Muro de Israel

O Muro de Israel cerne a polêmica convivência e difícil previsão de reconciliação entre judeus e muçulmanos na região da Palestina.

O Muro de Israel foi um projeto com execução iniciada no ano de 2002. O objetivo era, à época, colocar um muro dividindo o território muçulmano na Cisjordânia e o território dos judeus, no Estado de Israel.

Foi, inclusive, o Estado de Israel o responsável por construir a barreira de divisão. Sob muitas críticas, o caso se transformou em mais uma das cotidianas polêmicas que marcam o conflito entre Israel e Palestina.

muro de israel
(Imagem: Reprodução)

O contexto do muro de Israel

Para compreender todo o contexto e conjuntura da construção do muro de Israel, é necessário antes ter noção de como a disputa ocorre entre judeus e árabes.

A rixa entre israelenses e palestinos ocorre há centenas de anos. A partir do ano de 1949, após o fim da Segunda Guerra Mundial, o conflito se intensificou. A ONU (Organização das Nações Unidas) interviu, e realizou a divisão da região de disputa.

Nesta partilha, um pouco mais da metade do território foi destinado a Israel, enquanto o restante foi repassado à Palestina. Entretanto, ao passar dos anos, conflitos como a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra de Yom-Kippur (1973), o acordo fora desrespeitado.

A zona de divisa acabou sendo alvo de disputa, sequestros e atos terroristas. Até os dias atuais a Palestina não tem reconhecimento internacional como estado independente.

Motivo para construção do muro

O Muro de Israel foi idealizado pelo então primeiro-ministro de Israel à época, Ariel Sharon. Sob justificativa, o antigo chefe de estado apontou que a construção do muro seria uma forma de estabelecimento de uma zona de segurança para transição dos judeus.

Além disso, a construção seria uma forma de proteção dos israelenses após a II Intifada. Esta foi uma ofensiva ferrenha dos palestinos, que acabaram ocasionando inúmeras mortes por meio de ataques terroristas na região de Israel.

Críticas à construção

Segundo apontam as críticas ao muro, há argumentos que apontam que sua construção é só mais uma forma de ocupar, indiretamente, a região delimitada à Palestina.

As posições contrárias à construção do muro de Israel ganharam força após a tomada judia por terras palestinas. Entre estes territórios, zonas ricas em recursos hídricos estavam entre elas.

É estimado que, atualmente, enquanto o muro ainda é construído, os “desvios” estejam ocupando quase 10% do território palestino. Além disso, há o caso das aldeias de muçulmanos que acabaram isoladas, sendo transformadas em mão de obra barata para empresas israelenses.

Até o ano de 2013, estimava-se que 65% do muro havia sido concluído. Os defensores do muro de Israel justificam a construção salientando a diminuição da violência na região.

Apesar de o número ser realmente menor, a existência do muro pouco tem relação com os dados. Segundo estimativas, os acordos mútuos realizados entre ambas as nações acabaram apaziguando o conflito, apesar do avanço de Israel sobre terras palestinas não ser contido.

Aqueles que ainda defendem a existência do Muro de Israel afirmam que, desde a construção, houve uma sensível redução nas ondas de violência e na ocorrência de atentados terroristas pelas organizações em defesa da Palestina.

Apesar de essa redução ser verdadeira, ela não possui uma relação direta com a existência do muro, mas sim com os recentes acordos promovidos pelos dois lados do conflito.

Referências

MAKDISI, Saree. Um espaço racializado: engenharia social em Jerusalém. 181-193 p. Original Publish in: Contemporary Arab Affairs, vol. 2:4 (2009), Centre for Arab Unity Stu‑ dies/Routledge — Taylor & Fran‑ cis, Reino Unido.

Mateus Bunde
Prof. Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou um plano de partilha da Palestina que previa a criação de dois Estados: um judeu e outro palestino. A recusa árabe em aceitar a decisão conduziu ao primeiro conflito entre Israel e países árabes. A segunda guerra (Suez, 1956) decorreu da decisão egípcia de nacionalizar o canal, ato que atingia interesses anglo-franceses e israelenses. Vitorioso, Israel passou a controlar a Península do Sinai. O terceiro conflito árabe-israelense (1967) ficou conhecido como Guerra dos Seis Dias, tal a rapidez da vitória de Israel. Em 6 de outubro de 1973, quando os judeus comemoravam o Yom Kippur (Dia do Perdão), forças egípcias e sírias atacaram de surpresa Israel, que revidou de forma arrasadora. A intervenção americano-soviética impôs o cessar-fogo, concluído em 22 de outubro.

A partir do texto acima, assinale a opção correta.

a) A primeira guerra árabe-israelense foi determinada pela ação bélica de tradicionais potências europeias no Oriente Médio.

b) Na segunda metade dos anos 1960, quando explodiu a terceira guerra árabe-israelense, Israel obteve rápida vitória.

c) A guerra do Yom Kippur ocorreu no momento em que, a partir de decisão da ONU, foi oficialmente instalado o Estado de Israel.

d) Apesar das sucessivas vitórias militares, Israel mantém suas dimensões territoriais tal como estabelecido pela resolução de 1947 aprovada pela ONU

Resposta: B

2. [IFBA]

“Os Estados Árabes se consideram em estado de guerra com Israel e, desde 1948, não cessam de proclamar sua vontade de lançar os israelitas no mar e de riscar seu Estado do mapa do Oriente próximo (…).”

FRIEDMANN, Georges. Fim do povo judeu? São Paulo: Perspectiva, 1969, p. 243.

Iniciado em 1848, o conflito palestino-israelense constituiu, no Oriente Médio, o que se convencionou chamar de Questão Palestina, que está longe de ser resolvida, ainda hoje, e pode ser relacionada à

a) exigência, pelos países do Oriente Médio, de cumprimento do Plano da ONU de Partição da Palestina, que criava o Estado Palestino no final da Segunda Guerra Mundial.

b) incapacidade dos países vencedores da Segunda Guerra de garantir a paz no Ocidente nos anos posteriores ao conflito, provocando uma fuga em massa de judeus para a Palestina.

c) construção de um padrão de instabilidade nas relações internacionais pelo recém-criado Estado de Israel, que contava com o apoio dos Estados Unidos, da União Soviética e da ONU.

d) recusa árabe à partilha da Palestina, imposta pela ONU, que submeteu a maior parte do território ao controle do recém-criado Estado de Israel, sem que se respeitasse a soberania dos povos desta região.

e) extinção oficial do mandato britânico sobre a Palestina, no final da Segunda Guerra, com reconhecimento imediato pelos países vencedores da independência de todos os países do Oriente Médio.

Resposta: D

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