Cláudio Manuel da Costa

Cláudio Manuel da Costa foi um escritor e poeta brasileiro com ideais iluministas e fundamentos do arcadismo.

Cláudio Manuel da Costa nasceu no interior de Minas Girais, em uma pequena vizinhança periférica à cidade de Mariana. Nascido no mês de junho do ano de 1729, o futuro autor teve seus estudos iniciados junto aos jesuítas, logo transferindo-se para o Rio de Janeiro.

É na capital carioca que o mineiro inicia seus estudos em humanidades e, posteriormente, migra para o Direito, na Universidade de Coimbra, na pequena cidade homônima, em Portugal.

Em meados de 1749, já aos 20 anos de idade, tem seu primeiro contato com os ideais iluministas, bem como com o arcadismo. Sua escrita começa a moldar-se a partir de suas visões sob influência de Locke e Bocage.

cláudio manuel da costa
(Imagem: Reprodução)

Cláudio Manuel da Costa e o retorno ao Brasil

Quando retorna ao país de origem, participa, ao lado de Tirandentes, da Inconfidência Mineira. Sob o pseudônimo de origem árcade, Glauceste Satúrnio, um humilde pastor inspirado em sua musa Nise.

Apesar do gosto pelo arcadismo, seus poemas ainda carregavam muito do quinhentismo e do barroco. Foi no ano de 1773 que sua escrita passaria a sofrer mudanças, em “Vila Rica”, com um toque maior de eloqüência, publicado após a sua morte.

No poema, que é um dos mais famosos de Cláudio Manuel da Costa, ele exaltava o trabalho dos bandeirantes, responsáveis pela fundação de inúmeras cidades mineiras, além de uma narração forte do município que hoje é Ouro Preto.

Influências Futuras

Como um dos precursores do arcadismo no Brasil, Cláudio Manuel da Costa influenciou importantes autores árcades, tais como:

  • Tomás Antônio Gonzaga;
  • Inácio da Silva Alvarenga;

Os poemas de Cláudio Manuel da Costa retratavam a temática do pastoril, com perfeita estruturação em soneto. Além disso, era carregado de fortes reflexões sobre a vida, a morte, a moral, a ética e o amor.

Suas principais obras representantes de seu estilo único de escrita foram Obras Poéticas, de 1768, e Vila Rica, publicado somente em 1837, quase 50 anos após sua morte.

Sua morte que, aliás, não tem um dia específico, tal como seu nascimento. Após sua prisão em 1789 por participação na Inconfidência Mineira, foi encontrado semanas depois já morto em sua cela.

Referências

História da literatura brasileira: Das origens ao romantismo Livro – Massaud Moisés

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Exercícios resolvidos

1. [UEL]

Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas do trecho apresentado.

Simplificando a linguagem lírica de Cláudio Manuel da Costa, mas evitando igualmente a diluição dos valores poéticos no sentimentalismo, as ………….. mais densas, dedicadas a …………., fizeram de ………….. uma figura central do nosso Arcadismo.

a) crônicas – Marília – Dirceu.

b) crônicas – Gonzaga – Dirceu.

c) sátiras – Dirceu – Gonzaga.

d) liras – Gonzaga – Dirceu.

e) liras – Marília – Gonzaga.

Resposta: A

2. [ENEM]

Torno a ver-vos, ó montes; o destino (verso 1)
Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte, rico e fino. (verso 4)

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros (verso 7)
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia (verso 10)
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,

Aqui descanse a louca fantasia,
E o que até agora se tornava em pranto (verso 13)
Se converta em afetos de alegria.

Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o
momento histórico de sua produção.

a) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.

b) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.

c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional.

d) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole.

e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

Resposta: B

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