Dissolução da Iugoslávia

Até 1991, a Iugoslávia foi uma federação socialista formada por seis repúblicas: Sérvia, Eslovênia, Macedônia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro.

A dissolução da Iugoslávia se assemelha muito ao fim da URSS. Blocos socialistas acabam por perder forças ao final do século XX. Estes, por sua vez, acabam separando-se, originando novas nações.

Em 1945, sete países do Leste europeu encontravam-se na zona de influência da URSS – Bulgária, Romênia, Polônia, Iugoslávia, Tchecoslosváquia, Hungria e Albânia – mais a parte oriental da Alemanha. Toda essa região havia sofrido duramente com a ocupação nazista e, por isso, precisava se recuperar.

Logo depois da Segunda Guerra, em vários desses países foram constituídos governos de coalizão, reunindo setores da sociedade que haviam participado dos movimentos de resistência à ocupação nazista. Os governos conseguiram superar as divergências internas e elaborar um programa mínimo para a reconstrução de seus países.

dissolução da Iugoslávia
Mapa após a dissolução da Iugoslávia. (Imagem: Reprodução)

Em geral, esses programas previam a nacionalização de setores da economia e a redistribuição das terras ocupadas pelos nazistas e seus colaboradores, além daquelas pertencentes aos proprietários que haviam abandonado o país.

O caso e a dissolução da Iugoslávia

A Iugoslávia constituiu um caso à parte no Leste europeu. A expulsão dos nazistas foi obra dos próprios iugoslavos, comandados por seu maio líder, Josip Broz Tito, o marechal Tito.

Apoiado principalmente pelo pequeno campesinato, o movimento de libertação, à medida que avançava, promovia o confisco de propriedades e a reforma agrária.

Assim, o estabelecimento do Estado socialista da Iugoslávia ocorreu paralelamente à luta contra a ocupação nazista e seus colaboradores.

Imagem: Reprodução

Em janeiro de 1946, uma Assembleia Constituinte proclamou a nova forma de organização da Iugoslávia. A monarquia, abolida durante a Segunda Guerra, deu lugar a seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Montenegro.

A Sérvia reunia em suas fronteiras duas províncias autônomas, sendo uma delas Kosovo, onde a maioria da população era de origem albanesa.

Apoiando-se em sua enorme popularidade, Tito procurou seguir uma orientação independente de Moscou. Ao contrário dos dos soviéticos, os iugoslavos promoveram a descentralização política e administrativa, dando prioridade à gestão local e reduzindo a intervenção do governo central.

Com isso, Tito atraiu para si o ódio de Stalin, que não admitia dissidências nem manifestações de autonomia. Assim, em 1948 a União Soviética rompeu relações diplomáticas com a Iugoslávia.

Apesar do rompimento, Tito conseguiu governar durante várias décadas, neutralizando as tensões entre as diversas etnias que compunham a população iugoslava.

Depois de sua morte, as diferenças étnicas e religiosas se acirram, desencadeando sérios confrontos.

O fim da Iugoslávia

Até 1991, a Iugoslávia se manteve como uma federação socialista formada pelos seis países: Sérvia, Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bósnia-Herzegovina e Montenegro.

A mais forte e mais populosa dessas repúblicas era a Sérvia, cujos habitantes professam a religião cristã ortodoxa, em contraste com os bósnios, que são muçulmanos, e com aos croatas, católicos em sua maioria

A despeito dessas diferenças, a Iugoslávia permaneceu unificada durante várias décadas, sob a liderança do marechal Tito. Em 1980, porém, com a morte do líder, estabeleceu-se um sistema de rodízio de governo, pelo qual a Presidência do país passou a ser exercida, a cada ano, pelo representante de uma das repúblicas.

As guerras pela independência

Em 1991, entretanto, a Croácia e a Eslovênia se separaram da federação, declarando independência.

Em represália, o Exército iugoslavo, controlado pelos sérvios, invadiu os dois países, dando início à guerra civil. No ano seguinte, a Macedônia e a Bósnia-Herzegovina também se declararam independentes. A decisão não foi aceita pelos sérvios residentes na Bósnia, provocando uma rebelião que degenerou em violenta guerra civil o interior da república.

A Iugoslávia via-se, assim, às voltas com duas guerras civis: uma envolvendo a Sérvia, a Croácia e a Eslovênia; a outra colocando em confronto os sérvios e os bósnios na Bósnia-Herzegovina. Esses conflitos foram suspensos em 1995 por meio de alguns acordos de paz mediados pelos Estados Unidos.

A partir de então, a Iugoslávia ficou reduzida às repúblicas da Sérvia e Montenegro . Em 1997, teve início uma nova guerra civil envolvendo a província do Kosovo, na Sérvia. Com o fim do conflito em 1999, e o afastamento do presidente Slobodan Milosevic, a Iugoslávia ingressou finalmente na transição para a democracia.

Em fevereiro de 2003, a República Federal da Iugoslávia foi declarada extinta pelo Parlamento iugoslavo em sua última sessão.

Em seu lugar foi criado o Estado da Sérvia e Montenegro . Em 2006, os eleitores de Montenegro votaram pela independência de Montenegro da sua união com a Sérvia. Em 3 de junho de 2006, Montenegro declarou sua independência formalmente, com a Sérvia seguindo o exemplo dois dias depois.

desintegração da Iugoslávia
Imagem: Reprodução

Em 17 de fevereiro de 2008, o Kosovo declarou independência da Sérvia efetivamente, provocando a dissolução da Iugoslávia, acabando com quaisquer vestígios do antigo bloco.

Referências

História – Divalte Garcia Figueira

Sobre causas do desmembramento da Federação Iugoslava – Rodrigo Cintra

A destruição da Iugoslávia – João Quartim de Moraes

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Teste seu conhecimento

01. [UFJF]: Sobre os conflitos que atingiram a antiga Iugoslávia, marque a alternativa errada:

a) trata-se de um dos mais antigos conflitos europeus, cujas raízes, dentre outras, encontram-se na diversidade étnica dos povos que habitam as várias unidades políticas da região.

b) um dos momentos significativos dos conflitos na região ocorreu às vésperas da I Guerra Mundial, com as chamadas Guerras Balcânicas.

c) a crise do Leste europeu favoreceu a fragmentação da região, levando à eclosão das rivalidades nacionais.

d) após a II Guerra Mundial, com a liderança de Tito, a Iugoslávia manteve-se unida sob uma economia capitalista.

e) um traço marcante do conflito é a diversidade religiosa que opõe, genericamente, cristãos ortodoxos, católicos e muçulmanos.

02. [UFPE]: Na(s) questão(ões) a seguir, assinale os itens corretos e os itens errados:

Após a reunião de Versalhes, em 1919, e a assinatura dos Tratados de Saint Germain, Trianon, Neully e o de Sevres, o mapa político europeu sofreu as seguintes modificações:

(0) Do desmembramento do Império Austro-húngaro resultou a formação da Áustria, Hungria, Tchecoslováquia e Romênia.

(1) Pelo Tratado de Saint Germain, a Sérvia e o Montenegro foram unidos para a formação da Iugoslávia, a qual, através do Tratado de Neully, integrou também a Macedônia ocidental, antes pertencente à Bulgária.

(2) A Polônia foi reconstruída com parte de territórios da Rússia, da Áustria e da Alemanha.

(3) Com o Tratado de Serves, o Império Turco perdeu territórios para a formação do Iraque, da Armênia e do Iêmen.

(4) Pelo Tratado de Trianon, a Hungria perdeu a Eslováquia para a Tchecoslováquia, a Croácia para a Iugoslávia e a Transilvânia para a Romênia.

01. [UFJF]

Resposta: D

Sob a liderança de Tito, após a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia manteve-se unida, mas não sob uma economia capitalista clássica, mas sim sob um sistema econômico semelhante ao soviético, que geralmente é denominado de comunismo.

02. [UFPE]:

Resposta: F V V F V

A afirmativa 0 é falsa porque a Romênia não surgiu do Império Austro-Húngaro, ocorrendo apenas sua expansão territorial. A 3 é falsa porque a Mesopotâmia, onde se localiza o Iraque, ficou sob domínio britânico.

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