Rio São Francisco

Conhecido por não secar mesmo passado por locais áridos, o Velho Chico é de grande importância econômica e cultural para o Brasil.

1. O Rio São Francisco

O “Velho Chico” é o mais importante rio do Nordeste brasileiro. Sua nascente localiza-se na Serra da Canastra, no Centro-Sul do país, no estado de Minas Gerais. A maior parte do rio encontra-se em terras nordestinas, sendo que sua extensão total corresponde a 3160 km.

Foto: Reprodução
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Dentre as diversas cachoeiras e cursos ao longo do rio São Francisco, a mais importante é a cachoeira de Paulo Afonso, localizada na divisa de Pernambuco e Bahia. Nesta está contido a usina hidrelétrica que pertence a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), a qual fornece energia para boa parte da região. Além desta, existem outras usinas com menores proporções, como a de Moxotó, do Xingó e de Sobradinho. Veja no mapa abaixo a localização do rio São Francisco:

Ilustração: Reprodução
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Dentre as características mais importantes do rio, pode-se destacar sua capacidade de atravessar o Sertão nordestino, semiárido, sem, no entanto, secar. Desta forma, as populações que vivem naquele ambiente são beneficiadas pelas águas do São Francisco, seja para consumo ou irrigação das plantações. Do seu curso total, 1320 km são navegáveis.

“Muitas embarcações navegam nas águas do rio São Francisco entre Pirapora (MG) e a barragem do Sobradinho, próxima das cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), transportando pessoas e mercadorias.” (LUCCI, 2012, p. 146)

O rio São Francisco possui uma característica perene, ou seja, é um rio que não seca. Esse fator ocorre devido aos elevados índices pluviométricos e a rica drenagem em sua cabeceira. O rio possui declives acentuados em alguns trechos, especialmente na nascente e próximo à foz. Nas margens do São Francisco são praticadas atividades de agricultura familiar, possibilitadas devido à fertilidade dos solos, por conta do húmus depositado ali nos períodos de cheias. As plantações são efetivadas nos momentos de seca, quando o fluxo de água é reduzido.

2. Bacia do São Francisco

A Bacia do São Francisco, como se remete o próprio nome, tem como rio principal o São Francisco. A bacia localiza-se inteiramente em território brasileiro, se estendendo por uma área com cerca de 640.000 km², ocupando, assim, 8% do território. O principal rio da bacia, o São Francisco, percorre os estados de Minas Gerais (nascente), Bahia, Pernambuco, Sergipe e também Alagoas. A bacia engloba ainda os estados de Goiás e parte do Distrito Federal.

“A Bacia do São Francisco abrange 504 municípios e é fonte de vida para muitas pessoas.” (SILVA, 2013, p. 241)

Dentre as atividades praticadas nas regiões compreendidas pela bacia, destacam-se a agropecuária e a pesca. O cultivo de uvas merece ênfase neste sentido, bem como de frutas cítricas.

3. Problemas ambientais

Dentre os problemas ambientais que assolam o São Francisco estão:

  • Assoreamento: com as chuvas, o solo tem sua camada superficial removida, e os sedimentos são transportados em direção aos rios, onde são depositados. Este fator ocorre devido à devastação da camada vegetal nas margens do rio, o que deixa os solos susceptíveis.
  • Poluição: o despejo de esgotos domésticos e industriais sem o devido tratamento causa da poluição das águas dos rios.
  • Construção de usinas hidrelétricas: as obras nas águas dos rios alteram a vazão, fazendo com que as lagoas situadas nas margens do rio desapareçam. A menor vazão faz com que as cheias deixem de ocorrer, baixando a fertilidade dos solos, e inviabilizando as práticas agrícolas.

4. Transposição do São Francisco

A transposição do rio São Francisco é uma obra que tem causado bastante polêmica no cenário nacional. Duas visões diversas se estabelecem entre defensores e críticos do projeto. A transposição seria uma tentativa de sanar um problema que tem atrasado o desenvolvimento do Nordeste, a seca. As críticas se referem às transformações e o impacto ambiental que poderia ser causado com a efetivação do projeto. Basicamente, a ideia seria de transferir as águas do rio para o abastecimento de rios menores e também açudes, o que supostamente diminuiria a seca nos períodos de estiagem. Veja o mapa das obras:

Ilustração: Reprodução
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O projeto prevê dois eixos: Norte (levará água para Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte) e Leste (levando água para parte do Sertão, bem como as regiões do Agreste de Pernambuco e da Paraíba). Observe a imagem demonstrando os eixos:

Ilustração: Reprodução
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Para conhecer mais sobre o projeto de integração, consulte o site: http://www.integracao.gov.br/pt/web/guest/o-que-e-o-projeto

Referências

LUCCI, Elian Alabi (Org.). Território e sociedade no mundo globalizado: Geografia. Ensino Médio. V. 01. São Paulo: Saraiva, 2010.
LUCCI, Elian Alabi (Org.). Geografia: homem e espaço. 7º ano. 22ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
SILVA, Edilson Adão Cândido da (Org.). Geografia em rede. 1º ano. São Paulo: FTD, 2013.

Luana Caroline
Por Luana Caroline

Graduada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (FAU) e Mestre em Geografia (UNIOESTE)

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1. [FUVEST/2001] Analise as características das bacias hidrográficas dos rios São Francisco e Amazonas, relacionando-as ao:

a) processo de povoamento.
b) desenvolvimento de atividades econômicas do setor primário.

1.

a) O processo de povoamento da bacia hidrográfica do São Francisco foi impulsionado pela expansão da pecuária que, buscando maiores espaços, saiu da Zona da Mata e atingiu o sertão durante o final do século XVI, favoreceu a fixação do elemento humano na região. A Bacia Amazônica foi ocupada inicialmente por expedições militares que utilizaram da extensa rede de rios. Essas incursões chamaram a atenção para a grande diversidade natural da região e favoreceu o ciclo da borracha, que atraiu milhares de nordestinos para a região.

b) Na Bacia Hidrográfica do São Francisco, posteriormente ao surgimento da pecuária, encontramos grandes e pequenas propriedades que aproveitavam das cheias do rio e da irrigação para o desenvolvimento da agricultura como a fruticultura. Na Bacia Amazônica, desenvolveu-se o extrativismo vegetal, especialmente seringueiras e castanheiras nas várzeas e nas terras firmes, além da juta entre o Pará e o Amazonas. Destaca-se ainda o potencial pesqueiro e a criação de búfalos.

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