Coesão Referencial

Entender como usar os mecanismos de coesão referencial é valioso para escrever uma boa redação

Na língua portuguesa, encontramos dois tipos de recursos coesivos que estabelecem vínculos entre as palavras, orações e partes de um texto, sendo eles a coesão referencial e a coesão sequencial. A coesão sequencial, já tratada em outro artigo, refere-se a progressão textual, e as condições adequadas para que ela ocorra. Os mecanismos usados são as flexões de tempo e de modo dos verbos, assim como as conjunções, que são usados para que haja uma articulação e relação entre as partes e as informações do texto. São esses mecanismos, ainda, que auxiliam no desenvolvimento do recorte temático, havendo boa articulação entre as ideias, informações e argumentos, contando com coerência textual.

Coesão referencial

Neste artigo, entretanto, vamos trabalhar de forma mais precisa a coesão referencial. Esta, por sua vez, é responsável pela criação, dentro de um texto, de relações existentes entre as palavras e as expressões, tornando possível, para o leitor, a identificação dos termos aos quais se referem. Ficou difícil entender? Vamos pegar um exemplo: “Natália gritou. Ela detesta quando encontra aranhas nas faxinas da casa”. Nesse exemplo, podemos dizer que “Natália”, é o termo referente, e cada uma das vezes que precisarmos retomar este termo referente em um texto, podemos substituir por outras palavras que não permitem que a ideia se perca. “Ela”, neste caso, refere-se à “Natália”, que é o nosso termo referente.

Quando falamos em coesão referencial, é bastante comum que haja a utilização de figuras de construção e sintaxe, como por exemplo as anáforas, catáforas, elipses, além das correferências não anafóricas, como as contiguidades e reiterações.

Referências

Novíssima Gramática da Língua Portuguesa

 

Por Natália Petrin
Teste seu conhecimento

01. [ITA] As coisas mudaram muito em termos do que achamos necessário fazer para manter nossos filhos seguros. Um exemplo: só 10% das crianças americanas vão para a escola sozinhas hoje em dia. Mesmo quando vão de ônibus, são levadas pelos pais até a porta do veículo. Chegou a ponto de colocarem à venda vagas que dão o direito de o pai parar o carro bem em frente à porta na hora de levar e buscar os filhos. Os pais se acham ótimos porque gastam algumas centenas de dólares na segurança das crianças. Mas o que você realmente fez pelo seu filho? Se o seu filho está numa cadeira de rodas, você vai querer estacionar em frente à porta. Essa é a vaga normalmente reservada aos portadores de deficiência. Então, você assegurou ao seu filho saudável a chance de ser tratado como um inválido. Isso é considerado um exemplo de paternidade hoje em dia. (IstoÉ , 22/07/2009)

A palavra “isso” , na última linha do texto, retoma o fato de

a) as crianças americanas hoje não irem sozinhas à escola.

b) pais americanos tratarem seus filhos saudáveis como inválidos.

c) apenas 10% das crianças americanas irem sozinhas para a escola.

d) venderem vagas para os pais pararem o carro em frente à porta da escola.

e) os pais levarem e buscarem seus filhos até a porta do ônibus que os leva à escola.

 

02. [IME] “ONDE ESTOU?”

(Cláudio Manuel da Costa)

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez tão diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado;

E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado:

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era:

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!             (Obras, 1768)

SECCHIN, Antônio Carlos. ANTOLOGIA TEMÁTICA DA POESIA BRASILEIRA – Faculdade de Letras, UFRJ, 1 semestre de 2004.

 

O lugar a que se refere o autor na primeira estrofe é definido e referenciado pelos elementos sublinhados em

a) sítio e contemplá-lo. (versos 1 e 4)

b) prado natureza. (versos 2 e 3)

c) diferente tímido. (versos 2 e 4 )

d) outra tímido. (versos 3 e 4)

e) natureza esmoreço. (versos 3 e 4)

01. [B]

02. [A]

 

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