Guerra Civil Espanhola

A Guerra Civil durou 3 anos, e é considerado um evento preliminar da Segunda Guerra Mundial.

A Guerra Civil Espanhola remete a uma importante página d história da Espanha. É importante voltar ao contexto histórico do século XIX é bastante conturbada, pois, foi um dos países mais afetados pelas Guerras Napoleônicas e também contou com as perdas de seus territórios coloniais na América.

Os governos espanhóis tinham dificuldades para lidar com seus problemas sociais e econômicos e optavam pelo autoritarismo para consolidarem-se no poder.

Como consequência, durante boa parte do século XIX, a Espanha continuou sendo um país agrário e autoritário. Com sua monarquia contando com as aristocracias locais como base de apoio, sem industrialização ou modernização de suas instituições.

Guerras Carlistas

Quando o rei Fernando VII morreu em 1833, esse sistema entrou em crise e o país entrou em guerra civil: A Primeira Guerra Carlista.

De um lado, estavam os liberais que eram a favor de reformas e acreditavam que o período regencial possibilitaria a o modernização do país, do outro lado, os “carlistas”, grupo conservador e contrário às reformas e a favor de uma monarquia absolutista próxima da Igreja Católica com o lema “Deus, pátria e rei”.

A Primeira Guerra Carlista durou sete anos e terminou com a vitória liberal em 1840. Porém, o choque entre liberais e conservadores pelo protagonismo na Espanha, não havia acabado.

A crise retorna a Espanha após revoltas internas e outra Guerra Carlista entre 1872 e 1876 se inicia. A solução veio com a coroação de Alfonso XII, neto de Fernando VII, e a formação de uma monarquia constitucional e não absoluta.

Após os republicanos aceitarem seu governo e os carlistas radicais saírem derrotados, um sistema de turnos políticos foi adotado, com liberais e conservadores se revezando no cargo de primeiro-ministro.

Alfonso XII foi sucedido por seu filho, Alfonso XIII, entre 1886 e 1931 que contou com várias crises, entre elas:

  • A derrota espanhola nas guerras hispano-americanas;
  • A pandemia de gripe espanhola;
  • Milhares de mortos na guerra pelo controle do Marrocos

Como consequência, a sociedade espanhola começou a se radicalizar no que é chamado “geração de 98”, os liberais passaram a abraçar a ideia do republicanismo e do anarquismo e os carlistas passaram a contar com o apoio dos militares descontentes.

A Guerra Civil Espanhola começa a inflamar na sociedade

Com receio da crise e dos republicanos, o rei Alfonso XIII apoiou o general Primo de Rivera que deu um golpe em 1923 e governou como ditador até 1930.

Nesse período, o rei não contava com o apoio das lideranças políticas e Primo de Rivera acreditava que o exército poderia modernizar o país em crise por culpa da política, em sua visão.

Como resultado, a constituição foi suspensa, censura e lei marcial foram impostas com o lema “Pátria, religião e monarquia”, adaptação do antigo lema carlista.

O filho do general Rivera, organizou o movimento falangista: um movimento fascista e nacionalista espanhol, também conhecido como “fascismo clerical”, já que unia a radicalização do Estado nacionalista e a autoridade da Igreja Católica e dos valores tradicionais.

Com a Crise de 1929, a economia da Espanha entrou em colapso e o general Rivera foi forçado a renunciar. O legado desastroso de sua ditadura repercutiu também no rei que abdicou do trono e fugiu do país.

Em 1931 foi instaurada a república com a tentativa de modernização política como o voto feminino e descentralização do poder pela federalização e regiões como o País Basco, a Catalunha e a Galícia voltaram a contar com autonomia.

Liberais x nacionalistas: projetos diferentes de país

Uma das principais questões que dividia a Espanha era o papel político da Igreja Católica; liberais e socialistas viam a Igreja como inimiga da modernização e um símbolo do autoritarismo.

Enquanto que nacionalista e conservadores defendiam a Igreja como guardiã dos valores espanhóis e símbolo de legitimidade.

Outro tema importante e divisor da sociedade era a reforma agrária, sobre a qual o grupo liberal era a favor e o grupo nacionalista contra.

Guerra Civil Espanhola
Imagem: Reprodução

O início da Guerra Civil Espanhola

Após episódios de violência entre socialistas e nacionalistas, a guerra civil começou com um “pronunciamiento” de 17 de junho de 1936, liderado pelo General Jose Sanjurjo.

“Pronunciamiento” é um termo espanhol que significa que oficiais militares iniciaram um golpe via manifesto de desobediência ao governo.

Em seu “pronunciamiento”, Sanjurjo escreveu que desejava fazer os partidos políticos desaparecem, “limpando” todo sistema político existente na Espanha naquele momento.

Entretanto, Sarjurjo morreu dias depois, num acidente de avião o que transformou Francisco Franco, comandante do exército no Marrocos, no líder do golpe de estado.

De um lado da guerra civil estavam republicanos e liberais, líderes regionais, anarquistas e socialistas. Do outro, nacionalistas, falangistas e carlistas.

A influência internacional

A guerra civil espanhola foi marcada pelo papel dos outros países. França e Reino Unido defendiam que a comunidade internacional não deveria tomar nem o lados no conflito e juntos com os Estados Unidos promoveram um acordo entre 26 países para o embargo da venda de armas para qualquer lado.

Porém, a Alemanha nazista e a Itália fascista embora signatários do acordo, o violaram e enviaram material bélico e dezena de milhares de soldados em apoio aos nacionalistas.

A Alemanha ainda aproveitou para testar novas táticas como o bombardeio aéreo em massa de cidades, como no ataque a cidade de Guernica em 26 de abril de 1937, eternizada no painel de Pablo Picasso sobre os horrores da guerra:

Guerra Civil Espanhola picasso
Imagem: Reprodução

Por outro lado, a União Soviética também enviou material bélico e oficiais militares para treinarem dezenas de milhares de voluntários internacionais recrutados em partidos comunistas e socialistas.

A vitória nacionalista e o início do regime franquista

O conflito foi marcado principalmente por batalhas como a Batalha de Ebro que reuniu cerca de 170 mil combatentes numa vitória nacionalistas e também por Atos contra a população e contra símbolos por ambos os lados.

Dois cercos são importantes no conflito. O Cerco de Madri, na qual os nacionalistas pretendiam fazer a cidade passar fome até se render e o Cerco de Barcelona, capital catalã no início de 1939, que marca a vitória nacionalista.

Guerra Civil Espanhola conflito
Imagem: Reprodução

Com a vitória, Francisco Franco, o líder dos nacionalistas iniciou sua ditadura que durou até 1975, sob a bandeira da Falange, o único partido político permitido em seu regime que reunia todos os movimentos nacionalistas e conservadores católicos.

No total, a guerra custou cerca de meio milhão de vidas, cerca de 2% da população espanhola e foi sucedida por um período de crise econômica e de fome.

Assim, de certo modo, a Guerra Civil Espanhola contrapôs os setores da sociedade que estavam em guerra desde o século anterior, em uma perspectiva radicalizada, sendo uma espécie de início da Segunda Guerra Mundial.

Referências

A Guerra Civil de Espanha – Bernard Michal
Guerra Civil Espanhola – Helen Grahan
O século XX: de 1914 aos nossos dias – René Remond
Madrid 1931-1939. II República y Guerra Civil – Ramón Guerra de la Veja

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [UFRGS]

Um golpe militar na Espanha, comandado por Francisco Franco e contra o governo republicano, iniciou um grande conflito: a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Considere as afirmações abaixo sobre essa guerra.

I. Ela apresentou um caráter fortemente ideológico e revolucionário com a atuação das Brigadas Internacionais em apoio à República.

II. Ela permitiu que a Alemanha, por meio da Legião Condor, testasse seus armamentos e táticas contra os republicanos.

III. Ela favoreceu Francisco Franco, graças à política de “não intervenção” da Inglaterra e da França.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas III.

c) Apenas I e II.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

Resposta: E
odas as afirmações são verdadeiras. As Brigadas Internacionais aderiram em massa à defesa do republicanismo na Espanha e à luta ideológica e armada contra o fascismo. A segunda afirmação é verdadeira, pois, de fato, houve a participação da Alemanha na guerra, testando armamentos que seriam utilizados durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, a Guerra Civil Espanhola contou com a não intervenção da Inglaterra e da França, diferentemente de Alemanha e Itália, que atuaram diretamente no conflito.

2. [UECE]

A Guerra Civil Espanhola é considerada por muitos autores como um “ensaio para a Segunda Guerra Mundial”. Assinale a alternativa que indica corretamente essa ideia:

a) Ao experimentar novas armas, em mãos espanholas, tanto americanos quanto soviéticos testaram seu poderio militar em estratégias modernas de guerra.

b) O conflito político espanhol, ao colocar lado a lado liberais e anarquistas, atestou a possibilidade de união desses grupos contra a expansão da URSS.

c) A intervenção dos fascistas italianos e dos nazistas alemães contra as forças republicanas espanholas serviu de teste para as armas que seriam usadas contra os aliados.

d) A vitória do General Franco serviu para demonstrar a fragilidade das armas e da diplomacia alemã.

e) A adesão dos britânicos ao lado dos anarquistas no conflito foi uma demostração clara do Reino Unido contra as intenções alemãs na Espanha.

Resposta: C
A Alemanha e a Itália atuaram diretamente no conflito. No caso alemão, o destaque foi a atuação da Luftwaffe, a aviação de guerra. Na Espanha, Hitler pôde testar a eficiência desse instrumento de guerra, além de possibilitar à Alemanha identificar as falhas e os pontos positivos de seus aviões e aprimorá-los para a Segunda Guerra Mundial. Já a Itália mandou cerca de 50 mil soldados para lutar juntamente às tropas de Francisco Franco.

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