Pero Vaz de Caminha

Escrivão português responsável pelo primeiro relato sobre o Brasil, Pero Vaz de Caminha entrou para a História junto com sua carta que é tida como nossa "certidão de nascimento"

Nascido por volta de 1450 na cidade do Porto, Portugal, Pero Vaz de Caminha era filho de Vasco Fernandes de Caminha, cavaleiro do Duque de Bragança.

Acredita-se que Pero Vaz de Caminha tenha recebido alto grau de instrução e cultura, devido ao grau elevado de erudição de sua carta.

Ou seja, a carta para o rei Dom Manuel pela qual ficou famoso, é também conhecida como “certidão de nascimento do Brasil” e analisada das mais diferentes formas, pois, além de seu conteúdo minucioso sobre o “achamento” do Brasil, Pero Vaz era um hábil escrivão.

Antes de se aventurar pelo Oceano Atlântico como escrivão ao lado de Pedro Álvares Cabral e sua frota, Pero Vaz de Caminha chegou a ser vereador da cidade do Porto em 1947.

Após a morte de seu pai, herdou o cardo de mestre da balança da Casa da Moeda onde exercicia função de tesoureiro e escrivão. Foi ainda casado com Dona Catarina com quem teve uma filha, Isabel Caminha.

Meses antes da partida de Pedro Alvares Cabral, Pero Vaz de Caminha foi nomeado escrivão da esquadra, devido ao seu trabalho como escrivão na cidade do Porto que lhe deu credibilidade entre a sociedade lusitana.

Nesse momento os historiadores divergem. Há quem defenda que Cabral e sua frota tinham um único objetivo: estabelecer uma feitoria para fortificar o domínio português em Calicute, Índia. Região vital para o comércio das caras especiarias com a Europa e “descobriu o Brasil por acidente”.

Outros defendem que além de partir para as Índias, Pedro Álvares Cabral já sabia das terras da América do Sul e estas terras precisavam da demarcação portuguesa, já prevista pelo Tratado de Tordesilhas.
Esta demarcação se resumia em: rezar a primeira missa em solo tupiniquim e fixar a bandeira da Coroa Portuguesa. Feito isso, aí então Cabral e sua frota partiriam rumo às Índias.

Assim, em 9 de março de 1500, partia de Lisboa uma esquadra com 13 navios, mais de 1500 homens e entre eles, Pero Vaz de Caminha como escrivão.

A chegada ao Brasil

Pouco depois, em 22 de abril, chegavam ao Brasil as caravelas portuguesas.

Imagem: Reprodução

A primeira vista, eles acreditavam tratar-se de um grande monte, e chamaram-no de Monte Pascoal e no dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil e Caminha dava início ao seu testemunho com as suas primeiras impressões sobre a terra que com certeza não se tratava das Índias:

A pele deles é parda e um pouco avermelhada. Têm rostos e narizes bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem se preocupam em cobrir ou deixar de cobrir suas vergonhas mais do se que preocupariam em mostrar o rosto. E a esse respeito são bastante inocentes. Ambos traziam o lábio inferior furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, fino na ponta como um furador. (…)
Os cabelos deles são lisos. E os usavam cortados e raspados até acima das orelhas. E um deles trazia como uma cabeleira feita de penas amarelas que lhe cobria toda a cabeça até a nuca (…).
Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, eles se tornaria, logo cristãos, visto que não aparentam ter nem conhecer crença alguma. Portanto, se os degredados que vão ficar aqui aprenderem bem a sua fala e só entenderem, não duvido que eles, de acordo com a santa intenção de Vossa Alteza, se tornem cristãos e passem a crer na nossa santa fé. Isso há de agradar a Nosso Senhor, porque certamente essa gente é boa e de bela simplicidade. E poderá ser facilmente impressa neles qualquer marca que lhes quiserem dar, já que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens. E creio que não foi sem razão o fato de Ele nos ter trazido até aqui
” .

Imagem: Reprodução

E continua:

Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!

Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé! (…)”.

Caminha termina sua carta, datando-a “Deste porto seguro de vossa ilha de Vera Cruz, hoje, sexta feira primeiro dia de maio de 1500”. Na manhã de 2 de maio, Gaspar de Lemos retorna para Portugal levando as cartas do Capitão-Mor Pedro Álvares Cabral, do físico Mestre João e do escrivão Caminha.

Pero Vaz de Caminha falece pouco tempo depois no dia 15 de dezembro de 1500 em Calicute, Índia.

Referências

O encontro do velho continente com o novo mundo na carta a el-Rei Dom Manuel
sobre o achamento do Brasil  –  María Luisa de Castro Soares

 

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01. [UFF]:  A “Carta de Pero Vaz de Caminha”, escrita em 1500, é considerada como um dos documentos fundadores da Terra Brasilis e reflete, em seu texto, valores gerais da cultura renascentista, dentre os quais se destaca:

a) a visão do índio como pertencente ao universo não religioso, tendo em conta sua antropofagia;

b) a informação sobre os preconceitos desenvolvidos pelo renascimento no que tange à impossibilidade de se formar nos trópicos uma civilização católica e moderna;

c) a identificação do Novo Mundo como uma área de insucesso devido à elevada temperatura que nada deixaria produzir;

d) a observação da natureza e do homem do Novo Mundo como resultado da experiência da nova visão de homem, característica do século XV;

e) a consideração da natureza e do homem como inferiores ao que foi projetado por Deus na Gênese.

02. [UNIFAP]: Quando partiu das terras recém-descobertas em direção às Índias, Pedro Álvares Cabral encarregou qual dos membros de suas caravelas a ir para a corte portuguesa informar ao rei sobre a descoberta?

a) Pero Vaz de Caminha

b) Cristóvão Colombo

c) Gaspar de Lemos

d) Mem de Sá

e) Bartolomeu Bueno da Silva.

01. [UFF]

Resposta: D

Pero Vaz de Caminha era um homem letrado que fazia parte da corte portuguesa. Sua boa formação intelectual refletiu-se amplamente na redação da carta sobre as terras descobertas. Como humanista que era, os traços característicos do Renascimento destacaram-se em sua escrita.

 

02. [UNIFAP]

Resposta: C

Aquele que ficou incumbido de levar a notícia ao rei foi Gaspar de Lemos, ainda que Pero Vaz de Caminha tenha redigido a carta da descoberta. Lemos era um fidalgo português e comandante chefe da frota de caravelas de Pedro Álvares Cabral. Ao que tudo indica, o homem de confiança do navegador português.

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