Pronomes

O uso dos pronomes ajuda a dar sequência na fala e na escrita para evitar repetições desnecessárias.

Entende-se como pronome tudo aquilo que identifica as pessoas e sobre o que elas estão falando dentro de um discurso. Podem ser classificados de várias maneiras de acordo com seus empregos específicos.

Os pronomes se dividem nas seguintes categorias:

  1. Pessoais
  2. Possessivos
  3. Demonstrativos
  4. Indefinidos
  5. Relativos

1. Pronomes Pessoais

São aqueles que substituem as três pessoas gramaticais, assim como as chamadas pessoas do discurso.

  • Eu e nós: 1ª pessoa do discurso, falantes;
  • Tu e vós: 2ª pessoa do discurso, ouvintes;
  • Ele/ela, eles/elas: 3ª pessoa do discurso, a pessoa de quem se fala.

Os pronomes pessoais podem ser divididos em retos, oblíquos e de tratamento.

Pronomes Retos Pronomes Oblíquos
Eu Me / Mim / Comigo
Tu Te / Ti / Contigo
Ele/Ela O / A / Lhe / Se / Si / Consigo
Nós Nos / Conosco
Vós Vos / Convosco
Eles/Elas Os / As / Lhes / Se / Si / Consigo

Os pronomes retos só devem ser usados quando designam sujeitos de determinada ação. Já os pronomes oblíquos são colocados quando representam o objeto.

Exemplos:

  • Eu a beijei. (a sofre a ação de beijar = uso do pronome oblíquo)
  • Ele deu um livro para mim. (ele é agente da ação de dar = uso do pronome reto)

Os pronomes de tratamento são utilizados para designar e diferenciar a importância de títulos pessoais. Exemplos: Vossa Excelência (Presidente da República), Vossa Majestade (Reis e rainhas), senhor(a) (pessoas mais velhas, professores…), dentre outros.

2. Pronomes Possessivos

São aqueles que dão a ideia de posse, referindo-se a uma pessoa gramatical.

  • Meu(s), minha(s), nosso(s), nossa(s): 1ª pessoa do discurso;
  • Vosso(s), vossa(s): 2ª pessoa do discurso;
  • Seu(s), sua(s): 3ª pessoa do discurso.

Os pronomes possessivos concordam em gênero e número com a coisa possuída.

Exemplos:

  • A mulher chegou com seu filho e com suas filhas.
  • O homem e a mulher chegaram com a minha filha.

3. Pronomes Demonstrativos

Indicam a posição de um ser em relação à pessoa gramatical.

  • Este(s), esta(s), isto: 1ª pessoa;
  • Esse(s), essa(s), isso: 2ª pessoa;
  • Aquele(s), aquela(s), aquilo: 3ª pessoa.

Nesse tipo de pronome, há muita confusão sobre seu uso dentro da oração. Para isso, temos de diferenciar bem.

Usamos o “este” para referenciar:

  1. Seres que se encontram perto do falante (1ª pessoa).

    Ex: Este livro que tenho nas mãos é ótimo!

  2. O lugar aonde o falante está.

    Ex: Esta camisa é bem arejada. / Este bairro é muito bom.

  3. Ao que está em nós ou ao que nos abrange fisicamente.

    Ex: Esta alma não traz pecado.

  4. Um momento presente ou que ainda não passou.

    Ex: Neste século já aconteceram muitas coisas.

  5. Aquilo que ainda vai se dizer.

    Ex: Só posso lhe dizer isto: neste mundo nada somos.

Usamos o “esse” para referenciar:

  1. Seres que se encontram longe do falante e perto do ouvinte.

    Ex: Essa camisa que você veste foi presente?

  2. O lugar em que o ouvinte está.

    Ex: Essa casa é bem arejada. / Esse bairro em que moras é muito bom.

  3. Ao que está na segunda pessoa ou ao que a abrange fisicamente.

    Ex: Suíça, esse é o país em que iremos morar.

  4. Ao que já se mencionou.

    Ex: Canetas, lápis e gizes: foram essas as mercadorias que chegaram.

Por último, usamos o “aquele” para referenciar:

  1. Seres que se encontram longe do falante e do ouvinte.

    Ex: Aquele livro que está na promoção é ótimo.

  2. Um tempo passado ou futuro, remoto ou muito longínquo.

    Ex: Aquela semana toda em Guarujá – que foi mesmo que fizemos?

4. Pronomes Indefinidos

São termos que dão sentido vago ao seu referente, indicando quantidades e posições indeterminadas.

Pronomes invariáveis Pronomes variáveis
Algo Algum / Alguns / Alguma / Algumas
Alguém Nenhum / Nenhuns / Nenhuma / Nenhumas
Nada Todo(s) / Toda(s)
Ninguém Muito(s) / Muita(s)
Tudo Pouco(s) / Pouca(s)
Cada Certo(s) / Certa(s)
Quem Outro(s) / Outra(s)
Que Qualquer / Quaisquer / Quanto / Quantos / Quanta / Quantas

Além desses pronomes, ainda existem as chamadas locuções pronominais, como: cada um, cada qual, qualquer um, um ou outro, todo aquele que, dentre outros.

5. Pronomes Interrogativos

São pronomes indefinidos usados em frases que indagam algo. Esses pronomes podem vir no início ou no interior dela. Quando estão dentro das frases, não é preciso usar o ponto de interrogação.

Exemplo:

Quero saber que país é este. (Que país é este?)

6. Pronomes Relativos

São palavras que se relacionam com um termo antecedente da frase. O pronome relativo mais utilizado é o que, porém podem haver outros, como cujo, quem, o qual, a qual, dentre outros. Cada um deles possui uma função determinada dentro das frases.

Exemplo:

O livro que eu comprei é ótimo.

Outro pronome relativo conhecido é o cujo ou cuja, que faz com que o termo antecedente sempre seja o ser possuidor e o nome consequente sempre seja o ser possuído.

Exemplo:

O meu livro é aquele cuja capa está rasgada. (A capa é o ser possuído em relação ao livro, enquanto ele é o ser possuidor da capa).

Lembrete: não se usa artigo definido depois desse relativo, como “cuja a capa”. Caso o verbo ou o nome exija uma regência, ela aparece antes desse pronome.

Exemplo:

Essa é a casa em cujas dependências se guardavam as armas.

O uso dos pronomes ajuda a dar sequência na fala e na escrita, evitando repetições desnecessárias e dando fluidez à informação que está sendo dita. Eles permitem muitas possibilidades de uso e podem substituir substantivos, adjetivos ou seus derivados na formação de diversas sentenças.

Referências

SACCONI, Antônio L. Gramática Essencial Ilustrada. 19 ed. São Paulo: ed. Harbra. 2004.

Priscila Nayade
Por Priscila Nayade

Graduada em Letras Português - Licenciatura (UnB)

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1. [ENEM 2011] O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma-padrão da língua, esse uso é inadequado, pois

a) contraria o uso previsto para o registro oral da língua.
b) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto.
c) gera inadequação na concordância com o verbo.
d) gera ambiguidade na leitura do texto.
e) apresenta dupla marcação de sujeito.

2. [ENEM 2012] As palavras e as expressões são mediadoras dos sentidos produzidos nos textos. Na fala de Hagar, a expressão “é como se” ajuda a conduzir o conteúdo enunciado para o campo da

a) conformidade, pois as condições meteorológicas evidenciam um acontecimento ruim.
b) reflexibilidade, pois o personagem se refere aos tubarões usando um pronome reflexivo.
c) condicionalidade, pois a atenção dos personagens é a condição necessária para a sua sobrevivência.
d) possibilidade, pois a proximidade dos tubarões leva à suposição do perigo iminente para os homens.
e) impessoalidade, pois o personagem usa a terceira pessoa para expressar o distanciamento dos fatos.

1. [B]

Percebe-se que na fala do personagem, “vamos arrasar eles”, o pronome reto está no lugar inadequado, já que ele está como paciente da ação de arrasar. Desta forma, deveria ser usado o pronome oblíquo “los”, marcando sua função como objeto.

2. [D]

A expressão destacada no comando, “é como se”, é marcadora de dúvida, juntamente com o verbo “soubessem”, que ressalta mais ainda a incerteza da frase. Percebe-se então que a situação leva Hagar a supor a possibilidade de um perigo, do qual os tripulantes ainda não tinham se dado conta.

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