Modos de produção

Os modos de produção fazem parte de um importante conceito marxista para pensar nas transformações possíveis das sociedades humanas.

Durante a história da humanidade, as pessoas desenvolveram diferentes formas de transformar a natureza para sobreviver e suprir suas necessidades. Assim, cada uma delas é um modo de produção particular na história. Confira uma explanação sobre esse assunto a seguir.

O que é modo de produção

O modo de produção diz respeito sobre como as sociedades humanas, em determinada época, transformam a natureza e produzem seus bens – como comida, moradia, vestimenta, entre outros. Ou seja, é a forma como a sociedade se organiza continuamente para se manter materialmente.

Esse é um conceito que se originou na teoria de Karl Marx e de Friedrich Engels. Para eles, a humanidade passou por alguns estágios de modos de produção. Veja abaixo as fases desse desenvolvimento conforme os autores:

Modo de produção primitivo

Este estágio diz respeito ao momento em que não havia ainda a realidade da propriedade privada entre grupos humanos. Desse modo, as pessoas cooperavam de maneira equivalente no trabalho, distribuindo os produtos entre toda a comunidade. Logo, esse período é também chamado de comunismo primitivo.

Uma vez que não havia propriedade privada, a humanidade não era separada em classes. Assim, não haviam dominantes ou dominados e portanto, as necessidades materiais dos indivíduos eram supridas de forma coletiva e comunitária.

Modo de produção escravista

Pelo menos na história ocidental, este foi o primeiro momento que surgiu a propriedade privada. Consequentemente, a humanidade foi dividida em duas: os dominantes, aqueles que detinham os meios de produção; e os dominados, que não eram proprietários. Nesse período, essa divisão se expressava nas seguintes classes:

  • Donos de escravos: aqueles que possuem escravos, as terras e até os instrumentos de trabalho; ou seja, os trabalhadores dependem deles para trabalhar;
  • Escravos: constituem a classe dominada e despossuída de meios para poder trabalhar e garantir o seu sustento. Logo, precisam se sujeitar a um senhor.

Um cenário ilustrativo dessa conformação social pode ser a Roma antiga. É importante notar que essa é uma simplificação das sociedades da época. Entretanto, dois pontos são relevantes: primeiro, surge a divisão de classes; e segundo, a classe dominante é minoritária.

Modo de produção feudal

Se no estágio anterior os grupos humanos produziam seu sustento por meio do escravismo, no modelo feudal essas relações se transformam. Nesse período, ocorre também o que é chamado no Ocidente de época medieval. Dessa vez, a divisão de classes ocorre de outro modo:

  • Senhores feudais: são também detentores da terra e dos meios de produção. Logo, oferecem aos servos uma parte dessa sua propriedade para sobreviverem, em troca de serviços e obediência;
  • Servos: diferentemente dos escravos, não são propriedade dos senhores. Contudo, continuam dependendo deles para sobreviver, já que precisam de suas terras para trabalhar.

Nesse momento, os valores aristocráticos e religiosos são bastante marcados, e demostram a base ideológica que sustentava esse modo de produção. Contudo, essa forma de produção começa a colapsar e seus ideais passam a ser questionados. Como consequência, surgem as condições para revoluções e a entrada em outro estágio: o capitalismo.

Modo de produção capitalista

Como muitos conhecem, o capitalismo é o sistema que Marx e Engels dão maior atenção. Nesse estágio, as classes sociais também se transformam porque o modo de produção é outro. Agora, não há servos, mas trabalhadores assalariados chamados de proletários:

  • Burguesia: são os donos dos meios de produção – ou seja, as novas fábricas, indústrias, terras, entre outros. Assim, como precisam que alguém produza mercadoria, a partir desses meios, pagam um salário aos trabalhadores que necessitam de uma forma de sustento;
  • Proletariado: é a classe majoritária na sociedade. Como não possuem os meios de produção, precisam se sujeitar às regras de produtividade da burguesia, de modo que ela obtenha lucro. Ou seja, a única coisa que o proletariado possui para vender é a sua própria força para trabalhar.

Logo, a venda da força de trabalho em troca de um salário constitui o cenário de produção material na atualidade. Nesse contexto, é importante notar que, em toda a história dos modos de produção, essas relações entre classes se mantiveram por meio da violência e da exploração. Assim, essas relações estão ligadas também com a desigualdade social.

Modo de produção socialista

Conforme o pensamento marxista, a história da humanidade até o momento pode ser lida como a história da luta de classes. Em todas as épocas, é possível notar a presença de um grupo minoritário que guarda para si os meios de produção, de modo que a maioria fique dependente dele para trabalhar e sobreviver.

Contudo, esse modelo constituiria a pré-história da humanidade, a partir do momento em que se adentrasse no modo de produção socialista. Esse período, que ainda não existe, visaria a destruição da propriedade privada, da divisão de classes e do capital. Consequentemente, os meios de produção estariam disponíveis para as pessoas que poderiam produzir seu próprio sustento.

Por fim, é importante pontuar que essa linha de estágios é pensada a partir do modelo ocidental ou europeu. Logo, nem todas as sociedades mostrariam esse modelo. Por essa razão, Marx também descreve em alguns momentos o modo de produção asiático.

Vídeos sobre a sociedade e os modos de produção

Estudar um assunto por diversos canais e em diferentes contextos pode ajudar a entender e fixar melhor o conteúdo. A seguir, confira uma seleção de vídeos que vão te ajudar a compreender a temática dos modos de produção:

Conectando o assunto com a realidade social

Muitos assuntos da sociologia podem parecer abstratos. Por isso, confira esse vídeo didático que explica a importância de entender os processos envolvidos na produção humana. Curiosamente, esse temática envolve produtos comuns do dia a dia, como a goiabada.

Retomando as definições principais

De modo rápido, o material audiovisual recapitula as principais definições de cada fase dos modos de produção. Logo, é possível utilizá-lo como base para aprofundar melhor o tema.

Para o vestibular

Para conhecer mais sobre o assunto, em especial para provas de vestibular, assista ao vídeo explicativo acima. Nele, cada fase do desenvolvimento dos modos de produção é detalhadamente apresentado.

Pensando nos modos de produção hoje

Como foi possível notar, a temática dos modos de produção faz uma retomada histórica de como a humanidade desenvolveu sua forma de transformar a natureza. Entretanto, como essa trajetória pode ser importante para questões atuais? Veja no vídeo acima.

O modo de produção atual: capitalismo

Por fim, o modo de produção que é dominante nas sociedades humanas atualmente é, conforme diversos autores, o capitalismo. Um dos teóricos que mais se esforçou em descrever esse sistema foi Karl Marx. Assim, confira no vídeo uma explanação de sua ideia.

Portanto, a história dos modos de produção é uma parte importante do argumento marxista. No entanto, é necessário pontuar que, para o próprio Marx, diferentes sociedades podem apresentar desenvolvimentos diversos.

Referências

A origem da família, da propriedade privada e do Estado – Friedrich Engels;

Contribuição à crítica da economia política – Karl Marx;

O conceito de modo de produção – Cesar Mangolin de Barros.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [UFMA]

O modo de produção que se caracteriza pela relação entre trabalho assalariado e capital é definido como modo de produção:
a) asiático.
b) camponês.
c) mercantilista;
d) capitalista.
e) socialista.

Resposta: d

Justificativa: o modo de produção capitalista determina uma relação de trabalho assalariada, com classes antagônicas: a burguesia e a o proletariado.

2. [UNESPAR]

A fase atual de expansão do capitalismo é chamada de globalização. Ela é consequência do avanço tecnológico, especialmente da modernização do sistema industrial. As tecnologias modernas permitem um aumento considerável da produtividade, isto é, com o mesmo número de trabalhadores consegue-se produzir mais. De forma crítica podemos concluir que:
a) a produção cresce significativamente e sem problemas;
b) o desemprego diminui significativamente, pois essas tecnologias são geradoras de mão-de-obra;
c) a produção compensa o desemprego, justificando os meios;
d) o desemprego cresce significativamente, pois essas tecnologias são poupadoras de mão-de-obra;
e) é natural que os diversos ramos industriais venham se modernizando, contudo, o desemprego é responsabilidade única do trabalhador que não se atualiza.

Resposta: d

Justificativa: no capitalismo, o desemprego cresce também com a modernização e a substituição da mão de obra humana, tornando a classe proletária mais descartável aos olhos da burguesia.

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