Floriano Peixoto

Floriano Peixoto foi o segundo presidente do Brasil, conhecido por seu militarismo e rigidez para lidar com os opositores do governo.

Floriano Peixoto foi um militar e ocupou o cargo de presidente do Brasil em 1891, sendo a segunda pessoa a estar nessa posição no país. Sua postura rígida acabou tendo repercussões na história da nação, sendo ele hoje uma das figuras históricas brasileiras mais conhecidas.

Compreender a trajetória política de Floriano Peixoto é importante para entender como se desenrolou uma parte da história brasileira. Além disso, as influências da força militar no país também não devem ser ignoradas. Esses aspectos serão abordados e aprofundados a seguir.

Biografia: quem foi Floriano Peixoto

Fotografia de Floriano Peixoto
Fotografia de Floriano Peixoto

Floriano Vieira Peixoto nasceu no dia 30 de abril de 1839 em um engenho chamado Riacho Grande, em Alagoas. Foi o quinto filho de seus pais biológicos, o agricultor Manoel Vieira de Araújo Peixoto e Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto. Entretanto, quem se responsabilizou por Floriano foi seu tio, o Coronel José Vieira de Araújo Peixoto, que era dono de vários engenhos.

A mãe de Floriano não queria criá-lo porque já tinha muitos filhos. O Coronel Peixoto tomou-o então como filho adotivo, vivendo na Casa Grande e criado pelas mulheres escravizadas. Viveu grande parte de sua vida no internato de colégios e ingressou na Escola Militar em 1857. Sendo bem reconhecido e estimado entre seus colegas, foi cada vez mais subindo em sua carreira.

Floriano casou-se com Josiana Vieira Peixoto, filha de seu tio, em 1872. O Coronel José Peixoto estava contente com essa união. Em 1974, quando Floriano ocupou o cargo de coronel, nasceu também sua primeira filha, Ana. Floriano teve, ao total, 8 filhos. Em 1889, foi promovido ao posto de Marechal de Campo.

O Marechal Floriano Peixoto foi presidente do Senado e mais tarde, em 1981, vice-presidente do país. No mesmo ano, tornou-se presidente do país devido a uma crise enfrentada pelo então presidente, Deodoro da Fonseca. Estava prestes a se tornar uma das figuras históricas mais conhecidas, um firme e autoritário presidente militar, quando morreu em 29 de junho de 1895.

Esse perfil sumamente militar de Floriano é importante para entender sua trajetória militar e política. Além disso, seu período de governo ficou conhecido como República da Espada. Assim, é possível vislumbrar de que maneira esse presidente afetou a história do Brasil e as direções para as quais o país tomou.

Carreira militar e política de Floriano Peixoto

Floriano Peixoto foi acima de tudo um militar e, no fim de sua carreira, foi considerado o “Marechal de Ferro” ou mesmo o “Consolidador da República”. Seu mandato presidencial foi marcado por sucessivas revoltas, as quais Floriano tratou com rigidez e perseguição, sendo conhecido como “República da Espada”. Como seu governo simbolizava ainda uma transição da República no país, enfrentou algumas adversidades.

Carreira Militar

Floriano entrou em 1857 na Escola Militar, tornando-se um aluno reconhecido por suas habilidades e bem quisto por seus colegas. Em 1861, foi promovido a cabo e depois a 2º sargento. Assim foi progredindo em sua carreira militar, sendo conhecido também como um comandante em batalhas.

Participou da Guerra do Paraguai comandando soldados e cumprindo seus deveres. Foi bastante elogiado por seus feitos, premiado em 1869 ao cargo de major por sua bravura e competência, conforme os seus pares. Foi ainda condecorado, premiado e agraciado em diversas ocasiões. Desse modo, Floriano foi um militar eficiente do Império.

O cargo de Marechal foi dado a ele em 1889, pouco antes de, em 1891, ser eleito vice-presidente e mais tarde se tornar o presidente do país. Apesar de sua vida se concentrar mais concretamente na política desde então, ele sempre manteve o perfil militar que aprendeu durante sua vida.

Presidência da República

O Marechal Floriano Peixoto sempre foi evasivo, “no meio do muro” antes de seu cargo de presidente. Ele assistia aos conflitos políticos que aconteciam no Brasil de longe, sempre se esquivando de se posicionar. Quando foi colocado ao posto de presidente do país, seu perfil parecia ter mudado – tornou-se autoritário, firme, rígido e positivo.

De fato, Floriano não conquistou o poder, mas deram-lhe. Com a derrubada do posto de presidente de Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, como vice, ascenderia ao cargo. Sempre procurou cumprir suas ordens e obrigações. Desse modo, mesmo como presidente, ele foi essencialmente um militar.

Revoltas e Revoluções

Mesmo antes do governo de Deodoro da Fonseca havia uma tensão entre os federalistas e os republicanos. Floriano Peixoto se posicionava entre os republicanos. Em 1892, esse conflito acabou desembocando em uma luta armada. Floriano perseguiu os seus opositores, que, derrotados em 1893, tiveram de migrar para o Uruguai. Entretanto, a força oposicionista continuou revidando, tendo como principal palco da batalha o Rio Grande do Sul.

As reações continuaram e, no mesmo ano, eclodiu o que ficou conhecido como Revolta da Armada. Essa batalha resultou em bombardeios da capital, no Rio de Janeiro, cessando somente com um acordo realizado entre Floriano e a oposição.

Mesmo após essa parada temporária dos conflitos, as batalhas armadas continuaram entre os grupos opostos. Ainda em 1893, começou um período em que se iniciaria a Revolução Federalista em uma guerra civil. Os federalistas reivindicavam que o governo permitisse uma maior autonomia dos estados. A crise foi resolvida não por Floriano Peixoto, mas por seu sucessor, Prudente de Morais.

Sucessão Presidencial

Perto do fim do mandato de Floriano, era discutida qual seria a candidatura de seu sucessor. O Partido Republicado Federal lançou Prudente de Morais, que não era a indicação preferida do próprio Floriano Peixoto. O ex-presidente sequer foi no dia de posse do seu sucessor.

A posse de Prudente de Morais ocorreu no dia 15 de novembro de 1894. Nessa época, Floriano já tinha uma saúde debilitada e aproveitou o fim de seu governo para se cuidar. No ano seguinte, em 29 de junho de 1895, faleceu em uma fazenda em Barra Mansa, no Rio de Janeiro.

Floriano Peixoto foi, depois, homenageado em diversas ocasiões. Em vida, procurou defender sua posição e a legitimidade de seu governo, assim como o fez quando atuava como militar. Desse modo, como o segundo presidente do Brasil, Floriano Peixoto ainda é muito lembrado.

5 curiosidades sobre Floriano Peixoto

Sendo uma figura histórica importante, Floriano Peixoto foi homenageado e está presente em diversos aspectos da cultura nacional. Assim, alguns pontos não tratados da história de sua vida podem ser interessantes para avaliar sua importância na história brasileira.

  1. Floriano Peixoto foi o quinto filho de seus pais biológicos que tiveram, no total, 10 filhos. Foi sua mãe que pediu ao cunhado – tio de Floriano – que cuidasse dele.
  2. O distrito em Barra Mansa, no Rio de Janeiro, onde Floriano morreu, recebeu o nome “Floriano” em 1951.
  3. A capital de Santa Catarina, Florianópolis, tem seu nome em homenagem e inspiração a Floriano Peixoto.
  4. Em 1939, a face e o nome de Floriano Peixoto ganharam a inscrição na moeda nacional de 2000 réis.
  5. Floriano Peixoto aparece como um personagem no livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Seja como um herói homenageado em nomes de lugares ou como um personagem autoritário e criticado na obra de Lima Barreto, Floriano Peixoto trata-se de uma figura central para entender a República brasileira que estava por nascer. Consequentemente, estudar a vida desse militar é também compreender melhor uma parte do passado do Brasil.

Entenda mais sobre Floriano Peixoto

A vida de Floriano Peixoto é cheia de nuances e ele representa um símbolo de heroísmo para muitas pessoas. Ao mesmo tempo, ele foi também um líder bastante rígido e militarizado. Esses aspectos da vida de Floriano podem ser melhor aprofundadas na lista de materiais audiovisuais selecionados a seguir.

Como foi a presidência de Floriano Peixoto

Essa animação sobre o governo de Floriano Peixoto ilustra rapidamente alguns aspectos da liderança desse presidente durante o seu mandato.

Floriano Peixoto: o segundo presidente do Brasil

Nessa série sobre presidentes do Brasil, Floriano Peixoto, o segundo nessa ordem, é apresentado por Jan Theophilo.

Floriano Peixoto: A Esfinge

Nessa animação sobre uma parte da vida de Floriano Peixoto, é apresentada a razão do marechal ser apelidado de “A Esfinge”, dentre outros apelidos que ele recebeu pela história.

Um resumo do contexto histórico de Floriano Peixoto

O Prof. Fábio Ribeiro apresenta um resumo do contexto histórico em que surgiu a figura do Floriano Peixoto, e como a personalidade desse presidente acabou se disseminando na cultura nacional.

Floriano Peixoto, um republicano

Confira esse material audiovisual e didático sobre Floriano Peixoto, explicando melhor a respeito da filosofia republicana e como ela foi instaurada no Brasil.

Floriano Peixoto pode ser considerado rígido e austero durante sua presidência, mas nem sempre foi assim. Suas políticas no tratamento dos problemas do Brasil afetaram o curso da história e, atualmente, é possível refletir sobre o contexto atual do país pensando esse personagem histórico.

De fato, a presidência de Floriano Peixoto pode ser discutida a partir do ideal republicano e das tentativas de implementação dessa “nova” forma de governo no Brasil. O caráter militar do presidente acabou marcando sua trajetória e o Brasil. Consequentemente, é necessário considerar Floriano dentro de seu contexto social e histórico para pensar os fatos que foram importantes na época e possuem efeitos políticos hoje.

Referências

Floriano Peixoto – Renato Lemos;

Floriano Peixoto. Vida e governo – Francolino Camêu e Arthur Vieira Peixoto;

A diplomacia do Marechal – intervenção estrangeira na Revolta da Armada – Sergio Corrêa da Costa.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [Mackenzie]

“Policarpo era um patriota; monarquista conservador, foi ardoroso defensor do governo (forte) de Floriano a favor do qual engajou-se na luta contra a Armada rebelada. Acabou preso, condenado e executado. Teve um triste fim.” (Afonso H. Lima Barreto, TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA).

O período da República referido no texto é:

A) a República da Espada.
B) o Estado Novo.
C) a República dos Coronéis.
D) a República Nova.
E) a Fase Populista.

Resposta: A

Justificativa: o governo de Floriano Peixoto ficou conhecido como República da Espada, em parte pela forma como ele lidava com as revoltas armadas que ocorriam na época. Foi um presidente que era sobretudo militar, e ao mesmo tempo um líder que tentou implementar a República no Brasil em um momento de transição.

2. [FGV]

“Vai-se o marechal ingente, / vai-se o grande alagoano. / E eu leitor, digo somente: Floriano foi um prudente; / seja o Prudente um Floriano.” Essa é uma quadrinha do escritor Artur de Azevedo. A respeito dos personagens e do período aos quais se refere podemos dizer que:

A) O escritor, como um crítico dos governos militares, posicionara-se contra a decretação do estado de sítio e o fechamento do Congresso por parte de Floriano Peixoto.
B) O escritor, como um defensor dos ideais socialistas no Brasil, fora contrário ao estado de sítio decretado por Deodoro da Fonseca e prorrogado por Floriano Peixoto.
C) O escritor, como um defensor do “marechal de ferro”, mostrava-se satisfeito com a prudência do presidente que, com pulso firme, havia debelado a Revolta de Canudos.
D) O escritor, como um admirador de Floriano Peixoto, saudava a prudência do ex-presidente, que teve de lidar com a Revolução Federalista e com a Revolta da Armada.
E) O escritor, como um democrata, reconhecia o despojamento de Floriano, que aceitou a realização imediata de eleições logo após a renúncia de Deodoro da Fonseca.

Resposta: D

Justificativa: mesmo que não se conheça o autor, seu texto demonstra uma admiração por Floriano Peixoto e o desejo de ver no novo presidente as qualidades do anterior. Floriano teve de lidar com a Revolução Federalista e com a Revolta da Armada, ao contrário do que afirmam as demais alternativas.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO