Pleonasmo

É uma figura de linguagem que pode proporcionar vários efeitos.

Pelo fato da língua portuguesa funcionar como uma forma de expressão, é possível que apareçam algumas figuras estilísticas, que possibilitam ao falante montar diversas orações, com os mais diversos sentidos. Sendo considerada uma figura de sintaxe, que se baseia na repetição enfática de determinada ideia, que pode ser conhecida também como um vício de linguagem, tem-se o pleonasmo.

“É a repetição de um termo já expresso ou de uma ideia já sugerida para fins de clareza ou ênfase.” (BECHARA, 2004, p.476)

1. Casos comuns de pleonasmo

a) séries de pronomes possessivos (seu…dele, sua…dela) para fugir à ambiguidade:

  • Recentemente, ela morreu antes de se casar com seu marido.
  • José cumprimentou o vizinho dele antes de sair de casa.

b) o emprego de dois termos de significado negativo para afirmar:

  • Não indouto = douto
  • Não em razão = com razão
  • Nada anormal = muito normal
  • Sem desconhecer = Conhecendo
  • Indesculpável = culpável

c) repetição da conjunção integrante em algumas construções oracionais:

  • “(…) e disse que, se lhe não queríamos mais nada, que podíamos ir à nossa vida.”

d) em transposições de oração subordinada (muito comum na fala coloquial):

  • Quero saber como que você fez isso.
  • Ainda não marcamos quando que iremos nos casar.

e) nos objetos diretos pleonásticos:

  • Minha felicidade eu a conquistei.
  • A mim me pareceu certa a observação feita na aula.

f) nos pronomes esse e isso quando reforçam quem, aquele que e o que:

  • Quem insistia em ficar na rua, esse estava sujeito a ser assaltado.
  • O que tu fizestes, isso não me importa.

2. Pleonasmo literário

Também chamado de pleonasmo de reforço, estilístico ou semântico, trata-se de utilizar o pleonasmo para enfatizar algo no texto. Nesse caso, não é considerado vício de linguagem, mas sim uma figura de estilo.Exemplo:

  • “Iam vinte anos desde aquele dia
    Quando com os olhos eu quis ver de perto
    Quanto em visão com os da saudade via” (Alberto de Oliveira)
  • Morrerás morte vil na mão de um forte” (Gonçalves Dias)
  • “Ó mar salgado, quanto do teu sal
    São lágrimas de Portugal?” (Fernando Pessoa)
  • “O cadáver de um defunto morto que já faleceu” (Roberto Bolaños)

3. Pleonasmo vicioso

São repetições desnecessárias de palavras dentro de expressões. Dessa forma, não se pode considerar uma figura de linguagem, mas sim um vício. Exemplo:

  • Anexar junto;
  • Hemorragia de sangue;
  • Entrar para dentro;
  • Sair para fora;
  • Goteira no teto;
  • Suicidou-se a si mesmo;
  • Fogo que arde;
  • Prefeitura Municipal;
  • Elo de ligação;
  • Certeza absoluta;
  • Nos dias 8, 9 e 10, inclusive;
  • Panorama geral;
  • Juntamente com;
  • Sintomas indicativos;
  • Todos foram unânimes;
  • Planejar antecipadamente;
  • Encarar de frente;
  • Retornar de novo;
  • Empréstimo temporário;
  • Habitat natural;
  • Ver com os próprios olhos;
  • Conviver junto;
  • Estrelas do céu;
  • Decapitar a cabeça.

4. Pleonasmo nas músicas

  • “Vamos fugir para outro lugar” (Gilberto Gil)
  • “Eu vivo na espera de poder viver a vida com você” (Charlie Brown Jr.)
  • “O que é imortal não morre no final” (Sandy e Junior)
  • “Chuva de prata que cai sem parar” (Sandy e Junior)

O pleonasmo é nada mais do que uma ênfase a uma ideia que já foi expressa anteriormente. Diferentemente da redundância, quando usado em demasia, pode acarretar em sérios vícios linguísticos, podendo trazer prejuízos para a qualidade da formulação da oração.

Referências

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

Priscila Nayade
Por Priscila Nayade

Graduada em Letras Português - Licenciatura (UnB)

Teste seu conhecimento

1. [FGV-SP/2008] O pleonasmo é a reiteração de uma mesma ideia por meio de uma superabundância ou repetição de palavras. Quando este recurso nada acrescenta e pode resultar de uma ignorância do sentido exato da palavra, temos um pleonasmo vicioso. Indique, dentre as seguintes alternativas, aquela em que o termo destacado pode ser considerado um pleonasmo vicioso:

a) Paisagens, quero-as comigo!
b) A plateia gostou do principal protagonista.
c) Sei de uma criatura antiga e formidável.
d) Como são charmosas as primeiras rosas.
e) Os altares eram humildes e solenes.

2. [UERJ/2010] “Mas, recusando o colóquio, desintegrou-se no ar constelado de problemas. ” O estranhamento provocado no verso sublinhado constitui um caso de:

a) pleonasmo
b) metonímia
c) hipérbole
d) metáfora

1. [B]

A única alternativa que apresenta a figura do pleonasmo como um vício de linguagem é a letra B, pois, ao ser protagonista, naturalmente, o ator será o principal do espetáculo, sendo desnecessária a repetição.

2. [C]

Nesse caso, não podemos considerar que é um pleonasmo porque não há nenhuma repetição desnecessária. Para tanto, temos uma hipérbole, um figura de linguagem que se baseia no exagero de determinadas ideias.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO