Religião

A religião, ou as religiões (no plural), sempre estiveram presentes na história da humanidade. Entendê-las em sua diversidade é também um debate atual.

A religião é um fenômeno universal entre a humanidade. Sendo assim, ela é importante para cada sociedade e se apresenta de formas diversas. Além de organizar a vida social, as religiões oferecem uma forma de pensar o mundo e de transmitir esses conhecimentos para outras gerações.

Desse modo, a religião, assim como a própria cultura, é diversa e ocorre dentro da lógica de seu contexto social e histórico. Atualmente, torna-se cada vez mais importante entender a pluralidade religiosa. Saiba mais sobre o assunto abaixo.

O que é religião

É comum considerarmos a religião como sinônimo de coisas sobrenaturais, divinas, mágicas, irracionais ou transcendentais. No entanto, é necessário ser mais específico para tentar definir o que é religião.

A religião é um fenômeno social. Para Durkheim, todas as religiões são compostas de um sistema de crenças que separa as coisas que são sagradas daquelas que são profanas. A partir dessas crenças, são organizados também rituais que são transmitidos às outras pessoas.

Portanto, sociologicamente, religião não é necessariamente ligada ao sobrenatural ou o irracional. Ao contrário, as religiões são racionais, organizam a vida humana e exercem uma moralidade. Nessa perspectiva, ela é um fenômeno que é necessariamente coletivo e integrado a toda a sociedade.

Como surgiu a religião

Pintura de Adolfo Pérez Esquivel
15ª Estação da Cruz da América Latina, de Adolfo Pérez Esquivel

Em essência, como qualquer outra instituição social, não é possível determinar quando surgiu a religião. Sendo um fenômeno social, não se sabe exatamente quando a humanidade passou a dividir o seu mundo entre o profano e o sagrado, desenvolveu rituais e transmitiu seus conhecimentos para outras gerações.

Entretanto, o que se sabe é que a religiosidade está presente em todas as sociedades humanas e é parte do desenvolvimento de suas culturas. Dessa forma, não existem religiões falsas; todas são verdadeiras a seu modo, organizando a vida social.

Apesar de não ser possível determinar a origem da religião como fenômeno, algumas religiões mais recentes podem ser melhor datadas. Por exemplo, sabe-se que a umbanda surgiu no Brasil a partir do hibridismo entre o catolicismo e do candomblé, de matriz africana.

As 10 principais religiões no mundo

Algumas religiões cresceram bastante no contexto global. Assim, a seguir, será apresentada uma lista com as religiões com o maior número de adeptos no mundo, em ordem decrescente. Os números são aproximados. É importante salientar que elas são as “principais” no sentido da quantidade de “seguidores”, mas não são mais importantes ou melhores que as demais.

  1. Cristianismo: se baseia nos ensinamentos de Jesus de Nazaré como o messias enviado ao mundo por Deus. Ele era um judeu nascido na Palestina, sob o governo romano.
  2. Islamismo: seu fundamento é a palavra do Profeta Muhammad, de Mecca, Arábia Saudita. Seu Deus é o mesmo do judaísmo e do cristianismo, e o objetivo é obter a entrada ao Paraíso após a morte.
  3. Hinduísmo: é desenvolvida há mais de 1.500 anos a.C., na Índia. Suas doutrinas incluem a reencarnação e seus ritos abarcam, por exemplo, a meditação e o yoga.
  4. Budismo: também indiana, é baseada nas ideias de Siddharta Gautama (o Buda). Assim, ela prega a tentativa de encerrar o ciclo da reencarnação para obter o nirvana.
  5. Religião chinesa: é uma religião popular e nativa da China. Ela busca uma vida boa e uma pós-morte pacífica, trabalhando com ideias do yin e yang e a presença de deidades e seres mitológicos.
  6. Espiritismo: é uma religião que surgiu no século XIX, e hoje, muito popular no Brasil. Ela acredita na reencarnação dos seres humanos, como uma forma de evolução do espírito.
  7. Sikhismo: uma religião de origem indiana, foi fundada por Guru Nanak. O seu único Deus é Ik Onkar, com quem o indivíduo deve alinhar sua vida, e tornar-se um ‘soldado santo.’
  8. Taoísmo: apesar de a Religião Chinesa conter seus elementos, é mais específica e se baseia nos ensinamentos de Lao-Tzu. Ela busca a harmonia e a longevidade, usando técnicas como a acupuntura para isso.
  9. Judaísmo: é a religião de Abraão e dos hebreus. Seu único Deus é Yahweh (YHVH) e suas doutrinas estão na Bíblia hebraica. Há um maior foco na vida presente do que em uma possível seguinte.
  10. Candomblé: uma das religiões de matriz africana mais praticadas no mundo. Religião monoteísta que acredita na vida após a morte e na existência da alma.

Uma vez que a religião é um fenômeno social, é importante também pensar nas razões históricas, culturais e políticas que permitiram o crescimento dessas religiões. Além disso, devemos considerar que as práticas religiosas nunca são exatamente as mesmas em todos os lugares – cada povo pode transformá-las e reinventá-las.

Religião no Brasil

O Brasil é um país que congrega muitas tradições culturais. Apesar disso, há ainda muitos preconceitos em relação a algumas religiões – principalmente as de matriz africana. Veja a seguir algumas das várias religiões que estão presentes no Brasil:

  • Umbanda: é uma religião brasileira, formada a partir do hibridismo entre o catolicismo e o candomblé. Além disso, existem elementos de origem indígena na umbanda. Assim, ela é uma tradição que surge a partir da capacidade de transformação cultural e resistência, principalmente da população negra no Brasil.
  • Cristianismo: é importante considerar que há diversas variantes do cristianismo, como o catolicismo e o protestantismo. Ambos são fenômenos bastante específicos atualmente. No Brasil, o catolicismo popular até subverte condutas cristãs europeias e os protestantes ou evangélicos têm crescido entre muitos grupos.
  • Candomblé: é uma religião de matriz africana que foi reprimida pela Igreja Católica no período colonial e escravocrata no Brasil. Atualmente, o candomblé retoma a sua importância também para o movimento negro, como uma reivindicação da ancestralidade.
  • Espiritismo: é uma série de doutrinas e filosofias que foi organizada e codificada por Allan Kardec. No Brasil, essa religião toma um corpo mais forte. Assim, ela também tem relações com figuras do cristianismo como a de Deus, que é um ser único. É pregada a evolução espiritual dos seres humanos.

Desse modo, é importante ressaltar que não é o isolamento das religiões que as torna diversas. Ao contrário, a relação e o contato entre elas é um contexto para diferenciação. Portanto, apesar de o cristianismo ter sido utilizado no projeto de colonização do Brasil, as pessoas são capazes de se reinventar e transformar seu modo de organizar a vida. Assim, a diversidade é necessária de ser compreendida quanto o assunto é a religião.

Referências

As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália – Émile Durkheim;

Religion Facts;

O livro das religiões – Victor Hellern; Henry Notaker; Jostein Gaarder.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [UNESP]

Leia o texto sobre a tragédia de Realengo.
É possível que a vida escolar de Wellington, o assassino de Realengo, tenha sido um suplício. Mas a simples vingança pelo bullying sofrido não basta para explicar seu ato. Eis um modelo um pouco mais plausível.
A matança, neste caso, é uma maneira de suprimir os objetos de desejo, cuja existência ameaça o ideal de pureza do jovem. Para transformar os fracassos amorosos em glória, o fanatismo religioso é o cúmplice perfeito. Você acha que seu desejo volta e insiste? Nada disso, é o demônio que continua trabalhando para sujar sua pureza.
Graças ao fanatismo, em vez de sofrer com a frustração de meus desejos, oponho-me a eles como se fossem tentações externas. As meninas me dão um certo frio na barriga? Nenhum problema, preciso apenas evitar sua sedução – quem sabe, silenciá-las.
Fanático (e sempre perigoso) é aquele que, para reprimir suas dúvidas e seus próprios desejos impuros, sai caçando os impuros e os infiéis mundo afora. Há uma lição na história de Realengo – e não é sobre prevenção psiquiátrica nem sobre segurança nas escolas. É uma lição sobre os riscos do aparente consolo que é oferecido pelo fanatismo moral ou religioso. Dito brutalmente, na carta sinistra de Wellington, eu leio isto: minha fé me autorizou a matar meninas (e a me matar) para evitar a frustrante infâmia de pensamentos e atos impuros.
(Contardo Calligaris. Folha de S.Paulo, 14.04.2011. Adaptado.)

De acordo com o autor,
a) para se evitar tragédias como a ocorrida em Realengo, é necessário investir em prevenção psiquiátrica e segurança pública.
b) o fato ocorrido em Realengo pode ser explicado pela desorientação espiritual de uma pessoa afastada da religião.
c) a ação praticada pelo atirador pode ser adequadamente explicada como possessão demoníaca.
d) o caso de Realengo ilustra o papel do fanatismo religioso no mascaramento de desejos reprimidos.
e) ideais de pureza moral são altamente positivos no processo educativo.

Resposta: d

Justificativa: para o autor do texto, o fanatismo religioso é o fator que promove e justifica, na cabeça dos fanáticos, pôr em prática determinadas violências.

2. [UNICENTRO]

Sobre as religiões brasileiras, assinale a alternativa incorreta.
a) A sociedade brasileira vivencia a presença de inúmeras manifestações religiosas, o que a caracteriza como uma sociedade que possui um sincretismo religioso
b) Existem no Brasil diversas manifestações religiosas, aquelas chamadas de orientais como o budismo e as africanas como o candomblé.
c) Embora atualmente existam um número crescente de igrejas evangélicas e outras denominações religiosas, o Brasil ainda é considerado um país de origem católica.
d) Existe no Brasil pessoa que se declaram agnósticas e ateias, ou seja, que não possuem nenhum tipo de religião e nem acreditam em Deus.
e) Manifestações religiosas como o candomblé e a umbanda sempre foram aceitas no país e seus praticantes nunca foram alvos de preconceitos e discriminação.

Resposta: e

Justificativa: as religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, não foram sempre respeitadas no Brasil. Nesse caso, há uma relação com o racismo estrutural e institucional e a própria história de colonização do Brasil.

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