Jorge Amado

Jorge Amado foi um importante ícone da literatura e da política brasileira.

Jorge Amado nasceu na Bahia, foi um escritor renomado e perseguido político. Suas notórias realizações não se limitam ao campo da literatura. Uma de suas grandes imagens está ligada a militância realizada junto ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Revelou seus dotes para a arte da escrita já muito jovem. Ao produzir um pequeno jornalzinho escolar, chamado de A Luneta, Amado já se mostrava com grande potencial.

Em 1931, o baiano ruma ao Rio de Janeiro. Fora anunciada a aprovação no curso de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, Jorge Amado publica seu primeiro romance, O país do Carnaval, recebendo inúmeros elogios. É a partir deste ano que começa sua ascensão, tanto literária, como também política.

Jorge Amado
(Imagem: Reprodução)

O sucesso na literatura e a perseguição política: a vida de Jorge Amado

O seu envolvimento com o movimento comunista crescia. Grande parte dos escritores da época estava envolvida com a causa. Por causa disso, Jorge Amado viu seu segundo romance, Cacau, ser apreendido pela polícia. A solução para a quebra da censura foi o exílio na Argentina. Após voltar ao país, no ano de 1936, é preso por se opor ao Estado Novo instaurado.

Amado casou-se, teve uma filha e viu mais livros seus serem publicados. A obra Cacau, por sinal, fora publicada enquanto o baiano estava preso no período do Estado Novo. No entanto, é durante uma viagem para o exterior que um de seus grandes sucessos, Capitães da Areia, é publicado. Após a publicação do livro, e de seu retorno ao Brasil, Jorge Amado é novamente preso. Além da prisão, viu vários de seus exemplares serem queimados sob ordem militar, por considerarem em tom revolucionário.

A biografia de Prestes e o envolvimento mais forte junto ao PCB

Após ser solto em 1938, Jorge Amado ruma para a Argentina novamente. Agora, o objetivo era a publicação de uma biografia para retratar um nome forte do Comunismo no Brasil. Luiz Carlos Prestes seria o homenageado de Amado. A biografia A vida de Luiz Carlos Prestes seria também o decreto de mais uma prisão. O intuito seria auxiliar na anistia comunista. Contudo, o que ocorreu foi sua apreensão após desembarcar em Porto Alegre. Após esta prisão, Amado estaria proibido de deixar as terras de Salvador.

Já em 1946, Jorge Amado passou a envolver-se ainda mais com a política nacional. Sua ligação com o partido comunista criava laços ainda mais fortes. Sendo um dos nomes mais fortes do PCB, ele candidata-se a deputado pela agremiação. Mesmo eleito por voto popular, Jorge Amado tem seu mandato suspenso e seguidamente cassado. A alegação foi pela ilegalidade do partido em compor pleito.

Jorge Amado e suas características literárias

Apesar de seu envolvimento político, o nome de Jorge Amado ficou marcado na história brasileira como escritor. Sua habilidade com as palavras o credenciam como um dos maiores nomes da Segunda Fase do Modernismo brasileiro. Entre as principais características de suas obras estavam:

  • Forte presença de características regionalistas;
  • Salientava as classes mais baixas, dando pouco destaque às elites;
  • Retrato de costumes e festejos populares;
  • Linguagem simples, coloquial e popular;
  • Aliava lirismo ao documento e dotado de crítica social;

Referências

História da literatura brasileira: Das origens ao romantismo Livro – Massaud Moisés

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

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[FUVEST] – Texto para as questões 1 a 5:

Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingança contra a cidade dos ricos. Mas os ricos tinham a
vacina, que sabia Omolu de vacinas? Era um pobre deus das florestas d’África. Um deus dos negros pobres. Que podia
saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo de Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a
bexiga de negra em alastrim, bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera negro, morrera pobre. Mas Omolu dizia
que não fora o alastrim que matara. Fora o lazareto*. Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos
negros. O lazareto é que os matava. Mas as macumbas pediam que ele levasse a bexiga da cidade, levasse para os
ricos latifundiários do sertão. Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina. O
Omolu diz que vai pro sertão. E os negros, os ogãs, as filhas e pais de santo cantam:
Ele é mesmo nosso pai
e é quem pode nos ajudar…
Omolu promete ir. Mas para que seus filhos negros não o esqueçam avisa no seu cântico de despedida:
Ora, adeus, ó meus filhinhos,
Qu’eu vou e torno a vortá…
E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas, numa noite de mistério da Bahia, Omolu pulou
na máquina da Leste Brasileira e foi para o sertão de Juazeiro. A bexiga foi com ele.

Jorge Amado, Capitães da Areia.
*lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de pessoas atingidas
por determinadas doenças

01. [FUVEST]  Considere as seguintes afirmações referentes ao texto de Jorge Amado:

I. Do ponto de vista do excerto, considerado no contexto da obra a que pertence, a religião de origem africana
comporta um aspecto de resistência cultural e política.
II. Fica pressuposta no texto a ideia de que, na época em que se passa a história nele narrada, o Brasil ainda
conservava formas de privação de direitos e de exclusão social advindas do período colonial.
III. Os contrastes de natureza social, cultural e regional que o texto registra permitem concluir corretamente que o Brasil passou por processos de modernização descompassados e desiguais.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.
b) II, somente.
c) I e II, somente.
d) II e III, somente.
e) I, II e III.

02. [FUVEST]  Costuma-se reconhecer que Capitães da Areia pertence ao assim chamado “romance de 1930”, que registra importantes transformações pelas quais passava o Modernismo no Brasil, à medida que esse movimento se expandia e diversificava. No excerto, considerado no contexto do livro de que faz parte, constitui marca desse pertencimento

a) o experimentalismo estético, de caráter vanguardista, visível no abundante emprego de neologismos.
b) o tratamento preferencial de realidades bem determinadas, com foco nos problemas sociais nelas envolvidos.
c) a utilização do determinismo geográfico e racial, na interpretação dos fatos narrados.
d) a adoção do primitivismo da “Arte Negra” como modelo formal, à semelhança do que fizera o Cubismo europeu.
e) o uso de recursos próprios dos textos jornalísticos, em especial, a preferência pelo relato imparcial e objetivo.

03. [FUVEST] As informações contidas no texto permitem concluir corretamente que a doença de que nele se fala caracteriza se como

a) moléstia contagiosa, de caráter epidêmico, causada por vírus.
b) endemia de zonas tropicais, causada por vírus, prevalente no período chuvoso do ano.
c) surto infeccioso de etiologia bacteriana, decorrente de más condições sanitárias.
d) infecção bacteriana que, em regra, apresenta-se simultaneamente sob uma forma branda e uma grave.
e) enfermidade endêmica que ocorre anualmente e reflui de modo espontâneo.

04. [FUVEST] Apesar das diferenças notáveis que existem entre estas obras, um aspecto comum ao texto de Capitães da Areia, considerado no contexto do livro, e Vidas secas, de Graciliano Ramos, é

a) a consideração conjunta e integrada de questões culturais e conflitos de classe.
b) a reprodução fiel da variante oral popular da linguagem, como recurso principal na caracterização das
personagens.
c) o engajamento nas correntes literárias nacionalistas, que rejeitavam a opção por temas regionais.
d) o emprego do discurso doutrinário, de caráter panfletário e didatizante, próprio do “realismo socialista”.
e) o tratamento enfático e conjugado da mestiçagem racial e da desigualdade social.

05. [FUVEST] Das propostas de substituição para os trechos sublinhados nas seguintes frases do texto, a única que faz, de maneira adequada, a correção de um erro gramatical presente no discurso do narrador é:

a) “Assim mesmo morrera negro, morrera pobre.”: havia morrido negro, havia morrido pobre.
b) “Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara.”: Omolu dizia, no entanto, que não fora.
c) “Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina.”: mas tão pouco sabiam da vacina.
d) “Mas para que seus filhos negros não o esqueçam […].”: não lhe esqueçam.
e) “E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas […].”: numa noite em que os atabaques.

01. [E]

02. [B]

03. [A]

04. [A]

05. [E]

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