Socialismo e Comunismo

Apesar de serem comumente confundidos, os termos comunismo e socialismo apresentam diferenças em seus ideais.

Os termos “socialismo” e “comunismo” muitas vezes recebem significados não precisos, de forma que os ideais que os envolvem acabam sendo distorcidos. Falando de forma bem sintetizada, o socialismo, segundo a teoria marxista, nada mais é do que uma etapa para se poder chegar ao comunismo que, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que poderia substituir o capitalismo, causando o desaparecimento das classes sociais e do Estado. Segundo Cristina Meneguello, historiadora da Universidade Estadual de Campinas, “No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuião dos bens em sistema de igualdade e cooperação. Esse processo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção”.

Imagem: Reprodução
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As expressões, entretanto, podem carregar ainda outros significados, de acordo com outros estudiosos. Segundo o historiador Alexandre Hecker, da Universidade Estadual Paulista de Assis, “Pode-se entender o socialismo, num sentido mais limitado, significando as correntes de pensamento que se opõem ao comunismo por defenderem a democracia. Em contraposição, o comunismo serviria de modelo para a construção de regimes autoritários. Embora haja contradições entre os ideais em torno desses termos, os historiadores entram em um consenso ao afirmar que não houve, até os dias atuais, nenhum país que, de fato, foi totalmente comunista.

Socialismo X comunismo

Mesmo que apresentem sentidos semelhantes, o socialismo e o comunismo guardam algumas diferenças bastante pontuais desde o século XIX até os dias atuais. No século XVIII, com o desenvolvimento dos ideais iluministas que discutiam a desigualdade entre os homens e buscava, em seus tratados, encontrar caminhos para transformações políticas e sociais, a igualdade passou a ter espaço nas discussões filosóficas e políticas.

Durante o século XVIII, ainda, houve um grande peso das ideias iluministas no processo revolucionário que se desencadeou na França. A bandeira desse movimento levava o lema iluminista de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Diante desta corrente foi que, no início do século XIX, surgiu o liberalismo e o socialismo, com noções bastante intensas de liberdade e igualdade. Nesse caso, em um momento inicial, o socialismo surgia como uma corrente de pensamento que propunha ideias ora cooperativistas, ora harmônicas da sociedade, objetivando que as perspectivas liberais e as igualitárias do iluminismo se conciliassem.

Os autores Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen trabalharam em cima desses ideais, mas tiveram suas propostas classificadas, posteriormente, como socialismo utópico, uma vez que não haviam propostas de ações efetivas para a transformação da realidade. Trata-se, portanto, de um socialismo que nunca se realizaria. Essa ideia foi elaborada a partir de Karl Marx e Friedrich Engels e seu modelo de socialismo científico, que ficou conhecido como marxismo. A partir disso, nasce uma nova forma de compreender o materialismo histórico e o materialismo dialético.

O comunismo é uma forma de ordenação social, política e econômica que objetiva disseminar sistematicamente as desigualdades, já que estas acabam gerando problemas mais sérios, se desdobrando em miséria, guerras e violência. Banir as diferenças entre os homens faz com que o comunismo seja visto como utópico.

O socialismo, por sua vez, refere-se a uma doutrina política e econômica surgida ao final do século XVIII, sendo caracterizado pela ideia de realizar uma transformação na sociedade por meio da distribuição, realizada de forma equilibrada, das riquezas e propriedades, objetivando diminuir a distância que existe entre os ricos e os pobres. Nesse caso, há a abolição da propriedade privada nos meios de produção, além da instalação de um “estado forte”, ou “ditadura do proletariado”, que seria capaz de consolidar o regime, promovendo a diminuição da desigualdade social.

Referências

Socialismo y comunismo – M harnecker, G Uribe

Manifesto Comunista – K Marx, F Engels

Por Natália Petrin
Teste seu conhecimento

01. [UERJ] “O permanente revolucionar da produção, o abalar ininterrupto de todas as condições sociais, a incerteza e o movimento eternos distinguem a época de todas as outras. Todas as relações fixas e enferrujadas, com seu cortejo de representações e concepções são dissolvidas, todas as relações recém-formadas envelhecem antes de poderem ossificar-se. Tudo que era sólido se volatiza, e os homens são por fim obrigados a encarar com os olhos bem abertos a sua posição na vida.”

Karl Marx e Fredrich Engels. Adaptado do Manifesto do Partido Comunista.

Em 1848, na defesa de uma nova sociedade, o Manifesto Comunista criticou as transformações advindas da modernização capitalista nos países da Europa Ocidental.

Dois aspectos dessa modernização, então criticados, foram:

a) crescimento industrial – garantia de direitos sociais
b) aceleração tecnológica – aumento da divisão do trabalho
c) mecanização da produção – elevação da renda salarial média
d) diversificação de mercados – valorização das corporações sindicais

02. [PUC] O chamado socialismo científico, formulado por Marx e Engels no século XIX, propunha:

a) a superação do capitalismo pela ação revolucionária dos trabalhadores, aglutinados em torno de uma organização de pessoas livremente associadas.
b) a redução do papel do Estado na economia para efetivar o controle direto pelo proletariado sobre os meios de produção.
c) a supressão de toda legislação trabalhista e social, tida como mecanismo de alienação e cooptação do proletariado.
d) a realização de sucessivas reformas na estrutura capitalista, possibilitando a gradativa implantação do comunismo avançado.

01. [B]
02. [A]

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