Construção de Brasília

Brasília foi construída para ser uma capital modelo sendo arquitetada por Oscar Niemeyer no governo do Presidente Juscelino Kubitschek. em 1960.

A história da construção de Brasília foi visando estratégia e modernidade. A atual capital foi erguida no meio do cerrado, em menos de quatro anos, a partir de uma concepção modernista de urbanismo e arquitetura.

A cidade foi o ápice do projeto desenvolvimentista do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1961), conhecido pelo lema “Cinquenta anos em cinco”.

Mas a ideia da cidade é antiga. José Bonifácio, o Patriarca da Independência, foi o primeiro a sugerir o nome Brasília para a nova capital do país, em 1823.

A primeira constituição republicana, de 1891, previa a mudança da capital do Rio de Janeiro para uma região no Planalto Central. Para isso, foi criada a Comissão Exploradora do Planalto Central (1892-1893), liderada pelo astrônomo belga Luiz Cruls – amigo do imperador d. Pedro 2º, então no exílio -, que explorou a região.

Anos depois, em 1954, o governo de Café Filho (1954-1955) nomeou a Comissão de Localização da Nova Capital Federal (1954), comandada pelo marechal José Pessoa, para dar continuidade aos trabalhos.

O território que abrigaria a futura capital do país era conhecido como Quadrilátero Cruls, em homenagem a Luiz Cruls. Tinha dimensões de 160 por 90 quilômetros quadrados e situava-se a mil quilômetros de São Paulo e Rio de Janeiro.

A proposta do governo, com a transferência da capital para o cerrado goiano, era explorar as riquezas da região central do país.

O Distrito Federal foi o primeiro passo no sentido de equilibrar as diferenças de um país dividido entre o litoral – populoso, urbanizado e industrializado – e o interior – despovoado, pobre e sem infraestrutura.

Imagem: Reprodução

Junto com a capital surgiram estradas como a Belém-Brasília, importante ligação com a região Norte do país.

Juscelino Kubitschek e sua importância

Juscelino Kubitschek, o JK, foi alvo de muitas críticas na época, principalmente por parte de políticos do Rio de Janeiro, que temiam perder influência e poder com a transferência da capital, pois a cidade era capital federal desde a implantação da República, em 1889, e foi capital da colônia desde 1763.

Para JK, entretanto, a mudança era também estratégica. O ambiente político da segunda metade dos anos 1950 era permeado pela tensão da Guerra Fria (1945-1989).

De um lado, havia o receio de os militares darem um golpe – e, de outro, o de estourar uma revolução comunista como a ocorrida em Cuba, em 1959.

No ano anterior à eleição de JK, Getúlio Vargas se suicidara no Palácio do Catete (sede do governo, no Rio de Janeiro). JK esperava cumprir o mandato estando longe das agitações populares e do clima de instabilidade no Rio de Janeiro.

Juscelino defendia a proposta desde 1946, quando era deputado constituinte. E a cidade apareceu como meta de número 31 no Plano de Metas de seu governo.

Foi no primeiro comício como candidato da coligação PSD-PTB, cinco dias após deixar o governo do Estado de Minas Gerais para concorrer à Presidência, que JK fez a promessa de construir Brasília.

Era 4 de abril de 1955, no município de Jataí, sertão goiano. Após o discurso, um eleitor perguntou se o candidato mudaria a capital, conforme previsto na Constituição. JK respondeu: “Cumprirei na íntegra a Constituição. Durante o meu quinquênio, farei a mudança da sede do governo e construirei a nova capital”.

Oscar Niemeyer

Juscelino Kubitschek foi eleito em 3 de outubro 1955, com 33,82% dos votos. Para cumprir a promessa de campanha de construção de Brasília, escolheu o arquiteto Oscar Niemeyer para projetar as principais edificações da cidade.

Niemeyer já era conhecido internacionalmente, e alguns dos projetos arquitetônicos que fez para Brasília tornaram-se símbolos do país, como o Congresso, o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada e a Catedral.

O segredo da arquitetura de Niemeyer é a sofisticação da obra aliada a um elemento intuitivo, que permite que ela seja apreciada por qualquer pessoa.

São soluções criativas que parecem simples – como o desenho dos “pratos” invertidos do Congresso -, mas que são ricas de detalhes. Para escolher o Projeto Piloto foi realizado um concurso entre 12 e 16 de março de 1957.

Foram apresentados 26 projetos. O júri escolheu a planta cujo formato parecia o de um avião, do urbanista e arquiteto Lucio Costa.

Imagem: Reprodução

Com o projeto em mãos, foi criada uma empresa, a Novacap, e empregado um contingente de 60 mil trabalhadores para a construção. Os operários, a maioria formada por nordestinos, acabaram se fixando na cidade.

Eles trabalhavam dia e noite para erguer, no nada, a capital futurista num prazo recorde de 43 meses.

Cofres públicos

Não se sabe exatamente quanto foi gasto na construção de Brasília. A maior parte das verbas não foi contabilizada em registros bancários ou comprovantes fiscais.

O governo também não fez, à época, uma estimativa oficial. O ex-ministro da Fazenda de Café Filho, Eugênio Gudin, adversário político de JK, estimou os custos em US$ 1,5 bilhão. Em valores atualizados, o orçamento seria de US$ 83 bilhões.

Para captar recursos, o governo emitiu mais dinheiro e foram feitos empréstimos no exterior. Isso deixou uma conta salgada para o país, na forma de inflação alta e dívida externa.

Imagem: Reprodução

A despeito disso, Brasília progrediu. A cidade tinha 140 mil habitantes em 1960 e em 2010 eram estimados 2,6 milhões de brasilienses vivendo na capital.

A prograsssão da capital com a construção de Brasília

Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu, em média, 4,8% entre 1961 e 2000, o Distrito Federal teve aumento de 57,8% no mesmo período.

A combinação de empregos públicos e altos salários faz de Brasília a cidade com o maior PIB per capita do país, R$ 40.696, quase três vezes maior que a média nacional – e superior a São Paulo (R$ 22.667) e Rio de Janeiro (R$ 19.245), de acordo com dados do IBGE.

Juscelino conseguiu cumprir o mandato, mas os presidentes que o sucederam – Jânio Quadros (1961) e João Goulart (1961-1964) – não tiveram a mesma sorte.

Em 1964, um golpe militar mergulhou o país numa ditadura que duraria mais de vinte anos. Eleito senador pelo Estado de Goiás, em 1962, JK teve os direitos políticos cassados dois anos depois.

Morreu em 1976, num acidente de carro na via Dutra. Deixou como legado uma utopia modernista concretizada no meio do sertão.

A construção de Brasília ainda ainda teria um marco de luz na história, sendo palco do fim da ditadura militar (1985), do impeachment de Collor (1992), da eleição de um operário (Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003) para a presidência da República e de muitos escândalos de corrupção.

Referências

A construção de Brasília: Uma contradição entre utopia e realidade – Lara Moreira Alves

Brasília : Capital e Mudança – Câmara dos Deputados

Tecsi.fea.usp.br

Fenae.org.br

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Como referenciar este conteúdo

Bernardes, Luana. Construção de Brasília. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/construcao-de-brasilia. Acesso em: 12 de July de 2020.

Teste seu conhecimento

01. [UESPI]: Sob a presidência de Juscelino Kubitschek (1955-1961), a nação brasileira assistiu à criação de Brasília, – considerada, pela UNESCO, patrimônio cultural da humanidade – e vivenciou:

a) Momentos de euforia resultantes, em boa parte, da política desenvolvimentista de incremento à indústria nacional e aumento do poder aquisitivo da classe média.

b) Importante papel político para a aproximação dos países da América Latina com os Estados Unidos, em vista da estratégica posição do Brasil no Atlântico Sul.

c) Época de forte repressão política ao operariado e descaso para com a interiorização do desenvolvimento econômico.

d) Um período predominantemente liberal, em termos econômicos, o que pode ser exemplificado pelo início da construção da Companhia Siderúrgica Nacional.

e) Uma forte recessão econômica em que a indústria nacional não deu sinais de crescimento e o poder aquisitivo da classe média caiu.

 

02. [UNESP]: Leia o discurso de Juscelino Kubitschek, denominado Mensagem de Anápolis, sobre a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital.

“A ideia da transferência da capital se constituiu num dos problemas mais importantes de nossa evolução histórica, remontando à própria Inconfidência Mineira. As Constituições de 1891, 1934 e 1946 acolheram, expressamente, as aspirações gerais nesse sentido, estabelecendo de forma taxativa que a transferência se faria para o planalto central do país, sendo que a constituição em vigor ainda foi mais explícita do que as anteriores, formulando, inclusive, normas para a localização da futura capital e estabelecendo o processo para a aprovação do local e início da delimitação da área correspondente, a ser incorporada ao domínio da União.”

BONAVIDES, Paulo, AMARAL, Roberto. Textos políticos da História do Brasil. 3 ed. Brasília: Senado Federal, Conselho editorial, 2002. v. 7, p. 32.

Na mensagem de JK é claro o histórico interesse do Estado brasileiro em transferir a capital que então se localizava no Rio de Janeiro. Entre os argumentos favoráveis à transferência da capital, encontrava-se:

a) A integração nacional, estimulando a ocupação do sertão brasileiro.

b) A saída do Rio de Janeiro, devido à corrupção latente da cidade.

c) A necessidade de deixar a capital longe das ondas modernizantes que chegavam rapidamente às regiões litorâneas.

d) A necessidade de ocupação do interior do Brasil, já que não houve movimento populacional algum para essa região durante a história do país.

01. [UESPI]

Resposta: A

O desenvolvimentismo, uma das características do governo de JK, proporcionou o crescimento da produção industrial de bens de consumo individual, como eletrodomésticos e automóveis. Os principais beneficiados com essa medida foram as camadas urbanas de rendimento médio e os capitalistas industriais, que viram suas indústrias crescerem.

 

02. [UNESP]

Resposta: A

Com a construção da nova capital no interior do país, no sertão goiano, JK pretendia iniciar um projeto histórico de integração das diversas regiões do país, que apesar de deslocamentos populacionais ao longo da história, não se consubstanciou em um movimento de ocupação efetiva.

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