Caramuru

Caramuru foi um explorador português que acabou chegando o Brasil após seu navio naufragou próximo à região do Rio Vermelho.

Diogo Álvares Correia, ou apenas Caramuru, chegou às terras brasileiras no ano de 1510. Estima-se que o aventureiro português acabou ficando no Brasil após o navio em que estava naufragar em região próxima ao Rio Vermelho, na Baía de Todos os Santos.

Conta-se que ele teria sido o único a sobreviver após o naufrágio e a chegada a terra firme. Recebido pelos Tupinambás, tribo da região, acabou recebendo o apelido de Caramuru, que significaria moreia.

Sua proximidade aos indígenas o fez um conhecedor dos costumes locais. A sua importância na história se deve ao estabelecimento da relação entre os índios e os colonizadores que chegavam ao Brasil.

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(Imagem: Reprodução)

A vida de Caramuru segundo a história

Por anos viveu entre os indígenas, tendo uma posição de alto escalão entre os Tupinambás. Caramuru estabelecia fortes relações com os franceses, a quem fornecia pau-brasil, contrabandeada, consequentemente, pelo Velho Continente.

Anos mais tarde, fez aliança junto aos colonizadores de Portugal. Casou, inclusive, sua filha com um nobre da corte portuguesa, mantendo a nobreza e a aliança estreita entre tribo e colonizadores.

Casado com a índia Paraguassú, esta acabou sendo batizada na França, sob nova nominação de Catarina Álvares Paraguassú. Dona de muitas terras e de muito poder, construiu a própria igreja onde seria, mais tarde, sepultada.

A vida de Caramuru segundo as lendas

Além de fatos incontestáveis, há também as lendas que cercam Caramuru. Segundo um relato de uma expedição de Martim Afonso de Souza, foi encontrado entre os Tupinambás em 1531, próximo a Baía de Todos os Santos.

À época, julga-se que teria vivido entre os índios por mais de duas décadas. O que é uma incógnita, no entanto, é seu local de nascimento.

Estimado que tenha crescido em Viana do Castelo, naufragou na costa brasileira junto a uma tripulação de oito companheiros. Reza a lenda que o seu grupo teria chegado com vida a praia, mas devorados logo em seguida pelos Tupinambás.

As versões que relatam os motivos de Caramuru ter sido poupado são várias. Em uma delas, explica-se que ele teria imposto certo respeito junto aos índios após disparar uma arma de fogo (o que significaria o nome Caramuru, como filho do trovão).

Em outra versão há a explicação de que ele seria magérrimo, o que não apeteceu aos canibais. Nesse caso, o primeiro significado de nome Caramuru seria explicado pelo peixe moreia, magro e esguio.

De qualquer forma, ele ganhou a confiança da tribo, a ponto, inclusive, de se casar com uma integrante dos Tupinambás. O aventureiro português e patriarca da Bahia entrou para história como o interlocutor e porta-voz da relação entre índios brasileiros e missionários portugueses.

Caramuru morreu em Salvador, no ano de 1557, enquanto a esposa viveria mais 25 anos. Com quatro filhas deixadas, todas acabariam se casando com nobres portugueses, dando origem a algumas das mais tradicionais famílias da Bahia, os Moniz, os da Torre e os Garcia d’Ávila.

Referências

História da literatura brasileira: Das origens ao romantismo Livro – Massaud Moisés

Mateus Bunde
Prof. Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

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