Contracultura

A contracultura surgiu nos Estados Unidos na década de 1960. Pode ser entendida como um movimento de contestação de caráter social e cultural e que ganhou força principalmente entre os jovens.

Contracultura foi o nome que recebeu o movimento de jovens na segunda metade da década de 1960 do século XX, principalmente universitários norte-americanos de classe média que se recusavam a cumprir serviço militar em função da Guerra do Vietnã, e, que buscando uma vida alternativa, negava a sociedade tecnológica e de alto consumo.

Contracultura: Precedentes do movimento

O que permitiu a emergência desta categoria social foram as transformações decorrentes do período após a Segunda-Guerra.

Para o historiador Eric Hobsbawm esse período pode ser chamado de “era dourada”, pois foi marcado por um desenvolvimento econômico sem precedentes, permitindo não apenas consolidar os Estados Unidos como potência mundial, mas a reconstrução da Europa e o enfrentamento do subdesenvolvimento na América Latina.

A explosão demográfica, conhecida como “babyboom”, foi fruto de uma euforia decorrente do otimismo, refletido em números, do período que sucedeu a grande catástrofe.

Foi neste período que se consolidou a televisão como utensílio doméstico. O crescimento econômico permitia o surgimento de uma nova, e ampliada, classe média nas áreas metropolitanas, e não apenas nos países desenvolvidos.

São os filhos dessa nova classe média que vão formar o “exército” da contracultura. Formados pela televisão, tiveram acesso a uma informação mais variada e escolaridade ampliada. Com mais tempo, mais informação e mais dinheiro, passaram não só a consumir quanto questionar a sociedade de consumo.

contracultura
Imagem: Reprodução

Surge assim a categoria social do jovem; consumidor de um lado, sim, mas também pronta para exigir seus direitos de cidadania. Trata-se portanto, de uma nova configuração histórica com todas suas conseqüências.

A contracultura é, neste sentido básico, uma criação norte-americana que influenciou jovens no mundo todo, inclusive no mundo comunista, apesar das restrições de informações.

E um ato de rebeldia contra as normas vigentes em todos os níveis: intelectuais, morais e estéticos. Uma revolução cultural mais do que política, apesar das grandes conseqüências políticas.

A contracultura no Brasil

No Brasil, o presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) implantou um Plano de Metas que permitiu a instalação da indústria automobilística e a construção de Brasília, apesar do alto endividamento externo.

A década de 1960 foi marcada por uma profunda agitação política e diversas correntes culturais. Havia a cultura engajada dos Centros Populares de Cultura que continha uma intensa militância política na qual uma parte do movimento da bossa nova evoluiu para as canções de protesto com o objetivo de conscientizar as classes populares.

Por outro lado, havia a cultura de consumo, representada pela Jovem Guarda e baseada na cultura do rock cujos maiores representantes eram Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. No meio do caminho entre essas duas correntes surgiu o Tropicalismo, movimento liderado por Caetano Veloso, Gilberto Gil e inspirado no antropofagismo das vanguardas modernistas brasileiras dos anos 1920.

contracultura no Brasil
Imagem: Reprodução

Por não se encaixar nem nos padrões estéticos da cultura engajada esquerdista nem no padrão de consumo industrial, o Tropicalismo teve curta duração.

Influências e inspirações

Os militantes da contracultura refletiam, atuavam e cantavam: no plano intelectual, podiam tanto se dizer inspirados em pensadores como Herbert Marcuse ou Nietszche. Escritores da Beat generation, como o On the road de Jack Kerouac, ou o Uivo de Allen Ginsberg, assim como o inglês Aldous Huxley também tiveram um importante
destaque.

Tudo isso demonstra que a contracultura não significava um movimento anti-intelectual, a favor da ignorância, mas contra a cultura dominante, a favor de uma nova cultura, em todos os níveis, uma cultura alternativa.

No plano estético, o importante papel desempenhado pela música, através da enorme inventividade e talento de várias bandas, cantores e guitarristas.

O iê-iê-iê dos Beatles começava a tocar nos rádios e a embalar a juventude assim como Bob Dylan, Janis Joplin, Jimi Hendrix, entre outros.

contracultura inspirações
Imagem Reprodução

Com o início do movimento hippie, vários jovens começaram a sair de suas casas começando uma jornada na qual nenhum bem material lhes valia, apenas a procura pela tão esperada paz. Esses jovens se entregaram a uma vida regada por
sons, drogas alucinógenas e a busca por outros padrões de comportamento.

O movimento hippie, com sua negação dos valores burgueses e com o enfrentamento da cultura de guerra, promovia passeatas pela paz e questionava o sistema.

O movimento da Contracultura perde força

No entanto, ao chegar na década de 1970, esse mundo começou a ruir, sendo absorvida pela sociedade de mercado. Hoje, pode-se dizer que as lutas políticas da Contracultura pelos direitos civis finalmente vêm obtendo resultados concretos e realistas, e que mesmo se a contracultura tenha sido absorvida pelo mercado algumas questões ainda são importantes na agenda política, como diz o próprio ex-presidente dos Estado Unidos Barack Obama:

“A fúria da contracultura pode ter se dissipado mais em consumismo, opções de vida e preferências musicais do que em comprometimento político, mas os debates relativos a questões raciais, guerra, pobreza e as relações entre os sexos não avançaram”.

Referências

Cultura e contracultura : Relações entre conformismo e utopia – Martin C. Feijó

Os jovens e a contracultura brasileira – Carolina M. Pereira

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Teste seu conhecimento

01. [UNIOESTE]: Na década de 1960, surgiu nos Estados Unidos e Europa um movimento conhecido como contracultura. A respeito deste movimento, assinale a alternativa correta.

a) A Contracultura representou a reação da juventude de classe média contra o estilo de vida baseado no consumismo e no individualismo.

b) No Estados Unidos a contracultura reforçou o estilo de vida americano (america way of life) para resistir às influências do socialismo cubano.

c) Manifestamente imperialista o movimento de contracultura apoiou a participação dos Estados Unidos na guerra contra o Vietnã.

d) A contracultura ficou restrita aos Estados Unidos por se tratar de um movimento de caráter nacionalista.

e) Uma das principais características do movimento de contracultura foi a defesa da padronização de comportamentos e da massificação da cultura.

 

02. [ENEM]:

O ano de 1968 ficou conhecido pela efervescência social, tal como se pode comprovar pelo seguinte trecho, retirado de texto sobre propostas preliminares para uma revolução cultural: “É preciso discutir em todos os lugares e com todos. O dever de ser responsável e pensar politicamente diz respeito a todos, não é privilégio de uma minoria de iniciados. Não devemos nos surpreender com o caos das ideias, pois essa é a condição para a emergência de novas ideias. Os pais do regime devem compreender que autonomia não é uma palavra vã; ela supõe a partilha do poder, ou seja, a mudança de sua natureza. Que ninguém tente rotular o movimento atual; ele não tem etiquetas e não precisa delas”.

Journal de la comune étudiante. Textes et documents. Paris: Seuil, 1969 (adaptado)

Os movimentos sociais, que marcaram o ano de 1968:

a) Foram manifestações desprovidas de conotação política, que tinham o objetivo de questionar a rigidez dos padrões de comportamento social fundados em valores tradicionais da moral religiosa.
b) Restringiram-se às sociedades de países desenvolvidos, onde a industrialização avançada, a penetração dos meios de comunicação de massa e a alienação cultural que deles resultava eram mais evidentes.
c) Resultaram no fortalecimento do conservadorismo político, social e religioso que prevaleceu nos países ocidentais durante as décadas de 70 e 80.
d) Tiveram baixa repercussão no plano político, apesar de seus fortes desdobramentos nos planos social e cultural, expressos na mudança de costumes e na contracultura.
e) Inspiraram futuras mobilizações, como o pacifismo, o ambientalismo, a promoção da equidade de gêneros e a defesa dos direitos das minorias.

01. [UNIOESTE]

Resposta: A

Representada majoritariamente por jovens, a contracultura rejeitava o elogio cego à nação, o trabalho e a rápida ascensão social. Esses jovens buscaram um refúgio contra as instituições e valores que defendiam o consumismo e o cumprimento das obrigações.

 

02. [ENEM]

Resposta: E

Na década de 1960, o mundo sofreu o auge da guerra fria, golpes ditatoriais eclodiam em várias partes do mundo, além de conflitos armados como a Guerra do Vietnã. Nesse momento, vários questionamentos à ordem vigente começaram a surgir principalmente entre os jovens. Dessa maneira, em maio de 1968, uma onda de insatisfação popular iniciada pelos estudantes varreu a França e se espalhou por todo o mundo e por outros segmentos sociais. Além da busca de melhorias na educação e nos direitos civis, estes pregavam a liberdade sexual, a paz, o fim da discriminação social e a proteção ao meio ambiente que inspiraram vários outros movimentos como o movimento hippie, por exemplo.

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