Socialismo Utópico

O Socialismo Utópico buscava a igualdade acima de tudo, com todas ações por meio da pacificidade e da passividade.

O Socialismo Utópico foi uma corrente de pensamento arquitetada por três grandes pensadores do século XIX. Entre eles, Robert Owen, Saint-Simon e Charles Fourier debatiam os problemas do crescimento e constituição de uma sociedade capitalista. O grande objetivo do Socialismo Utópico era a criação de uma sociedade igualitária. Ela seria alcançada, segundo os pensadores, por meio de um acordo pacífico com a burguesia. Esta, em princípio, seria condizente às ideias propostas.

A origem da denominação como utópico é creditada a Thomas More. Isso porque foi este, no século XVI, que teria cunhado a expressão referente a algo “impossível de alcançar”. Baseado na denominação de More, os socialistas da vertente utópica acreditavam que o sistema poderia ser implementado gradualmente.

(Imagem: Reprodução)

As ideias provindas do Socialismo Utópico começaram a ganhar força com a observação de problemas sociais decorrentes da Revolução Industrial. O aumento exponencial de uma sociedade de consumo provocou um “tiro pela culatra”. A parcela maior não faria parte desta sociedade de consumo, sendo apenas a produtora – a engrenagem maior. Dessa forma, todos estes problemas crescentes estavam atrelados ao capitalismo, que visava, sobretudo, o lucro.

Por conta disso, o socialismo utópico assumiu algumas características, entre elas:

  • Quebra da desigualdade social em busca de uma sociedade igualitária;
  • Cooperação entre as classes;
  • União de classes em busca de uma sociedade justa e ideal;
  • Trabalho em sociedade;

Surgimento do Socialismo Utópico e distanciamento Marxista

O surgimento da corrente tem origem como uma resposta direta às discrepâncias sociais alimentadas pelo capitalismo e pelo liberalismo. No alto da Revolução Industrial, proletários (em boa parte crianças) trabalhavam em condições precárias, além de viver cotidianamente na miséria. Constantemente, os trabalhadores eram explorados com remuneração baixa e com horários de trabalho exorbitantes.

Robert Owen, burguês à época na Inglaterra, implantou algumas ideias de Socialismo Utópico nas fábricas que possuía. Ele elevou o salário dos fabricantes, propôs redução da jornada e melhorou as condições de trabalho.

O distanciamento a Karl Marx, idealizador do Socialismo Científico, veio a partir de críticas do pensador alemão ao modelo utópico. Marx afirmava que a raiz do problema pouco era discutida, bem como as fórmulas para chegar a dita sociedade justa. Assim, segundo o alemão, o Socialismo Utópico não levava em conta a origem do capitalismo. A corrente científica, então, definia os utópicos como “vertentes da burguesia”. Essa crítica era provinda pelos pensadores, como Owen, acreditarem simplesmente numa mudança súbita da classe dominante. Segundo Marx, isso era inaceitável, uma vez que a “mudança” só seria possível se assim fosse da vontade da burguesia.

Os principais pensadores do Socialismo Utópico

A defesa das classes mais oprimidas, a busca por uma sociedade justa e a vida em harmonia. Alcançar interesses em comum e que estivessem aquém da busca desenfreada pelo lucro.  Apesar da proposição semelhante na busca por uma sociedade ideal, os pensadores do movimento tinham suas formas particulares de pensar.

Robert Owen (1771 – 1858) acreditava fielmente que o caráter humano era formatado a partir de seu habitat de formação. Owen sempre pensou em defesa da criação de ambientes e práticas sociais que estimulassem a felicidade e a harmonia. Para ele, somente a cooperação poderia superar os problemas agravados pelo capitalismo desenfreado que se alastrava.

Já Charles Fourier (1772 – 1837) era um crítico mais feroz da sociedade burguesa que nada fazia perante a situação. Fourier defendia uma sociedade evoluindo através de ações em cooperação. Através dessa cooperação, o talento se sobressairia da igualdade, possibilitando prosperidade elevada como um bem em comum. Além disso, Fourier criticava as distinções entre o trabalho destinado a homens e mulheres. Buscava, já à época, uma igualdade de gênero.

Por fim, Saint-Simon (1760 – 1825) observava uma sociedade dividida entre a produção e o ócio. Assim, ele pensou em uma reconfiguração na relação entre operários e mandatários. Para ele, os privilégios conquistados pelos mandatários não deveriam ser questionados, contanto que assumissem os impactos sociais que causavam. Adotaria-se, assim, uma responsabilidade em busca da prosperidade.

Referências

AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. Editora Ática, São Paulo-SP, 1ª edição. 2007, 592 p.

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

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01. [UEL] A ópera-balé Os Sete Pecados Capitais da Pequena Burguesia, de Kurt Weill e Bertold Brecht, composta em 1933, retrata as condições dessa classe social na derrocada da ordem democrática com a ascensão do nazismo na Alemanha, por meio da personagem Anna, que em sete anos vê todos os seus sonhos de ascensão social ruírem. A obra expressa a visão marxista na chamada doutrina das classes.Em relação à doutrina social marxista, assinale a alternativa correta.

a) A alta burguesia é uma classe considerada revolucionária, pois foi capaz de resistir à ideologia totalitária através do controle dos meios de comunicação.

b) A classe média, integrante da camada burguesa, foi identificada com os ideais do nacional-socialismo por defender a socialização dos meios de produção.

c) A pequena burguesia ou camada lúmpen é revolucionária, identificando a alta burguesia como sua inimiga natural a ser destruída pela revolução.

d) A pequena burguesia ou classe média é uma classe antirrevolucionária, pois, embora esteja mais próxima das condições materiais do proletariado, apoia a alta burguesia.

e) O proletariado e a classe média formam as classes revolucionárias, cuja missão é a derrubada da aristocracia e a instauração do comunismo.

 

02. [Unicamp] A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal, a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e direta substituiu a exploração velada por ilusões religiosas.A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a sua consciência. (Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: AlfaÔmega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.) As proposições dos enunciados acima podem ser associadas ao pensamento conhecido como:

a) materialismo histórico, que compreende as sociedades humanas a partir de ideias universais independentes da realidade histórica e social.

b) materialismo histórico, que concebe a história a partir da luta de classes e da determinação das formas ideológicas pelas relações de produção.

c) socialismo utópico, que propõe a destruição do capitalismo por meio de uma revolução e a implantação de uma ditadura do proletariado.

d) socialismo utópico, que defende a reforma do capitalismo, com o fim da exploração econômica e a abolição do Estado por meio da ação direta.

01. [D]

02. [B]

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