Compreensão Textual

Compreensão textual está relacionada diretamente com aquilo que um texto a ser interpretado informa de modo completo, sem necessidade de inferir.

A Compreensão Textual abrange uma análise de decodificação daquilo que realmente é escrito no texto. Ou seja, as informações pontuais existentes no texto farão parte da resposta a ser encontrada.

Por outra vertente hã também a interpretação de texto. Apesar de muitas pessoas acreditarem que as palavras sejam sinônimas, na realidade são bastante diferentes.

Enquanto uma está ligada à ideia concreta do texto, denotando aquilo que se tem a partir do texto. A outra está relacionada à conexão de ideias a fim de inferir/interpretar uma realidade a partir do texto.

A compreensão textual está relacionada a decodificação dos signos presentes no texto para entender a mensagem passada. É uma análise totalmente subjetiva de palavras, ideias e expressões que são presentes no texto analisado.

Dessa maneira, algumas expressões encontradas nos enunciados das questões referentes ao texto analisado explicitarão o conceito. Tem-se, assim, a caracterização da compreensão textual a partir das expressões:

  • De acordo com o autor/texto….;
  • Segundo o autor/texto…;
  • No texto…;
  • Em relação ao texto…;
  • O texto informa que…;
  • O autor sugere que…;

As expressões, portanto, farão referências aquilo que o autor/texto está informando. Sem análise subjetiva do leitor do contexto e de tudo o que envolve as informações do texto. Objetividade, apontamento e direcionamento à informação levantada.

compreensão textual
(Imagem: Reprodução)

Diferença entre Compreensão Textual e Interpretação de Texto

Apesar de já ser pincelada a ideia de diferenciação entre compreensão de texto e interpretação textual, ainda existem outros pontos para verificar. Já é de conhecimento que são conceitos diferentes, um é objetivo e o outro é subjetivo, um está no texto, enquanto o outro exige que seja inferida uma informação a partir do texto.

Entre os três pontos principais de diferenças, tem-se que:

  • No conceito, a compreensão do texto abrange a análise daquilo que, definitivamente, está no texto. Enquanto isso, a interpretação textual exige que o leitor conclua o próprio entendimento sobre o texto;
  • Na análise do texto, a compreensão textual exige objetividade. Na interpretação é trabalhada a subjetividade, com aquilo que o leitor inferiu a partir do texto;
  • Na informação, a compreensão a contém explícita (podendo ser através de sinônimos) no texto. A interpretação abrange a informação conectada ao texto, mesmo que não esteja clara;

Dicas para compreensão textual

A compreensão textual definitivamente não é simples. Afinal, é necessário desprender toda uma ideia anterior de sinônimo com relação à Interpretação de Texto. Após exposta as notórias diferenças, dicas para a compreensão se tornam mais fáceis de elucidar:

  • Fazer uma primeira leitura calma e pausada do texto, geralmente com o dedo como guia da leitura (guiar a leitura é aperfeiçoamento, não retrocesso);
  • Fazer uma segunda leitura apontando a palavra-chave de cada período;
  • Elaborar um pequeno fluxograma dinâmico para entender as informações existentes no texto;
  • Analisar os enunciados das questões anteriormente à leitura com intuito de verificar as expressões;

De forma básica, a compreensão textual compreende os mesmos passos da interpretação textual. Contudo, o momento de diferenciação se dá na proposição da questão. Enquanto a compreensão fará referência ao que está no texto, a interpretação fará referência à informação coletada a partir da leitura do texto.

Referências

Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Exercícios resolvidos

1. [FUVEST]

A civilização “pós-moderna” culminou em um progresso inegável, que não foi percebido antecipadamente, em sua inteireza. Ao mesmo tempo, sob o “mau uso” da ciência, da tecnologia e da capacidade de invenção nos precipitou na miséria moral inexorável. Os que condenam a ciência, a tecnologia e a invenção criativa por essa miséria ignoram os desafios que explodiram com o capitalismo monopolista de sua terceira fase.

Em páginas secas premonitórias, E. Mandel1 apontara tais riscos. O “livre jogo do mercado” (que não é e nunca foi “livre”) rasgou o ventre das vítimas: milhões de seres humanos nos países ricos e uma carrada maior de milhões nos países pobres. O centro acabou fabricando a sua periferia intrínseca e apossou-se, como não sucedeu nem sob o regime colonial direto, das outras periferias externas, que abrangem quase todo o “resto do mundo”.

1: Ernest Ezra Mandel (1923-1995): economista e militante político belga.

O emprego de aspas em uma dada expressão pode servir, inclusive, para indicar que ela

I. foi utilizada pelo autor com algum tipo de restrição;
II. pertence ao jargão de uma determinada área do conhecimento;
III. contém sentido pejorativo, não assumido pelo autor.

Considere as seguintes ocorrências de emprego de aspas presentes no texto:

A. “pós-moderna” (L. 1);
B. “mau uso” (L. 2);
C. “livre jogo do mercado” (L.6);
D. “livre” (L. 7);
E. “resto do mundo” (L. 9).

As modalidades I, II e III de uso de aspas, elencadas acima, verificam-se, respectivamente, em

a) A, C e E
b) B, C e D
c) C, D e E
d) A, B e E
e) B, D e A

Resposta: A

2. [ENEM]

A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à aplicação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica.

Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali.

Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra?

CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico: do presente para o passado, In: Cadernos de Letras da UFF, n.° 36, 2008. Disponível em: www.uff.br. Acesso em: 26 fev. 2012 (adaptado).

Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que

a) o estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica.
b) os estudo clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.
c) a avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.
d) a adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos.
e) os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística.

Resposta: E

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