Curdos

Os Curdos são o grupo étnico de maior número populacional sem um território geográfico definido.

Os curdos são integrantes de um grupo étnico que se auto-intitula pertencente a uma delimitada região do Oriente Médio. A esta região, denomina-se Curdistão. Abrangendo um largo território que incorpora Irã, Iraque, Síria e Turquia. Estima-se que cerca de 25 milhões de pessoas componham esse grupo étnico.

O principal objetivo deste grupo é a conquista da independência política e geográfica das quatro nações que reivindica. Os combates vêm sendo contidos de forma violenta para inibir esse avanço curdo, sobretudo nas regiões do Iraque e Turquia. Para ciência, no Iraque, os curdos se localizam em uma região rica em petróleo. O ditador Saddam Hussein, nos anos 1980, ordenou ataque com armas químicas na região. O resultado: mais de cinco mil curdos mortos.

Após esse genocídio, o Iraque acabou sofrendo uma forte pressão dos demais países para um projeto destinado aos curdos. Uma zona de segurança, no norte do país, assim, fora criado. Nesta específica região, há uma concentração e segregação de um povo que ainda parece distante de alcançar seus objetivos.

Curdos de duas gerações.
Os curdos ainda buscam por uma Terra para chamarem de lar. (Imagem: Reprodução)

A Questão Curda

Com milhões de integrantes nesse grupo étnico, estes habitantes apresentam uma reivindicação forte. Professando a religião islã, apresentando uma cultura própria e incorporando a ocupação de uma área delimitada. Tudo o que uma característica nação teria. Teria. Todavia, a questão curda é estabelecida no fato deste grupo formar a maior nação sem um estado geográfico delimitado.

Remetendo-se à história, mais precisamente à Segunda Guerra Mundial, os Curdos viviam nas regiões correspondentes aos Impérios Persa e Turco-Otomano. Nos dias atuais, com toda a repressão vivida, ocupam as regiões norte/sul de Iraque e Turquia, respectivamente. Na região do Iraque, uma forte política segregacionista sanguinária fora vivida durante o governo de Saddam Hussein. Qualquer ativismo oriundo dos Curdos era combatido pelo ditador com o uso de armas químicas.

Repressão no Iraque

Em resposta às duras repressões outrora vividas no Iraque, e atualmente muito fortes na Turquia, os Curdos organizaram-se. Instituíram, assim, grupos armados com ligação a um partido criado – o PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos). Definidos como terroristas, este grupo atua de forma violenta e promovendo o terror ao governo. Por meio de carros-bomba ou ainda atentados públicos, o objetivo é ser visto, mesmo que de uma forma negativa.

Os ataques têm se concentrado com recorrência na região da Turquia e atualmente em meio à crise Síria. Inclusive, um dos bloqueios para a Turquia ingressar na União Europeia é exatamente essa repressão contra os Curdos. Segundo os integrantes, países antidemocráticos e que ferem os direitos humanos são impedidos de ingressar no acordo.

Dessa forma, os curdos estão como cabeças-chave em diversos conflitos e em meio a disputas geopolíticas. No Iraque, o povo é um dos mais resistentes quanto ao avanço do Estado Islâmico. Já na Síria, uma grande parcela do grupo se mostra contra o governo de Basha Al-Assad. Por causa disso, uma complexa disputa territorial, política e cultural acomete um grupo étnico que ainda busca um Estado/Nação territorial.

O que falta para os Curdos conquistarem o seu objetivo?

Basicamente, para a constituição de seu Estado territorial, os Curdos estão bastante distantes. Entre os problemas, é possível destacar alguns:

  • A atuação do PKK com caráter terrorista;
  • Território reivindicado abrange, no total, seis diferentes nações;
  • Ausência de influência política que colocam a luta curda como coadjuvante entre os problemas geopolíticos vividos no Oriente Médio;

Referências

AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. Editora Ática, São Paulo-SP, 1ª edição. 2007, 592 p.

Mateus Bunde
Prof. Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

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