Lixo nuclear

Lixo nuclear se refere aos materiais já irradiados que ainda podem emitir radiação e que são muito perigosos à saúde humana e ao meio ambiente.

Lixo nuclear, também denominado lixo atômico, é todo resíduo proveniente de processos nucleares, ou seja, os materiais radioativos produzidos por usinas nucleares e laboratórios de exames clínicos, que não têm mais um propósito prático.

Os resíduos radioativos são perigosos para a maioria das formas de vida e ao ambiente e, por este motivo, o descarte correto deste tipo de lixo tem preocupado a sociedade.

O que são os resíduos radioativos?

Imagem: Reprodução
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Os resíduos radioativos são os produtos que as indústrias nucleares, os hospitais e os laboratórios devem se desfazer ou armazenar com segurança. Incluem os produtos de fissão ou cisão resultantes da utilização do urânio (ou plutônio) nos reatores nucleares, além de fontes e materiais radioativos que são largamente utilizados nos hospitais e indústrias que usam esses elementos.

As principais aplicações da radioatividade incluem o diagnóstico e tratamento de enfermidades, agricultura, geologia e arqueologia, indústria, esterilização, conservação de alimentos, geração de energia e aplicação militar.

Fontes produtoras de lixo nuclear

O lixo nuclear é produzido por diversas fontes, sendo que as principais são as seguintes:

  • Usinas nucleares – Após o processo de fissão nuclear, o resto da utilização do urânio é considerado lixo nuclear;
  • Armas nucleares – A fabricação, manutenção ou desativação de armas nucleares gera vários resíduos deste tipo;
  • Laboratórios de exames clínicos – Alguns equipamentos de exames médicos usam produtos radioativos, como, por exemplo, as máquinas de radioterapia.

Classificação dos rejeitos nucleares

Denominam-se rejeitos nucleares os materiais já irradiados, que ainda podem emitir radiação através de elementos como urânio, rádio, potássio, tório, carbono, césio e iodo.
Os rejeitos nucleares podem ser classificados e três maneiras, de acordo com o grau de nocividade do resíduo:

  • Lixo de baixo nível de radiação – É o lixo nuclear de vida curta, com baixa radioatividade. Alguns exemplos são a roupa protetora contaminada e alguns equipamentos de hospitais, fábricas, universidades e indústrias de energia nuclear;
  • Lixo de nível intermediário de radiação – É o lixo sólido de maior volume, incluindo os equipamentos usados, frascos de transporte e lama radioativa de usinas nucleares, de fábricas de processamento de combustíveis e unidades que fabricam armas nucleares;
  • Lixo de alto nível de radiação – Incluem os combustíveis sólidos e líquidos utilizados nas indústrias de energia nuclear.

O que fazer com o lixo nuclear?

O lixo nuclear deve ser tratado com o máximo rigor de cuidado, seguindo várias normas de segurança internacionais. O contato dos seres humanos com este tipo de lixo pode provocar o desenvolvimento de várias doenças, como o câncer, e até a morte. Se o lixo nuclear pode levar de 50 a 100 para perder toda a sua radiação, ele deve ser tratado de modo que não afete o meio ambiente. E como isso é possível?

O combustível utilizado para fazer funcionar os reatores nucleares é basicamente o urânio 235 (e 3% de urânio 238, o urânio enriquecido) que, após passar pelo processo de fissão, é transformado em uma série de materiais em sua maioria inofensivos, mas alguns que possuem alta periculosidade, tais como o césio 137, o selênio, a iodina e o plutônio, que formam o que é conhecido por rejeito radioativo.

Os rejeitos radioativos de longa vida continuam irradiando por um longo tempo e deve ser armazenada cuidadosamente até que pare de irradiar. Atualmente, o método utilizado para impedir que este tipo de lixo afete o meio ambiente é inseri-lo em uma espécie de piscina com água, deixando o material totalmente encoberto, com um mecanismo de filtragem regular capaz de subtrair os elementos radioativos.

Referências

RUBBO, Julio. Lixo Atômico.
Os cuidados com os vários tipos de lixo. Disponível em: http://www.ifsc.usp.br/

 

Por Débora Silva
Teste seu conhecimento

1. [ENEM-2005] Um problema ainda não resolvido da geração nuclear de eletricidade é a destinação dos rejeitos radiativos, o chamado “lixo atômico”. Os rejeitos mais ativos ficam por um período em piscinas de aço inoxidável nas próprias usinas antes de ser, como os demais rejeitos, acondicionados em tambores que são dispostos em áreas cercadas ou encerrados em depósitos subterrâneos secos, como antigas minas de sal. A complexidade do problema do lixo atômico, comparativamente a outros lixos com substâncias tóxicas, se deve ao fato de:

(a) emitir radiações nocivas, por milhares de anos, em um processo que não tem como ser interrompido artificialmente.
(b) acumular-se em quantidades bem maiores do que o lixo industrial convencional, faltando assim locais para reunir tanto material.
(c) ser constituído de materiais orgânicos que podem contaminar muitas espécies vivas, incluindo os próprios seres humanos.
(d) exalar continuamente gases venenosos, que tornariam o ar irrespirável por milhares de anos.
(e) emitir radiações e gases que podem destruir a camada de ozônio e agravar o efeito estufa.

2. [ENEM-2007] Um poeta habitante da cidade de Poços de Caldas – MG assim externou o que estava acontecendo em sua cidade:
Hoje, o planalto de Poços de Caldas
não serve mais. Minério acabou.
Só mancha, “nunclemais”.
Mas estão “tapando os buracos”, trazendo para
cá “Torta II”1,
aquele lixo do vizinho que você não gostaria
de ver jogado no quintal da sua casa.
Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil. Hugo Pontes. In: M.E.M. Helene. A radioatividade e o lixo nuclear. São Paulo: Scipione, 2002, p. 4.
1Torta II – lixo radioativo de aspecto pastoso.

A indignação que o poeta expressa no verso “Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil” está relacionada com

a) a extinção do minério decorrente das medidas adotadas pela metrópole portuguesa para explorar as riquezas minerais, especialmente em Minas Gerais.
b) a decisão tomada pelo governo brasileiro de receber o lixo tóxico oriundo de países do Cone Sul, o que caracteriza o chamado comércio internacional do lixo.
c) a atitude de moradores que residem em casas próximas umas das outras, quando um deles joga lixo no quintal do vizinho.
d) as chamadas operações tapa-buracos, desencadeadas com o objetivo de resolver problemas de manutenção das estradas que ligam as cidades mineiras.
e) os problemas ambientais que podem ser causados quando se escolhe um local para enterrar ou depositar lixo tóxico.

1. [A]
2. [E]

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