Variações linguísticas

As variações linguísticas são identificadas como alterações na língua falada que podem ocorrer em decorrência da localidade do falante ou grupo social a que pertence, por exemplo.

O padrão formal de linguagem é diretamente ligado à linguagem escrita, referindo-se de forma bastante restrita às normas gramaticais, e é exatamente por isso que nós não escrevemos da mesma forma como nós falamos. O padrão informal, por sua vez, é a representação da linguagem usada por nós no dia a dia, como em nossas conversas informais com amigos e familiares, por exemplo. O padrão informal da linguagem conta com um adendo, que são as variações linguísticas.

Chamamos de variação linguística o movimento natural e bastante comum de uma língua em decorrência de fatores históricos ou culturais, referindo-se ainda ao modo como se usa a língua sistemática e coerentemente variando de acordo com o contexto sociocultural, geográfico e histórico com o qual os falantes da língua se manifestam verbalmente. Trata-se, portanto, do conjunto de diferenças de realização linguística falada pelos locutores de uma mesma língua.

Variações históricas

As línguas, de uma forma geral, apresentam um dinamismo bastante intenso, de forma que sofrem, de forma constante, transformações com o passar do tempo. A ortografia, por exemplo, sofreu algumas alterações, como no caso da palavra farmácia que, antigamente, era grafada “pharmácia”.

Variações regionais ou diatópicas

As variações regionais, por sua vez, referem-se aos dialetos, ou seja, às marcas determinantes que são características de uma determinada região. A palavra mandioca, por exemplo, em determinadas regiões é conhecida como aipim ou ainda macaxeira. Aqui também estão relacionados os sotaques, que estão ligados às características orais da linguagem.

Variações sociais, culturais ou diastráticas

Existem ainda as variações sociais ou culturais que estão ligadas de forma direta aos grupos sociais, ou ainda ao grau de instrução de um indivíduo. Aqui entram as gírias, os jargões e o linguajar caipira. As gírias, por exemplo, estão em um vocabulário mais específico de um determinado grupo, como o caso dos jovens, enquanto os jargões estão relacionados ao profissionalismo, referindo-se a uma linguagem mais técnica, incluindo os médicos, advogados e profissionais da área da informática, por exemplo, entre muitos outros.

Variações diafásicas

As variações diafásicas são aquelas relacionadas ao contexto comunicativo, variando, portanto, de acordo com a ocasião, que será o fator determinante para a escolha da forma como nos dirigimos ao interlocutor, podendo ser uma comunicação formal ou informal.

Referências

Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla

Por Natália Petrin
Como referenciar este conteúdo

Petrin, Natália. Variações linguísticas. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/portugues/variacoes-linguisticas. Acesso em: 17 de September de 2021.

Teste seu conhecimento

01. [ENEM]

Até quando?
Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!
GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo).
Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).

As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto

a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.
b) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas.
c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.
d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.
e) originalidade, pela concisão da linguagem.

02. [ENEM]

Texto I

Antigamente
Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua, nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pusesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco.
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983 (fragmento).

Texto II

Imagem: Reprodução
FIORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado).

Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que

a) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano.
b) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do português europeu.
c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal.
d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua independente.
e) o léxico do português representa uma realidade linguística variável e diversificada.

01. [D]
02. [E]

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