Intertextualidade

Intertextualidade é uma técnica usada para interligar e comunicar dois textos, tendo o segundo, como base, um texto-fonte.

Imagem: Reprodução

Intertextualidade é como chamamos o “diálogo” que pode existir entre textos, ou ainda entre obras de arte e anúncios publicitários, entre outros. Pode ser feita por meio de paródia ou paráfrase, e ser implícita ou explícita. Independentemente dessas características peculiares, tratam-se de obras que nos resgatam referências no que denominamos “textos-fonte”, sendo estes considerados fundamentais em uma determinada cultura.

Na imagem acima, por exemplo, temos Os Simpsons fazendo referência à capa de um famoso álbum dos Beatles. Intertextualidade é uma palavra derivada do latim inter, que se refere à noção de relações entre os textos, de forma que podemos tirar deste nome, justamente o que foi explicado no parágrafo anterior. Intertextualidade nada mais é do que a relação que existe entre textos, acontecendo em decorrência das relações dialógicas que são firmadas.

Para perceber a presença de intertextualidade, é preciso que o leitor tenha um conhecimento a respeito do texto-fonte, ou que, no mínimo, tenha entrado em contato com ele em algum momento da vida. Isso significa que não basta apenas o conhecimento da língua portuguesa para a compreensão destes, mas sim de uma cultura geral ampla. A intertextualidade é, portanto, um elemento bastante significativo e relevante para a constituição dos sentidos dos textos, e colabora para que nele haja a coerência, além do reforço da ideia que está sendo passada.

Intertextualidade explícita e implícita

No caso da intertextualidade explícita, haverá a citação da fonte do intertexto usado no novo texto produzido. Esse tipo de intertextualidade pode ser encontrado facilmente em traduções, resumos, resenhas e citações, em trabalhos escolares, por exemplo, estando ainda presente em anúncios publicitários. Nesse caso, trata-se de uma intertextualidade presente na “superfície” do texto, havendo o fornecimento de elementos para que se identifique o texto-fonte.

Na intertextualidade implícita, por sua vez, não existe uma citação de fonte, o que faz com que o leitor precise encontrar em sua memória as referências para compreender a sua presença. Esse tipo de intertextualidade é bastante comum em textos do tipo paródia, ou ainda paráfrase, sendo bastante usado também em poesias, músicas e textos publicitários.

Tipos de intertextualidade

Os tipos de intertextualidade mais comumente encontrados serão explicados nos tópicos a seguir.

Paródia

Você com certeza já se deparou com alguma paródia musical, por exemplo, bastante popular nos dias de hoje pela internet. Trata-se de uma perversão do texto-fonte, aparecendo, normalmente, com caráter humorístico com tons irônicos e críticos. Paródia é uma palavra derivada do grego, que significa “um canto semelhante ao outro”.

Paráfrase

A paráfrase, por sua vez, é a técnica de recriar um determinado texto que já existe, mantendo a mesma ideia que está contida no texto-fonte. É preciso, nesta técnica, usar palavras diferentes do texto original. Do grego, paráfrase significa “repetição de uma sentença”.

Referências

Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla

Por Natália Petrin
Teste seu conhecimento

01. [UFRJ]

Ideologia

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do “Grand Monde”

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver

O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muroMeus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver(Cazuza e Roberto Frejat)

E as ilusões estão todas perdidas (v. 3)

Este verso pode ser lido como uma alusão a um livro intitulado Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac. Tal procedimento constitui o que se chama de:

a) intertextualidade

b) pertinência

c) pressuposição

d) metáfora

e) anáfora.

 

02. [UEL]

Disponível em Super Interessante. Acesso em 10 out. 2014
Disponível em Super Interessante. Acesso em 10 out. 2014

O gordo é o novo fumante

Nunca houve tanta gente acima do peso – nem tanto preconceito contra gordos.

De um lado, o que há por trás é uma positiva discussão sobre saúde. Por outro, algo de podre: o nascimento de uma nova eugenia.

(Adaptado de: Super Interessante. Editora Abril. 306.ed. jul. 2012. p.21.)

Em relação ao texto, considere as afirmativas a seguir:

I. O código não verbal, principalmente no que se refere ao segundo desenho, revela o discurso preconceituoso e, consequentemente, um aspecto ideológico.

II. O sentido de proibição é captado por meio da intertextualidade estabelecida entre os códigos não verbais a qual, por sua vez, revela aspectos ligados ao gênero do humor.

III. O conteúdo expresso na placa revela que, futuramente, indivíduos obesos sofrerão ainda mais discriminação social.

IV. O efeito de sentido expresso pelo conteúdo não verbal serve para reforçar o caráter polissêmico da placa.

Assinale a alternativa correta:

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

01. [A]

02. [D]

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