Farc

As Farc ( Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) compõem uma guerrilha que atuou por mais de 50 ano desde 1966 até um recente acordo de paz. Buscavam a justiça social mas com o tempo, se tornaram uma força a ser combatida na América Latida pelo seu alto envolvimento com o narcotráfico.

As FARC abrangem uma guerrilha colombiana tem suas raízes na guerra civil que torturou o país a partir do final dos anos 1940. Foi provocada por um choque entre partes do partido conservador e do partido liberal.

Este último adotava uma posição um pouco mais avançada sobre a necessidade de colocar em prática um modelo de desenvolvimento nacional, até para conseguir apoio popular contra os conservadores.

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O episódio que provocou a guerra civil na Colômbia de fato, foi o assassinato, em 09 de abril de 1948, do caudilho liberal e populista Jorge Eliécer Gaitán, militante da ala radical do Partido Liberal, que havia fundado a União Nacional de Esquerda Revolucionária e que liderava uma campanha a favor de reformas políticas e sociais (contra a corrupção política, a fraude eleitoral e os privilégios).

Na campanha presidencial, o candidato assassinado contava com o apoio e refletia o anseio dos trabalhadores. A notícia de sua morte causou uma onda de manifestações de operários e camponeses em todo o país.

O mundo vivia o início da Guerra Fria e a revolta foi considerada insuportável pela Casa Branca. Os conservadores colombianos, no poder, receberam instruções de Washington para desencadear a repressão, o que deu lugar ao período situado entre 1948 e 1953 conhecido como “La Violencia”.

O conflito entre os dois partidos se expandiu e atingiu o campo, desencadeando uma onda de violência sem precedentes. Patrocinados por políticos dos grandes centros urbanos, os líderes rurais, juntamente com os seus bandos, passaram a usar a identificação partidária como pretexto e justificativa para as ambições pessoais.

O Partido Comunista Colombiano surge

Diante deste processo violento, os camponeses organizados pelo Partido Comunista Colombiano (PCC), então na clandestinidade, organizaram os primeiros focos de resistência armada, assumindo a luta, a partir de então, pela sua própria existência e também pela defesa de seus interesses.

Diante deste quadro desestabilizador, foi instalado o governo militar do General Rojas Pinilla (1953-1957), com o objetivo de pacificar e solucionar a crise social pela qual passava o país.

Em 1958, culmina um entendimento entre os partidos (Liberal e Conservador) que fica conhecido como Frente Nacional, o que possibilitou um monopólio no poder, distribuição de forma igualitária dos cargos públicos, postos de representação e alternância de forma pactuada na presidência.

Paralelo a estes acontecimentos, no campo os grupos de autodefesa que haviam sido organizados pelo PCC (guerrilhas comunistas) em resposta à brutalidade oficial no período de La Violência e que não tinham se desmobilizado militarmente, mesmo diante da política de paz e anistia do presidente Alberto Lleras Camargo, abandonaram a mobilidade e começaram a criar zonas de “colonização armada” ou regiões de autodefesas.

Resistência e incômodo estatal

Essa resistência, gradativamente passou a incomodar o governo da coalizão que, em 1964, intitula esses grupos de “repúblicas independentes” e ordena um bombardeio aéreo sobre a região considerada insurgente.

Esses núcleos resistem aos ataques e se transformam no embrião que posteriormente vai gerar o movimento guerrilheiro. Esse foi o quadro interno que gerou a guerrilha, ela nasceu de uma situação insuportável em função de um histórico conflito político e de extrema pobreza.

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Os fatores externos que estão associados ao surgimento do movimento revolucionário na Colômbia, são dois: a Guerra Fria que produziu um enfrentamento entre o mundo socialista e o mundo capitalista, e que permitiu que os conflitos político/sociais, na América Latina, fossem vistos como subprodutos do enfrentamento global e tratados com base na “Doutrina de Segurança Nacional”.

Revolução Cubana inspira

E a Revolução Cubana (1959), que inspirou vários movimentos de esquerda que surgem entre os anos de 1964 a 1967, entre eles encontram-se as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército Popular (FARC-EP), que se destacaram por sua perseverança e capacidade operativa.

Em maio do mesmo ano, o Exército colombiano iniciou os ataques a esta região, patrocinados pelos Estados Unidos através do plano Latin American Security Operation (Plano Laso), que tinha por objetivo eliminar as denominadas regiões de autodefesas.

Programou-se operações de ofensiva contra as regiões de autodefesas com apoio estadunidense às Forças Armadas da Colômbia, através de investimentos econômicos, envio de homens, materiais e equipamentos bélicos.

Esses ataques não conseguiram aniquilar o movimento, que, no calor do combate e através de uma assembléia geral de guerrilheiros, no dia 20 de julho de 1964, anunciou o Programa Agrário dos Guerrilheiros.

Década de 1970 e 1980: Processo de mudança estrutural e política das Farc

Durante a década de 1970, o movimento, através das conferências realizadas, procurou estabelecer um projeto educativo, cujo objetivo principal era a formação ideológica no momento em que se defendia a ideia de expansão pelo território colombiano, pautada principalmente nos planos de desenvolvimento militar.

Durante a primeira década da sua existência, as Farc não cresceram tanto em seu contingente, contando com cerca de 1.000 homens no início dos anos 1980.

Nesse primeiro momento, as atividades do grupo guerrilheiro consistiam basicamente de recebimento de doações de Cuba, além das enormes quantias de dinheiro nos sequestros de políticos e membros da elite colombiana.

No entanto, foi a partir principalmente do estabelecimento do Secretariado, uma espécie de liderança interna e da adoção da nova nomenclatura Farc-EP, referente a Forças Armadas Revolucionárias Colombianas  —  Exército Popular, que as Farc se viram diante de um cenário dividido: se, de um lado, a organização passou a crescer como nunca, tanto em contingente quanto financeiramente; por um outro lado, sua popularidade declinou drasticamente perante a população.

Apoio popular em queda

Essa queda do apoio popular à guerrilha se deu pelo crescente número de civis mortos que suas atividades ilícitas  —  como sequestros, extorsões e atentados  —  tinham como consequência.

Então, se até o início da década de 1980, a captação de recursos era somente via doações e sequestros, no final dessa mesma década a participação do grupo guerrilheiro em episódios de controle de fontes de energia e atentados contra a população civil se tornaram cada vez mais constantes.

Com essas novas estratégias de financiamento, junto ao controle que a guerrilha passou a exercer sobre territórios produtores de drogas ilícitas como a maconha e a cocaína, o crescimento da receita da guerrilha foi iminente.

Com a sua associação ao narcotráfico para fins financeiros e a crimes cada vez mais violentos, as Farc passaram a ser reconhecidas tanto como ameaça ao Estado colombiano quanto como ameaça internacional, uma vez que suas ações e fugas ultrapassaram, em diversos episódios, as fronteiras colombianas.

Assim, o apaziguamento desse conflito entre guerrilha e Estado se tornava cada vez mais urgente e necessário.

Negociando a paz

A primeira tentativa de diálogo do governo colombiano com as Farc se deu já em 1982, durante o governo de Belisario Betancur (1982-1986).

O processo de negociação foi visto como bem sucedido e, depois de anos com mediação de Havana, seus resultados foram firmados nos Acordos de la Uribe (1984).

Entre os pontos discutidos, estavam o cessar-fogo bilateral e o estabelecimento da União Patriótica, partido representante das Farc que atuou na esfera política colombiana a partir de 1985.

Mas já em 1987, principalmente devido a continuidade dos ataques surpresa cometidos pelo grupo guerrilheiro, os Acordos de Uribe foram suspensos pela violência ascendente empregada pelo grupo guerrilheiro, que usufruiu de extorsões e sequestros em troca de dinheiro.

Já em 1990, César Gaviria Trujillo assumiu a presidência da Colômbia e, entre suas principais propostas, destacava-se a iniciativa de apaziguar as Farc através do diálogo.

Enquanto as conversas do governo com o grupo guerrilheiro se desenvolviam, as Forças Armadas do país tomaram a Casa Verde, então considerada quartel general das Farc.

A atitude almejava matar os líderes do grupo guerrilheiro, mas não foi bem sucedida, e acabou sendo entendida pelas Farc como uma suspensão das conversas com o governo.

Um dos principais entraves das negociações de paz foi superado no final de 2015, quando definiram a primeira data para o acordo final entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro, então previsto para 23 de março de 2016.

A paz reina

No entanto, o dia chega e o acordo final é postergado indefinidamente, criando um clima de pessimismo na população colombiana.

Apenas em 23 de agosto de 2016 é que as negociações foram concluídas, totalizando mais de três anos de conversas. Alguns dias depois, teve início o cessar-fogo bilateral definitivo, atitude que não ocorria desde 1984.

O acordo final foi assinado na cidade colombiana de Cartagena das Índias, em setembro. O processo foi o mais duradouro e mais bem sucedido da história do conflito colombiano, sob a ótica internacional.

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Farc: Partido Político

Em 1º de setembro de 2017, as Farc voltaram ao cenário político retendo sua sigla porém com outro significado para concorrer as eleições colombianas. Agora como “Força Alternativa Revolucionária do Comum”, as Farc enfrentam processos eleitorais para que possam concorrer com outros partidos colombianos.

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Referências

FARC-EP: o mais longo processo de luta revolucionária da América Latina – Diego B. Ceará

FARC-EP. Notas para una historia política – C. M. Gallego

As FARC: Dimensão Organizacional e Política –  J. F. Medina

Ensayos sobre seguridad y defensa – A. V. Velásquez

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Teste seu conhecimento

01. [UFG]: Leia o texto e, em seguida, assinale a alternativa correta.

O caráter informal, dinâmico, flexível e mutável do combate irregular tem contrariado o cientificismo acadêmico, frustrando as experiências daqueles que procuram, em vão, por padrões doutrinários rígidos, aplicáveis com a mesma abrangência ancorada na guerra irregular. A dificuldade em se redigir conceitos didáticos que se encaixem integralmente em contextos históricos muito distintos motivou o surgimento, ao longo do tempo, de uma série de termos e definições de uso comum, como “pequena guerra” (kleinkrieg), “guerra de partisans” (partisan warfare), “guerra não convencional” (unconventional warfare), “guerra irregular” (irregular warfare) e “conflito de baixa intensidade” (CBI), para citar alguns exemplos. (VISACRO, Alessandro. Guerra Irregular: terrorismo, guerrilha e movimentos de resistência ao longo da história. São Paulo: Contexto, 2009. p. 222).

Partindo do trecho acima, é possível afirmar que se enquadram na categoria de “guerra irregular” ou “guerrilha”:

a) o EI (Estado Islâmico) e as Suhoputnye voyska Rossiyskoy Federatsii (Forças Terrestres da Federação Russa).

 

b) as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e a Guerrilha do Araguaia

 

c) o Exército Napoleônico e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)

 

d) o EI (Estado Islâmico) e o Tzahal (Exército de Defesa de Israel)

 

e) a FAB (Força Aérea Brasileira) e RAF (Royal Air Force britânica)

 

 

02. [IBMEC]:  Recentemente (julho de 2005) o IRA (Exército Republicano Irlandês) anunciou publicamente, depois de quase cem anos de sua fundação, o fim das ações terroristas. Esse grupo sempre empunhou a bandeira da reunificação da Irlanda e, portanto, a sua separação do Reino Unido. A imprensa nacional e internacional aventa que tal medida pode estar ligada:

 

a) à possibilidade, ainda neste ano, do primeiro ministro Tony Blair assinar a definitiva separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e a sua tão esperada unificação com a República da Irlanda.

 

b) à percepção de que os atos terroristas não levam a lugar nenhum, uma vez que, depois de quase cem anos de existência, o IRA não conseguiu realizar nenhum acordo com o governo britânico.

 

c) à mudança dos membros do alto escalão do IRA, menos comprometidos com a causa da libertação da Irlanda do Norte e mais preocupados em manter acordos com guerrilheiros muçulmanos (Al Qaeda) e colombianos (Farc).

 

d) aos ataques muçulmanos a Londres, pois esses teriam “roubado” do IRA o seu terreno de ação, levando as pessoas a confundir as organizações e a aumentar a aversão às práticas terroristas do grupo irlandês.

 

e) ao grupo unionista da Irlanda do Norte, liderado pelo pastor Ian Paisley, cada vez mais forte dentro do país, que vem gradativamente desmontando o grupo separatista e trazendo a público suas ligações com a máfia irlandesa.

01. [UFG]

Resposta: B

Tanto as FARC quanto a Guerrilha do Araguaia caracterizam-se pelo emprego de métodos típicos da guerrilha, como a instalação de focos revolucionários em regiões de mata fechada com vistas à propagação da revolução por todo o país.

02. [IBMEC]

Resposta: D

Desde que os ataque terroristas promovidos por grupos muçulmanos começaram na Irlanda também, o grupo IRA tem diminuído suas ações pois a população passou a confundi-las.

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