Como Primavera Árabe são entendidos os protestos recentes no “mundo árabe”, composto basicamente por países de língua árabe e religião islâmica, mesmo sendo constituídos por etnias distintas. Estes movimentos são impulsionados especialmente pelo público jovem, insatisfeito com as intervenções dos regimes autoritários em suas regiões. As manifestações foram organizadas pelas redes sociais (Facebook, Youtube e Twitter), sensibilizando e convocando as pessoas para que participassem. As causas para os protestos foram diversificadas, muitas das quais relacionadas à falta de perspectiva dos jovens naqueles países.
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1. Mas, como tudo começou?
O descontentamento social já vinha acontecendo havia muito tempo, mas o acontecimento tido como marco inicial da primavera árabe foi a morte de um jovem na Tunísia. Descontente com sua situação financeira, e sem perspectivas de um futuro melhor, o jovem ateou fogo em seu próprio corpo. Considera-se que este foi o momento em que a população “acordou” para a realidade social, e os protestos começaram a se intensificar. As manifestações ocorreram em diversas partes do mundo.
2. Tunísia
Com a morte do jovem tunisiano, outros protestos também aconteceram. Naquele local em específico, o descontentamento era quanto à permanência no poder, desde 1987, do Presidente Zeni El Abdine Ben Ali. Os descontentes queriam a deposição deste, diante do pouco desenvolvimento no país ao longo dos anos. Em janeiro de 2011 houve a deposição do ditador, por conta dos levantes populares. Para tal, milhares de pessoas precisaram perder suas vidas.
3. Egito
Com inspiração na Tunísia, os egípcios conseguiram a retirada de poder das mãos de Hosni Mubarak, após 30 anos. Mubarak foi condenado à prisão perpetua. No Egito, Mubarak havia suprimido a liberdade civil, com o discurso de acabar com o radicalismo religioso. Diversos problemas sociais foram intensificados, como a desigualdade social e o declínio econômico. Após a renúncia de Mubarak, houve as primeiras eleições para presidentes, no ano de 2012. No mesmo ano foi aprovada uma nova Constituição. Os conflitos no Egito não são facilmente solucionáveis, já que existem polos extremos naquela sociedade: de um lado os conservados islâmicos, e de outro os liberais seculares. O presidente eleito em 2012 era pertencente à Irmandade Muçulmana, o que gerou manifestações dos liberais contestando a concentração de poder dos muçulmanos, e exigindo um Estado laico (GUIA DO ESTUDANTE, 2014).
4. Líbia
Na Líbia, as consequências aos manifestantes foram mais graves, com a morte de milhares de civis. Muammar Abu Minyar al-Gaddafi (Kadafi), invicto desde 1969, não aceitou abrir mão do seu poder, reprimindo as manifestações, causando uma verdadeira guerra civil. Após longos meses de conflitos, finalmente houve o desfecho:
“A tática dos rebeldes foi avançar lentamente em direção às cidades dominadas por Kadaffi, como Trípole, por exemplo. Em Sirte, cidade natal do presidente, os rebeldes capturaram o presidente, escondido dentro de um canal de esgoto. Após sua captura, Kadaffi foi torturado e morto pelos rebeldes.” (GLOBO, 2014)
Contra Kadafi havia diversas denúncias, como supressão da liberdade civil, patrocínio de grupos terroristas e o desenvolvimento de armas de extermínio em massa (GUIA DO ESTUDANTE, 2014). Na Líbia, a oposição ao governo contou com apoio da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a qual foi autorizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) a intervir militarmente naquela região. Com a morte do ditador, as primeiras eleições foram realizadas em 2012, possibilitando a formação de um Congresso e um governo interino.
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5. Iêmen
Foi o último país a conseguir derrubar seu presidente na época. Ali Abdulhah Saleh, o qual foi alvo de um ataque. Temendo ser assassinado, ele assinou um acordo deixando o poder. Foram 10 meses de protestos por todo país antes da assinatura deste acordo. A violência no país não cessou com a saída do poder por parte do presidente. Os confrontos entre manifestantes e apoiadores de Saleh se perpetuaram. O Iêmen estava em condições tão precárias, que chegou a ser a nação mais pobre do mundo árabe, vivendo sob o regime autoritário de Saleh. Com a renúncia, o vice de Saleh assumiu como presidente interino.
6. Arábia Saudita
A Arábia Saudita possui uma riqueza cobiçada por diversos países, pois abriga a 2ª maior reserva de petróleo do mundo. Justamente pelos interesses econômicos envolvidos, ela e os Estados Unidos mantem uma aliança estratégia. Não há Congresso e nem partidos, sendo governada pelo rei Abdullāh ibnu ʻAbdilʻAzīz Āl Saʿūd. A Lei Islâmica é aplicada de forma obrigatória, e os conflitos se estabelecem entre os próprios islâmicos, xiitas contra sunitas. Os xiitas são minorias, e foram eles que encabeçaram os protestos na Arábia Saudita, pedindo por reformas e o fim da discriminação que sofrem, exigindo a libertação de ativistas detidos. As manifestações ali tiveram um caráter mais pacífico, talvez pela própria repressão que opera sobre o pensamento social deste povo. As manifestações não seriam apropriadas diante das parcerias entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos. Neste sentido, a Arábia Saudita ficou quase como espectadora diante dos protestos que ocorriam no mundo árabe (ESTADÃO, 2014).
Os acontecimentos na Primavera Árabe repercutiram em diversos outros países, alguns com maior expressividade. Mas não foram decisivos, já que muitas modificações ainda têm ocorrido, e outras tantas são processos gradativos, que serão concretizados (ou não) com os anos. Os conflitos se perpetuam, apesar das mudanças ocorridas, pois são questões complexas e interesses diversos que regem as decisões naquela região do mundo. Os acontecimentos relativos à Primavera Árabe foram importantes não apenas para o mundo árabe, mas serviram de incentivo para outros protestos em diversos países do mundo, igualmente descontentes com as situações políticas, econômicas e sociais. Foi, portanto, apenas o despertar da consciência social para a importância da manifestação popular com a finalidade de transformações em seus países. E esse processo nem sempre é pacífico. Basicamente, a grande proposta destes povos é pela concretização de sociedades democráticas, com maior liberdade de expressão dos povos.
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A imagem abaixo demonstra os países da Primavera Árabe e os principais acontecimentos:

7. Sugestão Complementar
Vídeo da TV Cultura, “Especial TV Cultura: Primavera Árabe”.
Referências
ESTADÃO. A Arábia Saudita e as revoltas árabes. Disponível em: topicos.estadao.com.br
GLOBO. Educação. Primavera Árabe: Tunísia, Egito, Líbia E Iémen. Disponível em: educacao.globo.com
GUIA DO ESTUDANTE. Primavera Árabe. Editora Abril S.A. Disponível em: guiadoestudante.abril.com.br

Por Luana Caroline
Mestre em Geografia (UNIOESTE); Licenciada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (ALFA-UMUARAMA) e Educação Profissional e Tecnológica (FACULDADE SÃO BRAZ).
Künast Polon, Luana Caroline. Primavera Árabe. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/geografia/primavera-arabe. Acesso em: 31 de August de 2025.
1. [ENEM/2011] No mundo árabe, países governados há décadas por regimes políticos centralizadores contabilizam metade da população com menos de 30 anos; desses, 56% têm acesso à internet. Sentindo-se sem perspectivas de futuro e diante da estagnação da economia, esses jovens incubam vírus sedentos por modernidade e democracia. Em meados de dezembro, um tunisiano de 26 anos, vendedor de frutas, põe fogo no próprio corpo em protesto por trabalho, justiça e liberdade. Uma série de manifestações eclode na Tunísia e, como uma epidemia, o vírus libertário começa a se espalhar pelos países vizinhos, derrubando em seguida o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Sites e redes sociais — como o Facebook e o Twitter — ajudaram a mobilizar manifestantes do norte da África a ilhas do Golfo Pérsico (SEQUEIRA, C. D.; VILLAMÉA, L. A epidemia da Liberdade. IstoÉ Internacional. 2 mar. 2011 – adaptado).
Considerando os movimentos políticos mencionados no texto, o acesso à internet permitiu aos jovens árabes:
A) reforçar a atuação dos regimes políticos existentes.
B) tomar conhecimento dos fatos sem se envolver.
C) manter o distanciamento necessário à sua segurança.
D) disseminar vírus capazes de destruir programas dos computadores.
E) difundir ideias revolucionárias que mobilizaram a população.
2. [UEPB/2007] O argumento utilizado pelo governo Bush para justificar sua política intervencionista e belicosa no Oriente Médio é o de que os Estados Unidos:
a) têm o dever de combater o terrorismo e a tirania e levar a liberdade
e a democracia ao mundo árabe.
b) precisam assegurar o abastecimento de petróleo em seu território.
c) têm o dever de proteger os sauditas, seus aliados, da ira dos talibãs comandados por Bin Laden.
d) têm o dever moral de reestruturar a economia de países como o Afeganistão e o Iraque, que foram destruídos por ditaduras insanas.
e) precisam combater a insanidade do fundamentalismo religioso
dos aiatolás.
3. [UERJ/2012] No início de 2011, o mundo assistiu apreensivo e esperançoso ao sopro de inconformismo no mundo árabe. Manifestantes contaram com a ajuda, em graus a serem precisados, de componentes cada vez mais comuns em situações desse tipo: a internet e o telefone celular. Na Tunísia, ativistas utilizaram Twitter e Facebook para organizar protestos. No Egito, blogs e também as redes sociais. Os episódios reaquecem o debate sobre qual é, afinal, o potencial dessas tecnologias quando o assunto é ativismo político e opõem dois grupos de analistas: os ciberutópicos, que acham que blogs e celulares tudo podem, e os cibercéticos, que pensam o contrário. A revolução pode não
ser tuitada, no sentido de que um Twitter só não faz a revolução. Mas as que acontecerem no século XXI, é certo, passarão pelo Twitter e similares (Adaptado de http://veja.abril.com.br, 28/01/2011).
A reportagem apresenta uma reflexão acerca das possibilidades e limitações do uso das novas tecnologias no ativismo político no mundo atual. As limitações existentes para o emprego dessas tecnologias são justificadas basicamente pela:
a) disparidade regional quanto aos níveis de alfabetização
b) hierarquização social relativa ao acesso às redes virtuais
c) censura da mídia em função do intervencionismo governamental
d) dispersão populacional devido às grandes extensões territoriais
1. [E]
Essa questão trata da Primavera Árabe. As redes sociais serviram como forma de organização de manifestação, mas também para difundir as ideias revolucionárias e mobilizar a população. Os jovens foram atores importantes nos protestos que ocorrem no “mundo árabe”. A busca por melhores perspectivas de vida, o descontentamento diante das questões politicas e o descaso político com a sociedade, foram os motivos para que as manifestações ocorressem.
2. [A]
Os discursos para intervenção são sobre a possibilidade dos Estados Unidos levarem liberdade aos povos do “mundo árabe”, acabando com práticas terroristas, implantando uma democracia. Sabe-se que esse discurso é mascarado, uma vez que existem interesses econômicos envolvidos, especialmente pelos recursos energéticos abundantes em países árabes, como é o caso do petróleo na Arábia Saudita.
3. [C]
A censura é o principal aspecto limitante para que mais pessoas sejam alcançadas pelas ideias de mudança. Especialmente em países com governos ditatoriais, em que muitas coisas são reprimidas, o acesso às informações pode ser manipulado. Os governos podem manipular informações para que as manifestações sejam dissolvidas, ou para que menos pessoas saibam das intenções de protesto.