Leonel Brizola

Leonel de Moura Brizola foi um político brasileiro gaúcho nascido em 1922. Foi fundador do PDT, governador do Rio Grande do Sul e também do Rio de Janeiro.

A história pessoal de Leonel Brizola se confunde com a do nosso país. O gaúcho nascido em Passo Fundo foi um político atuante em momentos decisivos da nossa história recente.

Biografia de Leonel Brizola

Leonel Brizola

Leonel de Moura Brizola nasceu na cidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, no dia 22 de janeiro de 1922.

Foi o quinto filho de uma família bastante humilde, seus pais eram os agricultores José de Oliveira Brizola e Oniva de Moura Brizola.

Em 1945, iniciou o curso de Engenharia Civil na UFRS e, enquanto estudante, se elegeu deputado estadual pelo PTB, o mesmo partido de Getúlio Vargas.

Em março de 1950, Brizola casou-se com Neusa Goulart, irmã de João Goulart, à época também deputado pelo PTB. Tiveram três filhos.

Os anos seguintes de sua trajetória foram agitados, principalmente após o suicídio de Vargas, vítima de pressões militares.

Nesse período, Leonel Brizola ganhou mais notoriedade política: em 1954 foi eleito deputado federal pelo PTB do Rio Grande de Sul e, no ano seguinte, foi eleito prefeito de Porto Alegre.

Como prefeito de Porto Alegre, Brizola fez um mandato baseado nas demandas populares por moradia, emprego e educação (que seriam suas premissas fundamentais).

O saldo da sua administração foi tão positivo que, logo em 1958, Brizola foi eleito governador do Rio Grande do Sul com larga diferença de seus adversários.

Como governador, Brizola expandiu programas sociais que havia proposto como prefeito de Porto Alegre. Iniciando, principalmente, uma rede de ensino que atingia pela primeira vez os municípios mais pobres do Rio Grande do Sul.

Outras medidas de Brizola enquanto governador incluíram: a desapropriação de terras improdutivas às margens das rodovias em uma reforma agrária que beneficiou famílias sem terras e a estatização das companhias de energia e telefonia gaúchas.

Se você leu até aqui e sentiu uma certa influência socialista sobre os feitos do governador, sim, Brizola possuía um grande apreço pelos regimes socialistas – e nem escondia tal posicionamento.

Nas décadas seguintes, Brizola se tornou ainda mais conhecido nacionalmente, porém, o Brasil estava em plena ditadura militar, iniciada em 1964. Nesse momento, Brizola e sua família foram exilados e só voltariam em 1979 para retomar as atividades.

Em 21 de junho de 2004, aos 82 anos e com a saúde bastante debilitada, Leonel de Moura Brizola faleceu em decorrência de problemas no coração.

Milhares de cidadãos e políticos compareceram ao seu velório e seu corpo foi enterrado na cidade gaúcha de São Borja, símbolo do trabalhismo brasileiro, na qual também estão enterrados Getúlio Vargas e João Goulart.

Carreira política de Leonel Brizola

De família humilde e sem recursos à candidato a Presidência, Leonel Brizola fez grandes feitos que impactaram a vida principalmente dos mais desassistidos.

Início da carreira

Como já dito anteriormente, Brizola já era filiado ao PTB enquanto cursava engenharia. Sua carreira política começa de fato quando ele vence as eleições em 1945.

Assumiu a identidade de Leonel para homenagear Leonel Rocha, líder dos maragatos na Revolução de 1923.

Relação com João Goulart e Jânio Quadros

A relação entre João Goulart, Jânio Quadros e Leonel Brizola foi particularmente curiosa. Assim como já dito, João Goulart – o Jango – e Brizola eram cunhados e correligionários de partido.

Em 1960, Jânio Quadros ganhou as eleições para Presidência tendo João Goulart como seu vice. Brizola possuía um cargo estratégico no governo e chegou a integrar a delegação brasileira à Conferência de Punta del Este, no Uruguai, para o lançamento da Aliança para o Progresso – uma ideia do governo estadunidense par auxílio financeiro da América Latina.

Porém, sete meses após ser empossado Presidente, Jânio Quadros renunciou ao mandato e o seu vice, Jango, se encontrava em visita à China comunista de Mao Tse-tung.

Apesar da Constituição prever que o vice da chapa vencedora das eleições deveria assumir o cargo nesses casos, a oposição composta por militares, usando do argumento do vice ser comunista e, portanto, perigoso, não aceitava que Jango assumisse a Presidência.

Coube então a Leonel Brizola garantir que a Constituição fosse cumprida a partir do que ficou conhecido como a “cadeia da legalidade”.

A “cadeia da legalidade” orquestrada por Brizola mobilizou 104 emissoras gaúchas, catarinenses e paranaenses para defender a posse de Goulart com o apoio popular.

De todo modo, durante o governo de João Goulart, Brizola se destacou cada vez mais como o líder da esquerda radical em evidência, pois as campanhas nacionalistas que empreendeu, com utilização ampla da imprensa, tiveram grande repercussão.

Ditadura Militar

Durantes os anos de chumbo, Brizola e sua família foram para o exílio. Mesmo assim, ele continuava sendo considerado um político a ser temido pelos seus ideais.

Ele e sua família buscaram exílio no Uruguai, onde permaneceram por vários anos. Mais tarde foram para os Estados Unidos e Portugal onde permaneceram até 1979, quando enfim retornaram ao Brasil.

Fundação do PDT

Ao retornar ao Brasil, Brizola retomou sua carreira política e reestruturou o PTB, que passou a se chamar PDT, Partido Democrático Trabalhista. Citando o próprio Leonel Brizola na reunião nacional do partido em agosto de 1979:

O novo trabalhismo brasileiro contempla a propriedade privada condicionando seu uso às exigências do bem-estar social. […] o caminho do socialismo passa pelo PDT.

Entre os signatários do partido que surgia, ressaltamos Darcy Ribeiro, sociólogo, antropólogo, político e amigo pessoal de Leonel Brizola e também um dos principais arquitetos do Brasil, Oscar Niemeyer.

Em 1982, Brizola foi eleito dessa vez para governar o Rio de Janeiro. No mandato, ele priorizou a educação, principalmente com a criação dos CIEPS (Centros Integrados de Educação Pública), que significaram um forte reforço para a educação defasada do estado carioca.

Em 1991, Leonel Brizola foi novamente eleito governador do Rio de Janeiro.

Campanhas à Presidência

Em 1989, Leonel Brizola decidiu se candidatar à Presidência. Além de Brizola, Lula, Fernando Collor e até Silvio Santos estavam nessa disputa.

Passaram para o segundo-turno das eleições de 1989 Collor e Lula, que contou com o apoio irrestrito de Brizola. No entanto, Collor venceu por uma grande diferença de votos.

Nas décadas seguintes, Leonel Brizola continuou tentando ser Presidente da República, porém sem sucesso.

Se aliou ao PT de Lula como vice nas eleições de 1994, vencidas por Fernando Henrique Cardoso que governaria por oito anos.

Fim da carreira política

Em 2002, Brizola disputou a sua última eleição, concorrendo ao cargo de senador pelo estado do Rio de Janeiro.

Entretanto, mais uma vez não obteve sucesso. Quanto às eleições presidenciais daquele ano, Brizola e o PDT apoiaram Ciro Gomes, do PPS.

Já no segundo turno da eleição, disputado entre Lula (PT) e José Serra (PSDB), o político apoiou, novamente, a candidatura petista.

Com efeito, a carreira política de Leonel Brizola só terminou de fato com a sua morte, pois, em 2004, ano de seu falecimento, o político ainda cogitava se candidatar à prefeitura do Rio de Janeiro.

Plataforma política de Leonel Brizola

Como você deve ter percebido ao longo do texto, a plataforma de Leonel Brizola se pautou pelas políticas de inclusão social e demandas trabalhistas, aliadas ao sindicalismo.

Em seus governos, Brizola priorizou a Educação, a estatização de empresas multinacionais e a geração de empregos a partir de obras de infra-estrutura e também de reforma agrária, principalmente no Rio Grande do Sul.

De qualquer modo, o próprio Brizola se definia como um estadista trabalhista a favor do povo.

10 frases de Leonel Brizola

Veja abaixo algumas frases dita pelo político que não poupava seus adversários e deixava claro seu apreço pela educação.

  • Todas as crianças deveriam ter direito à escola, mas para aprender devem estar bem nutridas. Sem a preparação do ser humano, não há desenvolvimento. A violência é fruto da falta de educação.
  • Uma criança só pode aprender quando se nutre, come e não quando está cheia de parasitas.
  • Nossos caminhos são pacíficos, nossos métodos democráticos, mas se nos tentam impedir só Deus sabe nossa obstinação.
  • O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo
  • Eu vou arrebentar o alambrado.
  • Esses pastores querem é estação de rádio e dinheiro. São adoradores dos bezerros de ouro.
  • O amanhecer é o momento mais bonito do dia, mas, quando ele chega, encontra a maioria das pessoas dormindo.
  • A propriedade privada é tão boa que a queremos para todos.
  • Essa moçada continua querendo curar câncer com injeção de cibalena.
  • Essa reforma ministerial é um balaio de caranguejos. Uns caranguejos entrando, outros saindo.

Leonel Brizola foi um excelente orador e, segundo os jornalista da época, muito carismático também. Lendo essas frases ditas por ele, não fica difícil de imaginar, não é mesmo?

Entenda mais sobre Leonel Brizola

A seguir, confira alguns vídeos selecionados e saiba ainda mais sobre a vida e a política de Leonel Brizola.

História do Brasil – Leonel Brizola

Nesse vídeo, o professor Antônio Guilherme dá uma aula sobre quem foi Leonel Brizola e contextualizando com a história do Brasil. Além disso, o conteúdo tem foco no ENEM e outros vestibulares.

Caco Barcelos sobre Leonel Brizola

Em entrevista a Pedro Bial, o jornalista Caco Barcelos conta da sua infância no Rio Grande do Sul e da importância de Brizola para a sua educação.

Direito de resposta a Leonel Brizola no Jornal Nacional

Um vídeo de importância história onde, devido ao direto de resposta, o âncora Cid Moreira precisa ler uma carta de Brizola durante o noticiário do Jornal Nacional. No texto, o político se defendia de acusações da emissora e deixava claro seu posicionamento anti-Globo. A desavença entre a Rede Globo e o político gaúcho era pública e notória.

Leonel Brizola teve uma trajetória ímpar na política brasileira. Polêmico, carismático e ousado, sua herança para o PDT e para o Brasil envolvem o nacionalismo, a valorização da educação e dos trabalhadores.

Referências

Leonel de Moura Brizola – CPDOC
A força do povo. Brizola e o Rio de Janeiro – Marieta de Moraes Ferreira
Brizola e o trabalhismo – Luís Alberto Muniz Bandeira
Para onde vai Brizola? Trabalhismo ou socialismo? – Lauro Schuch

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [MACKENZIE]

Com a renúncia de Jânio Quadros, setores militares resolveram impedir a posse do Vice-presidente João Goulart. O Congresso e vários segmentos sociais, tendo à frente o governador Leonel Brizola do Rio Grande do Sul, desencadearam a mobilização popular e, diante da ameaça de guerra civil, contornou-se a questão com a emenda parlamentarista. Tais fatos dizem respeito a um importante acontecimento histórico dos anos 60, denominado:

a) Campanha das Diretas Já.

b) Campanha da Legalidade.

c) Milagre Brasileiro.

d) Abertura Democrática.

e) Queremismo.

Resposta: B
Foi Leonel Brizola que liderou a Campanha da Legalidade, quando militares do Brasil não queriam permitir a volta de João Goulart da China e tampouco que ele assumisse a Presidência após a renúncia de Jânio Quadros.

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