Analfabetismo Funcional

O Analfabetismo funcional é um problema grave no Brasil, mesmo após evolução nos índices de alfabetização no país.

O analfabetismo funcional diz respeito ao indivíduo que não possui a capacidade de interpretação de textos. Ou seja, apesar de ser alfabetizado, tecnicamente, ele não é capaz de interpretar um dado escrito.

Termo pouco familiar, ele está aplicado a mais pessoas do que se imagina. Define-se como analfabeto funcional uma pessoa que:

  • Embora alfabetizado, não consegue compreender construções frasais simples;
  • Apesar de conhecer números, não interpreta gráficos simples;
  • Não consegue realizar operações matemáticas mais elaboradas;
  • Não exerce a leitura por incapacidade de entender aquilo que é escrito;

No Brasil, o problema é agravante. Segundo pesquisa elaborada pelo Instituto Pró-Livro, 50% das pessoas entrevistadas declaram não ler livros. O motivo? Não consegue compreender e interpretar o que o autor diz.

Ou seja, a pessoa capta o significado das palavras, mas sequer consegue conceber o contexto. Mas isso não se restringe à baixa escolaridade, uma vez que, em inúmeras pesquisas, avaliam-se pessoas com graduação superior com analfabetismo funcional.

analfabetismo funcional
(Imagem: Reprodução)

Classificação da alfabetização

O Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) abrange a alfabetização em quatro diferentes níveis. Estes são:

  • Analfabetos: pessoas incapazes de ler, escrever e reconhecer símbolos ou signos escritos;
  • Alfabetizados em nível rudimentar: capacidade de ler e escrever palavras simples (geralmente monossílabos e dissílabos) e alguns números;
  • Alfabetizados em nível básico: capacidade ler, escrever e compreender palavras, locuções e formações frasais. Capacidade, ainda, de aplicar conhecimentos matemáticos e interpretação de gráficos;
  • Alfabetizados em nível pleno: nível de escrita, leitura e interpretação aguçados, bem como o entendimento aprofundado dos números;

A partir desta disposição, o Inaf considera os dois primeiros (Analfabetos e Alfabetizados em nível rudimentar) como analfabetismo funcional. Por outro lado, os dois últimos estariam adequadamente alfabetizados.

Causas do Analfabetismo Funcional

O analfabetismo funcional está ligado a algumas causas pontuais. Entre estas causas, podem ser destacadas:

  • Ensino Básico de baixa qualidade
  • Ineficiência no sistema de alfabetização atual;
  • Prezar pelo significado das palavras e não pelo contexto;
  • Ausência de campanhas de incentivo à leitura;
  • Descaso do governo para com a educação;
  • Falta de políticas públicas para o oferecimento de oficinas, cursos ou minicursos de leitura e interpretação;

Como solucionar?

As medidas são sutis e a evolução é gradual. De uma perspectiva micro, o investimento na educação básica deveria ser prioridade. Contudo, a distância entre governo federal e os estados e municípios (que ministram o dinheiro público destinado às escolas de ensino básico) é imensa.

Por esse motivo, a federalização da educação básica deveria ser a prioridade. Isso se deve ao fato de observação rápida dos Institutos Federais (os IF’s). O funcionamento se assemelha a uma Universidade, e sua qualidade é inquestionável.

Além de elevar o nível do ensino, a proximidade do Governo Federal com as escolas seria maior. Apesar da igual dificuldade nesta resolução, uma vez que seriam escolas em demasia para um controle, o segredo é incentivo.

Ao menos por hora, incentivar a leitura, o entendimento do contexto e o escanteio para o significado. A real solução para a extinção do analfabetismo funcional, segundo o pedagogo Paulo Freire, é ensinar o contexto de uma palavra, jamais apenas seu significado.

Limitar uma sentença ao significado é limitar a capacidade de interpretação, este o real ponto a corrigir do analfabetismo funcional.

Referências

Observatório da Imprensa em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/as-causas-do-analfabetismo-funcional/>

Mateus Bunde
Prof. Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

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