural em todos os homens.

CARDOSO, O. et al. Filosofia. Curitiba: SEED-PR, 2007.

Ao refletir sobre os procedimentos da filosofia, o autor do texto a caracteriza como

a) exame do senso comum em busca de respostas.
b) análise crítica da realidade através do uso da razão.
c) prática de narrativa religiosa com ênfase no narrador.
d) uso da imaginação para construção de narrativas míticas.
e) emprego do pensamento fantasioso para explicar a realidade.

Resposta: b

Justificativa: o uso da razão é uma das marcas do conhecimento filosófico, em contraposição a outros tipos de saberes.

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