Paradoxo

O paradoxo é uma figura de linguagem que faz a aproximação de ideias opostas numa contradição.

Segundo os linguistas, o paradoxo, é uma figura de linguagem também conhecida com oxímoro.

O que são figuras de linguagem?

A linguagem não tem um existência em si, desvinculada do seu uso. Ela é uma atividade humana. Por esse motivo, podemos manipulá-la em função de objetivos específicos: comunicar-nos, expressar emoções, impressionar, persuadir, etc.

Para que esses objetivos possam ser alcançados, precisamos aprender a utilizar os recursos que criam efeitos de sentidos variados.

As figuras de linguagem são utilizadas para produzir certo efeitos linguísticos, pois, são recursos estilísticos no nível dos sons, das palavras, das estruturas sintáticas ou do significado para dar maior valor expressivo à linguagem.

O que é paradoxo?

Trata-se de uma figura de linguagem que “funde” conceitos opostos num mesmo enunciado. Desse modo, o paradoxo pode ser descrito como a expressão de uma ideia lógica por meio do emprego de termos opostos entre si.

Imagem: Reprodução

Em alguns casos, observamos a associação de termos contraditórios, inconciliáveis. A diferença entre entre a antítese e o paradoxo pode ser constatada quando observamos que os termos contraditórios, no paradoxo, referem-se a uma mesma ideia.

Já no caso da antítese, temos duas ideias que opõem.

Assim, num enunciado paradoxal, noções mutuamente excludentes são postas em relação e/ou incidem sobre um mesmo referencial. Como nesse exemplo famoso: “… É ferida que dói e não se sente” (Camões).

Em linhas gerais, podemos dizer que o paradoxo é algo contrário ao que se pensa. Ele exprime falta de nexo e muitas vezes há uma aproximação de palavras contrárias ou ainda como uma proposição aparentemente absurda, resultante da união de ideias contraditórias.

Em última análise, paradoxo é a figura de linguagem que consiste em empregar palavras que, mesmo opostas quanto ao sentido se fundem num mesmo enunciado, ou seja, é contradição.

Exemplos de paradoxo

  • Essa menina parece que dorme acordada.
  • Quanto mais vivemos, mais nos aproximamos da morte.
  • Amor é contentamento descontente.
  • Grande pátria desimportante.
  • Nunca se tiraram tantas fotos, nunca elas tiveram tão pouco valor.
  • Onde queres bandido sou herói. (Caetano Veloso)
  • É proibido proibir. (Caetano Veloso)
  • Já estou cheio de me sentir vazio. (Renato Russo)
  • Arranco os olhos e vejo. (Carlos Drummond de Andrade)
  • Bastou ouvir o teu silêncio para chorar de saudades. (Reinaldo Dias)
  • De repente do riso fez-se o pranto. (Vinícius de Moraes)

    Referências

    Gramática. Texto: análise e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontara.

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [ANHEMBI ]

“A novidade veio dar à praia

na qualidade rara de sereia

metade um busto de uma deusa maia

metade um grande rabo de baleia

a novidade era o máximo

do paradoxo estendido na areia

alguns a desejar seus beijos de deusa

outros a desejar seu rabo pra ceia

oh, mundo tão desigual

tudo tão desigual

de um lado este carnaval

do outro a fome total

e a novidade que seria um sonho

milagre risonho da sereia

virava um pesadelo tão medonho

ali naquela praia, ali na areia

a novidade era a guerra

entre o feliz poeta e o esfomeado

estraçalhando uma sereia bonita

despedaçando o sonho pra cada lado”

(Gilberto Gil – A Novidade)

Assinale a alternativa que ilustra a figura de linguagem destacada no texto:

a) “A novidade veio dar à praia/na qualidade rara de sereia”

b) “A novidade que seria um sonho/o milagre risonho da sereia/virava um pesadelo tão medonho”

c) “A novidade era a guerra/entre o feliz poeta e o esfomeado”

d) “Metade o busto de uma deusa maia/metade um grande rabo de baleia”

e) “A novidade era o máximo/do paradoxo estendido na areia”

Resposta: B
Em “A novidade que seria um sonho/o milagre risonho da sereia/virava um pesadelo tão medonho”, há um paradoxo expresso nas palavras sonho e pesadelo. Apesar de essas duas palavras apresentarem significados opostos, estão fundidas em um mesmo enunciado.

2. [MACKENZIE ]

Nos versos abaixo uma figura se ergue garças ao conflito de duas visões antagônicas:

“Saio do hotel com quatro olhos,
Dois do presente,
Dois do passado.”

Essa figura de linguagem recebe o nome de:

a) metonímia
b) catacrese
c) hipérbole
d) antítese
e) hipérbato

Resposta: D
A figura de linguagem presente na frase destacada é a antítese: figura de linguagem que consiste na exposição de ideias oposta

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