Mensalão e Petrolão

O Mensalão e Petrolão são dois dos grandes esquemas de corrupção existentes dentro da política brasileira.

Mensalão e Petrolão são como gêmeos bivitelinos dentro da política brasileira. De mesma raiz da corrupção, os esquemas envolveram o desvio de dinheiro público, recebimento de propina e lavagem de dinheiro.

Dessa forma, o mensalão e petrolão apresentam uma mesma fraternidade, apesar de alguns pontos divergentes. Enquanto o primeiro utilizava de um forte esquema de propinas para fortalecer a base aliada, o segundo buscava o desvio de dinheiro em obras públicas referentes a Petrobras, e que favorecessem empreiteiras parceiras do governo.

Ambos os esquemas foram fortemente propagados pela mídia, ocasionando o desgaste em um dos partidos que participou de ambos os esquemas: o Partido dos Trabalhadores (PT).

Mensalão e Petrolão: raízes iguais, problemas imensos

Mensalão e Petrolão, assim, foram dois dos esquemas responsáveis para desgastar a imagem do partido, sucumbido após a Operação Lava Jato.

Mensalão e o esquema de propinas

O mensalão foi um esquema envolvendo desvio do dinheiro público. Arquitetado por integrantes do PT, estes utilizavam um montante adquirido com intuito de pagar propina a deputados federais na Câmara.

mensalão e petrolão
Roberto Jefferson denunciou o esquema. (Imagem: Reprodução)

O objetivo era a troca de votos favoráveis para projetos propostos para o grupo de situação. O esquema foi descoberto no ano de 2005, com denúncias feitas pelo então deputado federal Roberto Jefferson, membro do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).

Como funcionava o esquema?

Roberto Jefferson, ao denunciar o esquema, exemplificou como ocorriam as negociações. Explanou que os assessores representantes dos deputados costumavam ir a uma agência do Banco Rural, onde recebiam o mensalão.

O mensalão mencionado era variável, geralmente em valor que girava entre 20 e 60 mil reais. Foi dessa maneira que o Ministério Público conseguiu descobrir que o dinheiro saía das contas no nome do empresário Marcos Valério.

O funcionamento era, portanto, bastante simples. Enquanto Valério tomava empréstimos em seu nome, o dinheiro recebido era transferido para o PT de forma a financiar campanha dentro da Câmara dos Deputados.

Os pontos levantados por cada um dos integrantes:

  • José Genoíno, presidente do PT, era avalista para empréstimos junto de Valério;
  • Delúbio Soares, presidente do PT, afirmou que o dinheiro era não declarado, o caixa 2, e classificou como um procedimento normal entre os partidos;
  • Duda Mendonça, publicitário durante a campanha presidencial de Lula, disse que era pago pelo PT sem emitir recibo, com valor depositado em conta no exterior;

O Petrolão e a facilitação às empreiteiras

O Petrolão, por outro lado, foi um esquema de proporções bilionárias envolvendo a Petrobras. Durante os governos Lula e Dilma, o esquema envolvia cobrança de propinas de empreiteiras, evasão de dívidas, superfaturamento e lavagem de dinheiro.

O esquema era beneficiário a políticos, partidos e funcionários da estatal. O Petrolão é investigado pela Polícia Federal, por meio da Operação Lava Jato.

mensalão e petrolão Lula
(Imagem: Reprodução)

Como funcionava o esquema?

O funcionamento, assim como o mensalão, não era nada muito elaborado. Tinha sequência de eventos pontuais, na realidade. Funcionários da Petrobras, em suma, faziam cobrança de propinas de empresas para fechamento de contratos superfaturados.

O ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, afirmou que os contratos tinham um superfaturamento de, em média, 3%.

Exemplo do esquema:

Uma obra orçada em 1 bilhão tinha como pagamento 1 bilhão e 30 milhões para a empresa que ganhasse a licitação. O valor de sobrepreço, correspondente aos 30 milhões, tinham como destino partidos, tais como PT, PP, PSDB e outros.

Referências

CABRAL, Otávio; Oltramari, Alexandre (18 de maio de 2005). O homem-chave do PTB. Revista Veja – Edição 1905. Consultado em 13 de fevereiro de 2014.

MPF. Entenda o Caso: Caso Lava Jato. Ministério Público Federal. Consultado em 20 de janeiro de 2019.

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

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