Contracultura

A contracultura é um conceito histórico, mas ao mesmo tempo diz respeito a posturas inconformistas.

A palavra contracultura pode ser confusa de ser entendida, especialmente quando pensamos que o seu oposto, cultura, também é difícil de definir. No entanto, essa expressão ganhou um significado importante em um movimento juvenil que surgiu na década de 1960.

Desde então, falar sobre contracultura significa geralmente uma postura rebelde, oposicionista ou crítica. Para entender como esse termo ganhou essa importância, é importante conhecer a sua história. Veja mais sobre o assunto a seguir.

O que é contracultura?

Existem pelo menos dois sentidos para o termo. O primeiro é mais específico, e diz respeito ao movimento surgido nos Estados Unidos na década de 1960. Nessa acepção, a contracultura foi organizada por jovens interessados em questionar os valores tradicionais e o individualismo ocidental, ou seja, ir contra a cultura dominante.

Em segundo lugar, há um sentido mais abrangente do termo. Esta pressupõe que cultura significa aquilo que é a norma ou tradicional, enquanto a contracultura seria tudo o que faz oposição a esses valores.

Cultura e contracultura

Para a antropologia, cultura recorrentemente diz respeito às organizações e a capacidade simbólica presente nas sociedades humanas. Esse é um sentido utilizado nas pesquisas científicas, mas o movimento da contracultura deu um significado mais específico para o termo.

O movimento considerou cultura o mesmo que a norma, o padrão, ou os valores tradicionais. Desse modo, a contracultura se define pela oposição ao que está estabelecido, além de reivindicar a necessidade de uma transformação das relações sociais.

História da contracultura

Após a Segunda Guerra Mundial, se estabeleceu o que ficou conhecido como Era de Ouro nos Estados Unidos. Nesse período, especialmente a partir da década de 1950, jovens passaram a ingressar no mercado de trabalho mais tarde, ingressar mais nas universidades e se consolidaram como uma classe consumidora.

Assim, na época começaram a ser produzidos meios de consumo – filmes, música, roupas – voltadas para o público jovem. Portanto, a geração que se formou na década de 1960 tinha uma identidade forte. Além disso, possuíam um senso de mudança e de não cometer os mesmos erros das gerações passadas, marcadas pelas guerras.

Consequentemente, formava-se a contracultura de 1960. Os jovens que participaram do movimento eram inconformistas e desejavam uma transformação cultural. Desse modo, eram contra o capitalismo, o consumismo, a tecnocracia, as guerras e as ditaduras que explodiam no mundo. Assim, é importante salientar a relação entre contracultura e Guerra Fria nesse contexto.

Nesse sentido, os jovens eram ‘contra a cultura’ dominante. Eram inspirados, por exemplo, pelo rock and roll, o movimento hippie, as ideias de revolução por meio da paz e do amor, ou o slogan “Não acredite em ninguém com mais de trinta anos”.

Exemplos de contracultura

A contracultura é um termo histórico e, ao mesmo tempo, é utilizado para caracterizar posturas oposicionistas, revolucionárias ou contra a hegemonia. Veja a seguir alguns exemplos de sua aplicação corrente:

  • Contracultura hippie: foi um dos grandes símbolos nos anos 1960, pregando ideais como “paz e amor”, contra a guerra e o individualismo.
  • Contracultura punk: apesar de situado mais longe da década de 1960, o movimento punk relaciona sua música com ideologias e símbolos da rua, do anarquismo, e contra o racismo.
  • Contracultura organizacional: é uma expressão apropriada nos estudos organizacionais e empresariais. Ou seja, diz respeito às posturas contrárias aos hábitos dominantes de uma organização.

Desse modo, apesar de contracultura ser uma palavra utilizada em diversos contextos, há uma influência grande do imaginário criado por aquele movimento histórico da década de 1960. Assim, as posturas juvenis e inconformistas desse período ainda continuam influenciando algumas expressões sociais na atualidade.

Referências

Contracultura e cultura negra – Cinthia Jardim Negromonte da Silva;

Contracultura: o conceito, sua história e seus problemas – Luciano Thomé;

Dez obras para se pensar a contracultura dos anos 1960 – Mayumi Denise S. Ilari.

Ticket to Ride: as tensões entre consumo e contracultura nas letras de música dos Beatles – Luciana Villela de Moraes Sarmento.

Mateus Oka
Por Mateus Oka

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realiza pesquisas na área da antropologia da ciência.

Exercícios resolvidos

1. [UFV]

Em 1969, centenas de milhares de pessoas se reuniram em uma fazenda no interior do Estado de Nova York (EUA), no Festival de Woodstock, entre as quais Jimmy Hendrix, Joan Baez, Ravi Shankar e The Who. Este festival foi considerado um marco do movimento conhecido como contracultura. Sobre este movimento, é CORRETO afirmar que:

a) condena o cultivo de produtos transgênicos.
b) questiona valores centrais instituídos na cultura ocidental.
c) defende o rock da influência exercida pela música erudita.
d) valoriza as manifestações da cultura nacional.
e) apóia a intervenção armada nos países do Terceiro Mundo.

Resposta: b

Justificativa: o movimento da contracultura representa uma postura inconformista, em que criticava a cultura dominante ocidental da década de 1960.

2. [ENEM]

Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra, movimentos como o Maio de 1968 ou a campanha contra a Guerra do Vietnã culminaram no estabelecimento de diferentes formas de participação política. Seus slogans, tais como “Quando penso em revolução quero fazer amor”, se tornaram símbolos da agitação cultural nos anos 1960, cuja inovação relacionava-se:

a) à contestação da crise econômica europeia, que fora provocada pela manutenção das guerras coloniais.
b) à organização partidária da juventude comunista, visando o estabelecimento da ditadura do proletariado.
c) à unificação das noções de libertação social e libertação individual, fornecendo um significado político ao uso do corpo.
d) à defesa do amor cristão e monogâmico, com fins à reprodução, que era tomado como solução para os conflitos sociais.
e) ao reconhecimento da cultura das gerações passadas, que conviveram com a emergência do rock e outras mudanças nos costumes.

Resposta: c

Justificativa: o movimento da contracultura era contra o individualismo, mas ao mesmo tempo incentivava e valorizava as liberdades. Assim, houve uma soma das noções de libertação social e libertação individual.

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