Mito de Narciso

O Mito de Narciso narra a paixão do jovem Narciso por si próprio e foi escrito pelo poeta romano Ovídio no século VIII.

O Mito de Narciso foi escrito pelo poeta romano Ovídio (Sulmona, 20 de março de 43 a.C. — Constança, Romênia, 17 ou 18 d.C.) como parte integrante da obra “Metamorfoses”, no século VIII d.C.

O Mito de Narciso em resumo

Há muito tempo, na floresta, passeava Narciso, o filho do sagrado rio Kiphissos. Era lindo, porém tinha um modo frio e egoísta de ser. Era muito convencido de sua beleza e sabia que não havia no mundo ninguém mais bonito que ele.

Vaidoso, a todos dizia que seu coração jamais seria ferido pelas flechas de Eros, filho de Afrodite, pois não se apaixonava por ninguém.

As coisas foram assim até o dia em que a ninfa Eco o viu e imediatamente se apaixonou por ele.

Ela era linda, mas não falava; o máximo que conseguia era repetir as últimas sílabas das palavras que ouvia.

Narciso, fingindo-se de desentendido, perguntou:

– Quem está se escondendo aqui perto de mim?

–… de mim – repetiu a ninfa assustada.

– Vamos, apareça! – ordenou. – Quero ver você!

–… ver você! – repetiu a mesma voz em tom alegre.

Assim, Eco aproximou-se do rapaz. Mas nem a beleza e nem o misterioso brilho nos olhos da ninfa conseguiram amolecer o coração de Narciso.

– Dê o fora! – gritou, de repente. – Por acaso pensa que eu nasci para ser um da sua espécie? Sua tola!

– Tola! – repetiu Eco, fugindo de vergonha.

A deusa do amor não poderia deixar Narciso impune depois de fazer uma coisa daquelas. Resolveu, pois, que ele deveria ser castigado pelo mal que havia feito.

Um dia, quando estava passeando pela floresta, Narciso sentiu sede e quis tomar água.

mito de narciso
Imagem: Reprodução

Ao debruçar-se num lago, viu seu próprio rosto refletido na água. Foi naquele momento que Eros atirou uma flecha direto em seu coração.

Sem saber que o reflexo era de seu próprio rosto, Narciso imediatamente se apaixonou pela imagem.

Quando se abaixou para beijá-la, seus lábios se encostaram na água e a imagem se desfez. A cada nova tentativa, Narciso ia ficando cada vez mais desapontado e recusando-se a sair de perto da lagoa. Passou dias e dias sem comer nem beber, ficando cada vez mais fraco.

Assim, acabou morrendo ali mesmo, com o rosto pálido voltado para as águas serenas do lago.

Esse foi o castigo do belo Narciso, cujo destino foi amar a si próprio.

Eco ficou chorando ao lado do corpo dele, até que a noite a envolveu. Ao despertar, Eco viu que Narciso não estava mais ali, mas em seu lugar havia uma bela flor perfumada. Hoje, ela é conhecida pelo nome de “narciso”, a flor da noite.

Interpretações sobre o Mito de Narciso: o narcisismo

A excessiva importância dada à imagem de si próprio é a principal característica de Narciso e serve como base para a ideia do narcisismo – termo utilizado em diversas áreas do conhecimento.

No campo da psicologia, em especial, o Mito de Narciso ganha destaque; é a partir dele que surge a condição psicológica explorada por Sigmund Freud em Introdução ao narcisismo (1914).

Nesse aspecto, a psicologia clínica apropriou-se do nome de Narciso para denominar a condição na qual o indivíduo vê-se sexualmente atraído pelo próprio corpo.

Freud separou o fenômeno em duas instâncias: o narcisismo primário e o narcisismo secundário.

No narcisismo primário, crianças e jovens acreditam ser superiores e investem toda sua libido em si mesmas. Entretanto, com o passar do tempo, essa libido é dirigida para fora, para outros objetos que não o próprio indivíduo.

No narcisismo secundário, após a libido ser projetada para fora, os indivíduos a direcionam de volta para si, o que resulta em adultos deslocados da sociedade, que não possuem capacidade de amar e de ser amados.

Referências

Acessaber – O Mito de Narciso
O Mito de Narciso sob o olhar de Leminski: Uma metamorfose lírica – Ana Cláudia W. Krauss

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [UFV]

A respeito das classes que compunham a sociedade romana na Antiguidade, é CORRETO afirmar que:

a) os “plebeus” podiam casar-se com membros das famílias patrícias, forma pela qual conseguiam quitar suas pendências de terra e dinheiro, conseguindo assim certa ascensão social.

b) os “plebeus” compunham a classe formada pelos camponeses, artesãos e alguns que conseguiam enriquecer-se por meio do comércio, atividade que lhes era permitida.

c) os “clientes” eram estrangeiros acolhidos pelos patrícios e transformados em escravos, quando sua conduta moral não condizia com a de seus protetores.

d) os “patrícios” foram igualados aos plebeus durante a democracia romana, quando da revolta dos clientes, que lutaram contra a exclusão social da qual eram vítimas.

e) os “escravos” por dívida eram resultado da transformação de qualquer romano em propriedade de outrem, o que ocorria para todos que violassem a obrigação de pagar os impostos que sustentavam o Estado expansionista.

Resposta: B
Ao contrário dos patrícios, a plebe não possuía origem nobre nos antigos clãs que fundaram a cidade de Roma. Consequentemente, também não possuía as grandes faixas de terras cultiváveis que os patrícios possuíam e nem os mesmos privilégios políticos que estes.

2. [UFSCAR]

“Quando a notícia disto chegou ao exterior, explodiram revoltas de escravos em Roma (onde 150 conspiraram contra o governo), em Atenas (acima de 1.000 envolvidos), em Delos e em muitos outros lugares. Mas os funcionários governamentais logo as suprimiram nos diversos lugares com pronta ação e terríveis torturas como punição, de modo que outros que estavam a ponto de revoltar- se caíram em si.” (Diodoro da Sicília, sobre a Guerra Servil na Sicília. 135-132 a.C.)

É correto afirmar que as revoltas de escravos na Roma Antiga eram:

a) lideradas por senadores que lutavam contra o sistema escravista.

b) semelhantes às revoltas dos hilotas em Esparta.

c) provocadas pela exploração e maus-tratos impostos pelos senhores.

d) desencadeadas pelas frágeis leis, que deixavam indefinida a situação de escravidão.

e) pouco frequentes, comparadas com as que ocorreram em Atenas no tempo de Sólon.

Resposta: C
Os escravos rebelaram-se em virtude da exploração e maus-tratos que lhes eram impostos como forma de controle social. Todavia, essas revoltas só foram possíveis pelo fato de esses escravos terem se articulado contra os senhores, apesar de não terem sido um grupo social homogêneo.

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