Populismo

Populismo é usado para designar um período histórico de alguns países da América Latina e, atualmente, para acusar adversários.

O populismo é um termo normalmente utilizado para designar um período e o estilo político de alguns governos na América Latina. No caso do Brasil, diz respeito aos anos a partir de 1930 até 1964, ou seja, até o início da ditadura militar. Entretanto, nem sempre esse conceito foi usado dessa forma. Saiba mais a seguir.

O que é populismo

Historicamente, o populismo foi o período entre 1930 e 1964 vivido politicamente no Brasil. Ainda mais especificamente, o que é uma democracia populista? Essa expressão diz respeito à fase depois de 1945, quando o populismo fica acentuado.

Contudo, o termo também descreve o estilo político de diversos governos que surgiram nessa época em toda a América Latina. Em geral, o populismo carrega uma conotação negativa, em tom até acusatório. Assim, ele é usado até hoje para descrever políticos manipuladores e populares com as “massas”.

Em outras palavras, populistas seriam os líderes carismáticos que obtêm apoio do povo com falsas promessas. Portanto, essa palavra é usada também para falar de fenômenos mais contemporâneos, como o populismo de direita.

História do populismo

No Brasil, o ano de 1930 foi marcado por um golpe político – aliás, tão abundante na história dos países latino-americanos – que ficou conhecido como “Revolução de 1930”. A partir desse golpe, Getúlio Vargas foi empossado como presidente.

Na sequência, no Estado Novo inaugurado em 1937, Vargas instaurou uma ditadura no país, permanecendo no cargo de liderança por quase oito anos. Apesar do seu autoritarismo, Vargas se tornaria um líder popular, conhecido como um homem bondoso que formulava leis que beneficiavam os trabalhadores.

O Estado Novo perdurou o seu regime até 1946. Assim, o Brasil passou por um processo de redemocratização, a volta de partidos políticos e das eleições. Nesse contexto, quem primeiro ocupou a presidência foi Eurico Gastar Dutra. Entretanto, em 1951 Vargas é eleito presidente democraticamente, retornando “aos braços do povo”, segundo suas palavras.

Então, Vargas é sucedido por Juscelino Kubitschek, responsável por um plano intenso de industrialização – e, por fim, endividamento – do país. Depois, Jânio Quadros assume por pouco tempo, até seu vice, João Goulart, se tornar presidente. Conhecido também como Jango, ele era do Partido Trabalhista Brasileiro, que carregava ainda influências de Vargas.

Desse modo, o período que vai até o governo de Jango é conhecido como República Populista. Nesse contexto, a relação com a classe trabalhadora foi um importante fator que fez com que esses governos fossem chamados mais tarde de “populistas”.

Características do populismo

O populismo é um conceito que carrega consigo um sentido negativo. Assim, quando se descreve a história do período a partir dessa ideia, geralmente são acentuadas as suas características “nocivas” ou “maléficas”. Veja a seguir algumas:

  • Centralidade de um líder carismático, agradável ao povo;
  • Manipulação das “massas” realizada pelo líder populista;
  • Representa, supostamente, a falta de consciência de classe dos trabalhadores que são manipulados pelo líder populista;
  • Nacionalismo;
  • Oferecimento de “favores” ou benefícios às classes populares pelo Estado.

Em suma, o populismo geralmente aponta para um atraso na consciência política da população. Nesse contexto, as pessoas são controladas por uma liderança afetuosa que concede a elas alguns benefícios. Contudo, essa visão já tem sido criticada há algum tempo.

Críticas ao populismo

Chamar o período que começou em 1930 como “populista” só se tornou uma prática geral a partir de 1963. Não coincidentemente, no ano seguinte, seria instaurada uma ditadura militar no Brasil. Ou seja, havia um interesse de diversos grupos em negar o passado e considerá-lo ruim e atrasado, para ingressar em novos tempos.

Assim, estudiosos desse período ressaltam frequentemente um discurso da população como uma massa de manobra, como se as pessoas fossem alienadas, iletradas e facilmente manipuláveis pelo líder populista. Contudo, os estudos historiográficos e antropológicos mostram que essa relação entre a sociedade e o Estado era mais complexa do que isso.

Nesse sentido, diversos pontos levantados pelo populismo são criticados atualmente. Entretanto, o termo continua sendo usado, inclusive para acusar adversários políticos. Geralmente, líderes muito carismáticos que atraem multidões – levando a crer que essas pessoas são ignorantes ou manipuladas – são considerados populistas.

Consequentemente, desde líderes de esquerda até figuras conservadoras ou de direita foram acusadas de populismo, surgindo termos contemporâneos como o populismo autoritário. No entanto, é importante notar que populista é sempre o outro, e nunca a própria pessoa que acusa.

Além disso, o populismo se mostra muitas vezes como um termo desgastado e criticado pela própria historiografia. Portanto, é necessário debater o assunto com os estudos mais atuais e entender que nem sempre as pessoas são uma simples “massa” que é manipulada.

Presidentes populistas

Ainda considerando o período entre 1930 e 1964, é possível elencar os presidentes do Brasil que são os chamados populistas. Além disso, confira outras lideranças na América Latina que também são enquadradas nesse fenômeno:

  • Getúlio Vargas: Brasil, de 1930 a 1945; e de 1951 a 1954;
  • Juscelino Kubitschek: Brasil, de 1956 a 1961;
  • Jânio Quadros: Brasil, 1961;
  • João Goulart: Brasil, de 1961 a 1964;
  • Juan Domingo Perón: Argentina, de 1946 a 1955; e de 1973 a 1974;
  • Lázaro Cárdenas: México, de 1934 a 1940;
  • Gustavo Rojas Pinilla: Colômbia, de 1953 a 1957.

Em suma, o populismo pode ser um importante ponto de partida e uma visão para debater alguns períodos históricos e políticos de países como o Brasil. No entanto, é necessário permanecer crítico ao uso do termo e conhecer as novas pesquisas sobre o tema.

Referências

O nome e a coisa: o populismo na política brasileira – Jorge Ferreira;

O colapso do populismo no Brasil – Octavio Ianni.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [FATEC]

“O populismo manifesta-se já no fim da ditadura e permanecerá uma constante no processo político até 1964.” (Francisco Weffort, O POPULISMO NO BRASIL)
O fenômeno político conhecido sob o nome de “populismo” no Brasil e na América Latina caracteriza-se:
a) como fenômeno político desvinculado do processo de urbanização e industrialização.
b) como um poder político das massas e suas reivindicações.
c) por movimento de massas sem lideranças carismáticas.
d) por grupos políticos identificados exclusivamente com as elites econômicas.
e) como um estilo de governo sempre sensível às pressões populares, principalmente as rurais.

Resposta: b

Justificativa: o populismo é considerado um poder das “massas”, voltado para lhe das benefícios de um modo mascarado e autoritário.

2. [UDESC]

Entre as décadas de 1930 e 1950 é possível observar a emergência de regimes denominados populistas em diferentes países latino-americanos.
Sobre esses regimes na América Latina na primeira metade do século XX, assinale (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) paras as afirmativas falsas.
( ) Regimes populistas, de forma geral, podem ser definidos como governos fortes e centralizados sob o domínio de líderes reformistas, ao mesmo tempo autoritários e carismáticos, com grande apoio popular.
( ) Os principais representantes do populismo na America Latina são Evo Morales, na Bolívia; Hugo Chavez, na Venezuela; e Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil.
( ) Os principais representantes do populismo nesse período foram Getúlio Vargas, no Brasil; Lázaro Cárdenas, no México; e Juan Domingo Perón, na Argentina.
( ) No Brasil, por meio de forte propaganda política, promoção de grandes cerimônias públicas e da instituição de uma legislação social, Getúlio Vargas conseguiu fazer com que a maioria dos trabalhadores urbanos o identificasse como defensor das causas sociais e dos interesses nacionais.
( ) Os governos populistas da Argentina, do Brasil e do México investiram na reforma agrária em uma forte política de redistribuição de renda, iniciando um período de grande prosperidade e desenvolvimento social na América Latina.
Assinale a alternativa que contém a seqüência correta, de cima para baixo.
a) F V F V V
b) V V F V V
c) V F V V F
d) F F V V F
e) V V V V V

Resposta: c

Justificativa: como o populismo é um termo histórico, não se aplica a algumas lideranças contemporâneas, como o Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o fenômeno populista não se conecta diretamente com políticas de reforma agrária e redistribuição de renda.

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