Arte Naif

Arte naif é produzida por artistas sem preparação acadêmica e sem a "obrigação" de usar técnicas elaboradas e abordagens convencionais nas obras.

A arte naif (também chamada de primitivista) é um estilo por meio do qual o artista não se preocupa com a técnica, escapando de qualquer preocupação técnica, tais como noções de perspectiva e proporcionalidade.

Por essas e por outras características, a arte naif é conhecida como a arte da espontaneidade.

História

A arte naif se desenvolveu na Europa do século XIX quanto artistas eram chamados de naifs (naif em francês quer dizer ingênuo) pelos colegas de vanguarda, porque não se dedicavam à pintura como atividade principal.

Além disso, esses artistas não possuíam formação acadêmica, sendo, portanto, autodidatas em sua arte.

Esse grupo de artistas concebia a arte não como algo reflexivo e transcendental, mas como um reflexo da tranquilidade e indiferença interior. Assim, suas obras eram mais serenas e despreocupadas.

Entre os artistas da arte naif, destacamos o francês Henri Rousseau (1844-1910) que inaugurou o uso do termo “naif” com a obra “O alfandegário”.

Em 1890, Rousseau pintou um auto-retrato que foi ridicularizado com o termo “retrato-paisagem”.

Entretanto, um século mais tarde, já em 1996, a tela foi valorizada virando capa do catálogo especial da Galeria Nacional de Praga, ficando a frente de outras obras mais conhecidas.

Henri Rousseau veio a falecer na França em 1910, aos 66 anos sem ter recebido o devido reconhecimento por seu trabalho.

Características da arte naif

É importante salientar que a arte naif não constitui uma técnica, mas de qualquer forma, apresenta certas características predominantes:

  • Artistas autodidatas e sem formação em Arte
  • Recusa ou desconhecimento do uso dos moldes acadêmicos
  • Composição plana, bidimensional
  • Detalhamento das figuras e cenários
  • Colorido exuberante
  • Pinceladas contidas com muitas cores
  • Desprezo pela representação fiel da realidade

Principais artistas e obras

As obras naif compõem uma vasta coleção muito disputada no mundo das artes atualmente.

The dream – Henri Rousseau (1910)

Imagem: Reprodução

A selva exuberante, os animais selvagens e o misterioso tocador de trompa que aparecem neste trabalho foram inspirados pelas visitas de Rousseau ao museu de história natural de Paris e ao Jardin des Plantes (um jardim zoológico e botânico combinados).

De suas visitas, o artista disse: “Quando estou nessas estufas e vejo as plantas estranhas de terras exóticas, parece-me que estou entrando em um sonho”. O modelo nu nesta pintura se reclina em um sofá, misturando o doméstico e o exótico.

Noah’s Ark – Edward Hicks (1846)

Imagem: Reprodução

Esta imagem incomum da arca de Noé é baseada em uma litografia de 1844 por Nathaniel Currier . Os animais que Hicks acrescentou à cena se assemelham aos de suas representações anteriores de seu tema bíblico favorito: a profecia de Isaías sobre o “reino pacífico”.

Os animais cooperativos expressam a crença quaker de Hicks na capacidade da humanidade de viver juntos harmoniosamente na natureza, assim como a história de Noé promete a humanidade um novo começo.

Early Morning Work – William Johnson (1940)

Imagem: Reprodução

Embora aparentemente primitivo, as formas achatadas e a perspectiva deliberadamente ingênua que Johnson usou são resultado de anos de disciplina artística.

O perfil do homem é um desenho belamente feito de uma máscara africana. Mãos e cascos de mula são desproporcionalmente grandes, enquanto as faixas horizontais oferecem uma cadência visual pontuada pelas formas circulares de uma roda e galinhas bicando no chão.

Burke and Wills expedition – Sidney Robert Nolan (1948)

Imagem: Reprodução

Nolan enfatiza o heroísmo e o estoicismo dos dois exploradores. Contra uma paisagem desértica esparsa, Burke e Wills são retratados em seu camelo e cavalo, corajosamente olhando para o espectador, alheios ao seu destino.

The Trial of John Brown – Horace Pippin (1942)

Imagem: Reprodução

Esta representação do julgamento de John Brown foi inspirada no relato da avó de Pipin sobre o famoso abolicionista sendo levado para o seu enforcamento em Charles Town, Virginia.

Enfatizando o status de Brown como um mártir cristão, Pippin inclui uma atadura sangrenta que lembra a Coroa de Espinhos e um júri de doze homens de barba – evocando os doze apóstolos da Bíblia.

The Wedding Party – Henri Rousseau (1905)

Imagem: Reprodução

A composição é uma das mais ambiciosas já realizadas por Rousseau, consistindo em um retrato grupal de grande porte, no qual cada face é individualizada, colocada diante de um grupo de árvores cujas espécies são todas meticulosamente diferenciadas.

A War Party at Fort Douglas – Peter Rindisbacher (1823)

Imagem: Reprodução

O capitão Andrew Bulger, governador de Assiniboia entre 1822 e 1823, encarregou Rindisbacher de pintar as imagens dos incidentes nos fortes britânicos no novo oeste. As pinturas resultantes mostravam os nativos igualmente em cada forte, cumprimentando o governador Bulger e seus seguidores.

Referências

O Que É Naif Art? – Grace Mannon
Arte Naif – Allarts Gallery
Arte Naif – História das Artes
A História da Arte – E. H. Gombrich

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [IDECAN]

Em relação à arte Naïf, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Na Arte Naïf ou Arte Primitiva Moderna, o artista parte de suas experiências próprias e as expõe de uma forma simples e espontânea.

( ) Henri Rousseau, pintor autodidata, foi o primeiro artista Naïf moderno a ser exposto e valorizado.

( ) As obras e artista Naïfs, não oriundos de movimentos artísticos ou escolas de arte, não são considerados e valorizados pela crítica.

( ) A Arte Naïf ou Primitiva é produzida por artistas eruditos.

( ) Maria do Santíssimo é considerada a maior representante da arte primitiva potiguar.

A sequência está correta em:
a) F, V, V, F, V.
b) F, F, V, V, V.
c) V, V, F, F, V.
d) V, V, F, F, F.

Resposta: C (V V F F V)
Mesmo sem tecnicidade, a arte naif é bastante valorizada pela crítica sendo, portanto, produzida por artistas não eruditos, “amadores” que não possuem sua arte como atividade principal .

2. [CESGRANRIO]

A arte primitiva foi também chamada de Arte Naif, no início do século XX, quando valorizada pelos artistas eruditos que a acolheram como manifestação de valor próprio. Heitor dos Prazeres é um dos representantes mais conhecidos desse tipo de arte que se caracteriza

a) por uma pintura de intenso colorido, uso de princípios artesanais de composição, temas que se referem à cultura popular.

b) por representar em suas pinturas as sensações provocadas pela luz solar.

c) pelo emprego da perspectiva, misturas das cores e zonas de claro e escuro.

d) pela distorção das figuras humanas e o uso de pinceladas fortes na tela.

e) pela despreocupação com o realismo tanto nas formas como nas cores.

Resposta: A
A arte naif está profundamente relacionada com a cultura popular assim como também com o uso “exagerado” das cores.

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