O que é arte?

Definir o que é arte requer pensar sobre os seus significados e funções ao longo da história. Essa é uma pergunta que contém muitas respostas e todas elas estão inseridas no cotidiano social.

Segundo o dicionário Priberam, arte pode ser definida como “a capacidade ou habilidade para a aplicação de conhecimento ou para a execução de uma ideia, como também por um conjunto dos meios pelos quais é possível obter a realização prática de algo – técnica”. Apesar de parecer um conceito abstrato, a arte é composta por muitos significados na história. Leia a matéria para entender mais!

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O que é o conceito de arte

Geralmente, pode-se entender a arte como uma expressão humana com duas facetas: de um lado, a experiência do indivíduo ligada às suas emoções, sentimentos, sensações, pensamentos e ideais; por outro, a sua função comunicativa que se utiliza de métodos e técnicas para transmitir os anseios, dinâmicas, relações e mentalidade de um contexto histórico. São nesses dois fundamentos que se faz possível compreender o que é arte tal como ela se desenvolveu ao longo da história. Ou seja, a arte é uma criação humana ligada às percepções do artista e aos valores estéticos.

Todavia, cabe destacar que falar sobre arte implica pensar esta enquanto memória das ações humanas, e justamente por isso, ela não é única e imutável, pois reflete finalidades distintas a depender do lugar e período; portanto, a melhor pergunta não seja somente “o que é arte?”, mas o que ela foi até o momento e como se relacionou ao longo das gerações de artistas e manifestações artísticas diversas no tempo.

E a história mostra que não existe arte com “A” maiúsculo; pelo contrário, existem apenas artistas que desenvolveram técnicas e habilidades de modo a realizar algo para uma ocasião específica e um propósito determinado.

Quem é que faz a arte

A arte é feita e constituída por artistas. Sim, pode parecer uma afirmação simples e óbvia, mas não é o que parece. O que você chama de “obras de arte” nem sempre foi considerado como tal, e isso é um fato histórico.

Segundo o historiador da arte, E.H. Gombrich, a maioria das pinturas e esculturas que hoje se alinham ao longo das paredes dos museus e galerias não se destinava a ser exibida como arte. Os artistas pintavam conforme as finalidades determinadas, e, primariamente, as obras eram feitas para serem tocadas e sentidas, pois eram motivos de negócios e debates.

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Sendo assim, afirmar que a arte é feita por artistas requer entender necessariamente que ela é construída por seres humanos para seres humanos dentro de um contexto e cultura.

Qual é a importância da arte

A arte existe porque a vida não basta. Essa é uma afirmação realizada pelo poeta e crítico da arte, Ferreira Gullar. Ela sintetiza bem a importância dessa dimensão tão essencial na sociedade e história humana.

A palavra “arte” vem do termo latino ars que significa “técnica” ou “saber fazer”. Apesar de apontar para a técnica e habilidade necessárias, mostra que a arte também está ligada à criação humana. É por meio da criação que os seres humanos expressam como enxergam e compreendem o mundo num dado momento. E é aqui que reside a importância da arte na vida humana: ela reponde à necessidade humana de criação e de expressão.

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Somado a isso, é necessário destacar que essas criações dos artistas carregam uma importância fundamental de reflexão e problematização; por mais que tenham sido produzidas há séculos e décadas – ou até mesmo no tempo presente, no caso das manifestações artísticas atuais – todas elas instigam uma atitude de desaceleração, de pensamento, questionamento e apreciação. Tanto individual como coletiva.

Conforme o poeta e filósofo brasileiro, Ângelo Monteiro, a arte, após ser criada, transmite a mentalidade de um tempo histórico, como também representa o ideal pensado pelo próprio artista em sua época. Portanto, a importância da arte está em, por meio dela, refletir sobre o tempo e aspirações do passado e, em simultâneo, questionar sobre as questões do tempo presente.

História da arte

Assim como pode-se estudar sobre as ações humanas temporalmente, também há, no campo da história, a possibilidade de estudar sobre o desenvolvimento da arte ao longo do tempo. Para essa dimensão, a História da Arte é o campo de estudo que pesquisa sobre essa questão. O campo da história da arte tem por finalidade estudar e analisar as manifestações e expressões artísticas no contexto temporal e cultural em que foram criados, assim como os artistas que foram responsáveis pelos movimentos estéticos.

Estudar a história da arte requer um olhar analítico não só sobre a arte, mas sobre a sociedade em que ela foi produzida, sobre a função religiosa ou política para a qual foi designada, assim como sobre o próprio artista que a produz e sobre o olhar que, hoje, aprecia e reflete sobre ela.

Desse modo, para facilitar a compreensão dos períodos das manifestações artísticas, os historiadores da arte definiram periodizações importantes, sendo elas:

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  • Arte Pré-Histórica: período que vai até 3000 a.C.
  • Arte Antiga: abrange o período de 3000 a.C. até 1000 a.C.
  • Arte Clássica: período que vai 1000 a.C. a 300 d. C.
  • Arte Medieval: abrange o século V ao século XV (476 – 1453).
  • Arte na Idade Moderna: inicia-se no século XIV ao século XVIII (1453 – 1789).
  • Arte na Idade Contemporânea: período que abrange o final do século XVIII até o final do século XIX (1789 – 1890).
  • Arte Moderna: final do século XIX à metade do século XX.
  • Arte Contemporânea: meados do século XX aos dias atuais.

Essas periodizações são formas para analisar e compreender a arte em seu desenvolvimento ao longo da história, mas vale destacar que elas não são fechadas nelas mesmas.

Arte rupestre

Wikimedia Commons

O ser humano tem como uma de suas principais características o desejo e a necessidade de se comunicar. E desde os primórdios da humanidade isso tem sido evidenciado e diferenciado os seres humanos de outros seres, não apenas por estes construírem modos de sobreviver, mas formas de linguagens, crenças, símbolos e valores que constituem uma cultura. Os que viveram no período Paleolítico e Neolítico (entre 2 milhões de anos a.C. e 3 mil a.C.) foram, por exemplo, os responsáveis por construir gradativamente o que se denomina hoje por cultura pré-histórica, e um dos elementos dessa cultura é a arte rupestre.

De maneira geral, a arte rupestre é uma manifestação artística formada, em sua maioria, por desenhos e pinturas. Grande parte dessas manifestações estão localizadas no interior de cavernas de diversos lugares ao redor do mundo. Essas primeiras manifestações artísticas geralmente retratavam as relações entre animais e homens, como também pessoas em danças ritualísticas.

Todas as pinturas pertencentes a arte rupestre tinha uma relação muito forte com o sagrado e o espiritual, pois acreditava-se que existia um poder em cada figura representada, o poder poderia fazer com que fosse possível modificar a realidade. Por isso que a temática da natureza era tão presente nessas representações, como na pintura rupestre na caverna de Lascaux (França, 16 mil — 15 mil a.C.) e na caverna de Altamira (Espanha, c. 15 mil — 10 mil a.C.)

Arte sacra

Wikiart.org

A arte sacra tem uma característica própria em toda a sua construção e concepção: a sua ligação com o divino, com uma realidade metafísica e o sagrado. São obras de Arte Sacra aquelas produzidas exclusivamente para o culto religioso (objetos utilizados nas missas e procissões, no caso da arte sacra cristã, por exemplo) e para a liturgia na vida dos fiéis. Essas obras, dessa maneira, são consideradas sagradas e objetivam fazer a intermediação do profano (homem) com o divino.

Sendo assim, na constituição da Arte Sacra há intimamente uma relação entre arte e fé, revelando, portanto, o universo imenso do imaginário individual e coletivo da sociedade.

Arte Renascentista

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A arte renascentista irá expressar algumas características vigentes no próprio período, sendo a centralidade da natureza humana nas questões que ocupavam a forma de ver e compreender o mundo a característica central, como também a noção de perspectiva e proporcionalidade para manter certo rigor técnico, isto é, o equilíbrio, a dimensionalidade, a simetria, etc.; em suma, o desejo de representar a realidade da maneira mais fidedigna possível, inclusive, dando ênfase nas emoções e expressões humanas.

Outra característica importante da arte renascentista foi o resgate dos ideais e da cultura greco-romana, considerada pelos renascentistas enquanto “clássicas”, e isso se torna claro na composição das obras renascentistas, até mesmo naquelas constituídas por temas religiosos, onde o corpo dos personagens são ideais e atléticos movidos por um ideal de beleza e de harmonia. O corpo é, portanto, o elemento central para se pensar a cultura e a própria arte renascentista.

Arte Barroca

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A arte barroca é marcada pelo drama, pela teatralidade, contraste e ilusão. Ao pensar no contexto histórico onde a arte barroca foi desenvolvida, pode-se perceber que ela surge como uma possível resposta às quebras de paradigmas vivenciadas na Europa em detrimento da Reforma protestante, o humanismo antropocêntrico, entre outros fatores.

Apesar de o Barroco ser considerado um movimento artístico, ele não é único e uniforme, pois foi altamente difundido no século XVII não só na Europa, mas nos territórios pertencentes ao “novo mundo”.

Todavia, é possível identificar características gerais do Barroco em suas manifestações, dentre elas: o caráter dramático das obras, a predominância dos temas religiosos, o contraste entre luz e sombras, como forma também de retratar o profano (homem), o divino e a fluidez na constituição da obra em detrimento da simetria e da representação ideal.

Arte Moderna

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O moderno na arte inaugura concepção de arte, isto é, compreendendo-a para comunicar uma mensagem social e política intencionalmente e incisiva. As expressões artísticas da arte moderna iniciam-se na Europa em fins do século XIX, e alcançam não somente a pintura, mas a arquitetura, a escultura e outros meios artísticos.

A arte moderna toma para si mesma menos a função estética e mais a função crítica e comunicativa, questionando os padrões sociais e culturais vigentes. O papel político e ideológico torna-se central no desenvolvimento dos movimentos modernos.

No Brasil, tal característica de rompimento com os padrões vigentes, protesto e tentativa de criação de uma identidade própria de um povo inclusive na arte, mostra-se na Semana da Arte moderna de 1922.

Sendo assim, a Arte moderna se aproxima daquilo que até então não era muito presente nos temas de arte, como o novo, as contradições de uma realidade marcada pela busca do progresso e urbanização, etc. A ruptura é o que marca esse movimento.

Arte Contemporânea

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O conceito de arte dentro desse arco temporal amplia-se; há mais variedades de técnicas, expressões, estilos e abordagens que podem ser identificados através das artes existentes, como a moda, fotografia, performances, pintura, teatro, videoarte, dentre outros. A aceleração constante causada pelo avanço informacional e tecnológico renova o papel e função da arte, trazendo também novas características, tais como a ênfase na subjetividade do artista, a fusão de estilos artísticos para a concepção de uma obra, a valorização da interpretação do apreciador da arte, etc.

Em suma, a arte contemporânea busca tornar-se um espaço de produção de obras de arte e de questionamentos sobre os padrões sociais, hábitos de consumo, dentre outros fatores.

Analisar alguns dos principais movimentos artísticos ao longo da História faz-se necessário para a compreensão de que a arte ela tem sua própria historicidade, e que entender “o que é” arte requer primeiro pensar no que ela foi até agora. Algo fascinante!

O que é a arte visual

Apesar de o termo estar presente com frequência no dia a dia das pessoas, não é simples denominar o que seriam as artes visuais — no plural, pois existem muitas. Mas como o próprio nome sugere, as artes visuais são denominadas enquanto tal por serem constituídas pela necessidade do olhar, do “ver”.

Dessa forma, são formadas por expressões artísticas que possuem esse núcleo central, tais como: a escultura, pintura, teatro, dança, arquitetura, desenho, fotografia, cinema, “design”, gravuras, a moda, a decoração, o paisagismo, dentre outras. Como se pode analisar, o campo das artes visuais é bastante amplo!

É interessante destacar que algumas modalidades de arte surgiram em decorrência do contexto em que está inserida. A Webdesign, por exemplo, surgiu com conceitos, técnicas e materiais totalmente novos e demandaram novas habilidades. A tecnologia foi uma das responsáveis para o surgimento não só do web design, mas da arte gráfica, multimídia, dentre outras categorias.

Tipos de arte

Desde a publicação da obra Manifesto das Setes Artes, escrita pelo intelectual italiano Ricciotto Canudo, e publicada em 1923, as categorias das expressões artísticas foram elencadas da seguinte maneira: música (1°), dança e coreografia (2°), pintura (3°), escultura (4°), teatro (5°), literatura (6°) e o cinema (7°). Contudo, essa lista elaborada pelo filósofo germânico, Friedrich Hegel, e depois modificada por Ricciotto Canudo, abrangeram apenas alguns campos da arte até então existentes.

Com o advento da tecnologia e a ampliação do conceito de arte, as categorias da arte foram repensados e ampliados de modo a incluir novas manifestações artísticas. Atualmente, pode-se identificar as seguintes dimensões na arte: artes visuais, artes plásticas, artes cênicas, artes gráficas, dentre outras. A lista mais comum entre os estudiosos da arte atualmente é a seguinte:

  • 1° Arte: Música
  • 2° Arte: Dança e coreografia
  • 3° Arte: Pintura
  • 4° Arte: Escultura
  • 5° Arte: Teatro
  • 6° Arte: Literatura
  • 7° Arte: Cinema
  • 8° Arte: Fotografia
  • 9° Arte: Histórias em quadrinhos — HQ’s
  • 10° Arte: Games
  • 11° Arte: Arte digital e multimídia

Várias modalidades novas de arte surgiram em decorrência das transformações do contexto social. Tal dinâmica evidencia a forte relação entre a arte, a sociedade, as demandas e questões que surgem aos olhos do artista.

Vídeos sobre a definição de arte e seus desdobramentos até hoje

Amplie mais o seu repertório de conhecimentos e ideias sobre o que é arte, pensando nas particularidades desse conceito ao longo de cada período e contexto histórico até os dias atuais!

O que a arte foi até os dias de hoje?

Neste vídeo, o professor de história da arte, Felipe Martinez, fala sobre a íntima relação entre a arte e a história. Além disso, o professor menciona que a arte é fruto não só do contexto histórico e social, mas das mãos que produzem a obra e dos olhos de quem aprecia.

As infinitas respostas para “o que é arte?”

Conheça as diversas questões que podem levantar uma possível resposta para “o que é arte?”. No vídeo, bastante interativo e dinâmico, a Vivi reflete um pouco sobre essa pergunta tão difícil e aponta respostas interessantíssimas.

A arte está nos olhos de quem vê?

Como definir o que é arte? Atualmente a arte abrange os conteúdos, ideais e até mesmo nos objetos do cotidiano. O vídeo trata sobre como a arte está presente em nosso cotidiano mais do que você acha.

Você chegou até aqui, e agora já possui uma noção do que é arte assim como da sua relação com o tempo e lugar em que foi produzida. Uma forma de entender isso é conhecendo a vida dos próprios artistas e de suas obras. Tendo em vista isso, que tal conhecer a vida e obra de Jean Baptiste Debret? É só clicar e dar mais um passo rumo ao conhecimento!

Referências

A História da Arte (1988) — E.H. Gombrich
Arte ou desastre (2011) — Ângelo Monteiro
A origem da obra de arte (2000) — Martin Heidegger

Thiago Abercio
Por Thiago Abercio

Historiador e mentor educacional formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Professor de História e de Repertório cultural e Ideias, redator e analista de conteúdo. Atualmente realiza pesquisas na área de História da arte e das mentalidades.

Como referenciar este conteúdo

Abercio, Thiago. O que é arte?. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/artes/o-que-e-arte. Acesso em: 26 de May de 2022.

Exercícios resolvidos

1. [URCA 2015]

Assinale a alternativa que contém características incompatíveis com o estilo de época conhecido por Barroco:

A) Contradições, sobrenatural humanizado, céu e terra ligados.
B) Gosto pela polêmica, pelo panfleto, colisão de cores e excesso de relevos.
C) Sentido de universalidade, racionalismo e objetividade.
D) As coisas, pessoas e ações não são descritas mas apenas evocadas e refletidas através da visão das personagens.
E) Largo sentimento de grandiosidade e esplendor, de pompa e grandeza heróica, expressos na tendência ao exagero e nos hiperbólico.

C) Sentido de universalidade, racionalismo e objetividade.

O racionalismo relacionado com a objetividade não eram marcas características do barroco em sua concepção e funções.

2. [EXATUSPR - 2018]

As artes fornecem um dos mais potentes sistemas simbólicos das culturas e auxiliam os alunos a criar formas únicas de pensamento. Em contato com as artes e ao realizarem atividades artísticas, os alunos aprendem muito mais do que pretendemos, extrapolam o que poderiam aprender no campo específico das artes. E, como o ser humano é um ser cultural, essa é a razão primeira para a presença das artes na educação escolar. (ferreira, 2001, p32). Nesse sentido a arte deve ser vista como:

A) Faces do conhecimento, que complementam-se e ajustam-se perante o desejo de compreender o mundo.
B) Oposição, uma contradição à ciência, todavia que faz entender certos aspectos que a ciência.
C) Faces do conhecimento, que não complementam-se e não se ajustam-se perante o desejo de compreender o mundo.
D) Nenhuma das alternativas anteriores.

A) Faces do conhecimento, que complementam-se e ajustam-se perante o desejo de compreender o mundo.

Estudar a história da arte implica o amadurecimento do imaginário e do conhecimento do indivíduo diante do mundo e das questões presentes na realidade em que vive.

3.

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