População brasileira

Uma verdadeira “mistura de culturas” é o que constituiu a população que o Brasil apresenta hoje em dia.

O Brasil é um país de proporções continentais, e a distribuição populacional se estabelece de forma desigual pelo território. Os dados mais recentes mostram que o Brasil atingiu a marca de 202 milhões de habitantes, e destes 1/5 vive em São Paulo, sendo que os estados mais populosos após este são Minas Gerais e Rio de Janeiro. De outro lado, os estados de Roraima, Amapá e Acre foram caracterizados como os menos populosos. A sociedade brasileira é formada pela diversidade dos povos, constituída ao longo dos anos pela presença de indígenas, negros africanos e brancos europeus, além de povos que se instalaram aqui posteriormente. A diversidade do povo brasileiro torna o país um espaço multicultural, pois cada povo trouxe consigo algo de sua cultura original.

Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução

Quando os portugueses chegaram ao território brasileiro, este já era ocupado por diversos grupos indígenas. Ao longo dos anos houve um extermínio dos povos indígenas no Brasil, os quais foram utilizados como mão-de-obra em diversos períodos da história do país. Apesar disso, diversos aspectos culturais materiais e imateriais dos indígenas são representativos na história do Brasil. Da mesma forma, os africanos trazidos forçadamente ao território brasileiro para exercer trabalhos escravos, também trouxeram consigo parte de sua história, a qual permanece viva por meio das representações culturais dos descendentes daqueles.

“Após a abolição da escravidão, em 1888, 13% da população brasileira era constituída por negros e 40% por mestiços.” (SILVA, 2013, p. 154)

Apesar do teórico fim da escravidão, outras formas de exclusão se perpetuaram (e ainda são manifestadas) contra os negros, como a exclusão social e econômica. Da mesma forma, os indígenas ainda são marginalizados na sociedade brasileira, e sua história e manifestações culturais são pouco valorizadas pelo restante da população.

Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução

A história do Brasil é marcada pela presença dos portugueses, e mais tarde dos italianos, espanhóis, poloneses, japoneses, alemães, dentre outros. E todos possibilitaram a formação da sociedade brasileira tal qual ela é hoje.

“Conclui-se, assim, que a sociedade brasileira se formou a partir de três grandes grupos étnicos: os indígenas, os africanos e os europeus.” (TAMDJIAN, 2012, p. 169)

1. Crescimento da população brasileira

A população brasileira, tal qual se apresenta atualmente, é fruto da dinâmica populacional ao longo dos anos, especialmente da entrada de imigrantes no país durante os séculos XIX e XX. Da mesma forma, as transformações no crescimento vegetativo a partir de 1940 também foram significativas.

“O aumento das taxas de crescimento vegetativo foi consequência das melhorias relativas às condições de saúde da população, que resultaram na redução das taxas de mortalidade.” (LUCCI, 2012, p. 107)

Com a redução da taxa de mortalidade, e as taxas de natalidade se mantendo relativamente estáveis até 1960, houve uma elevação do crescimento vegetativo. Especialmente a partir da década de 1960, com as transformações que ocorriam no Brasil naquele contexto, houve uma redução da taxa de fecundidade. Essa redução foi ocasionada pela industrialização que levou muitas famílias para os centros urbanos, bem como o aumento do uso de métodos contraceptivos, como os anticoncepcionais, e ainda a maior participação da mulher na sociedade.

A redução das taxas de fecundidade tem influenciado na constituição da população brasileira atualmente, uma vez que há um envelhecimento populacional. Esse envelhecimento populacional tem diversas causas, como os investimentos na área da saúde e lazer para os idosos. Veja os gráficos abaixo:

Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução

“Se a natalidade continuar a cair e a medicina avançar no sentido de prevenir doenças e prolongar a vida, continuará crescendo o número de idosos no Brasil.” (TAMDJIAN, 2012, p. 183)

Um dos maiores problemas enfrentando pelo Brasil é relativo à desigualdade social. O país possui uma extensão territorial muito significativa, considerada continental, e mesmo assim existem muitas pessoas que ainda não têm um espaço para fixar moradia. Além disso, as terras brasileiras poderiam alimentar um enorme contingente populacional, mas são utilizadas pelos latifundiários para produção em ampla escala de produtos exportáveis, como a soja. Deste modo, ainda há pessoas subnutridas no Brasil, embora os índices tenham reduzido significativamente em décadas recentes. Alguns índices são analisados para averiguar a subnutrição dos brasileiros, como mostram os gráficos a seguir:

Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução

Assim, verifica-se que os índices foram reduzidos ao longo dos anos, e que continuam diminuindo constantemente. Essa redução nos casos de baixo peso e baixa estatura entre as crianças se deve às melhorias na qualidade de vida populacional, as quais são em parte ocasionadas pelas políticas de benefícios dos governos mais recentes.

Por muitos anos houve um massivo fluxo migratório interno no país, ocasionado pela busca por condições melhores de vida em centros mais desenvolvidos. As migrações mais conhecidas são as dos nordestinos, os quais migravam (e ainda migram) para fugir da precariedade em que vivem, especialmente em relação aos recursos hídricos, mas também na falta de perspectiva de futuro para os jovens. Outras migrações de significativo porte também ocorreram no Brasil, como as dos agricultores do sul do Brasil em direção aos estados Centro-Oeste e Norte, em busca das terras vendidas por preços mais baixos do que em seus estados de origem. Diferentemente de outros países, nos quais as migrações ocorrem devido às guerras ou catástrofes naturais, no Brasil a maioria das migrações ocorre devido à inconstância econômica. Veja as principais correntes migratórias no Brasil na década 2000:

Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução

Atualmente, o Brasil tem passado por intensas transformações, como o crescimento econômico advindo das exportações. Além disso, medidas governamentais têm elevado a qualidade de vida dos brasileiros, por meio dos programas e projetos de distribuição de renda. Outro avanço significativo é quanto ao número de pessoas que deixaram de ser analfabetas, e outras tantas que puderam ingressar em um curso superior. Estas medidas são importantes para o desenvolvimento da sociedade, e o aumento dos níveis de qualidade de vida das pessoas. Milhões de brasileiros têm saído da miséria, e os avanços têm sido percebidos em diversos setores no Brasil.

“Os efeitos desses avanços já são sentidos no Brasil. Como sabemos, a expectativa de vida de sua população tem aumentado significativamente. Esse fato reflete, em suma, forte melhoria da qualidade de vida em nosso país.” (TAMDJIAN, 2012, p. 190)

Assim, por maiores que tenham sido as melhorias, o Brasil ainda apresenta diversos problemas que afetam a população, como a precariedade dos transportes e da saúde pública, a falta de moradias e as habitações em locais inapropriados, a violência e a criminalidade, a educação e as desigualdades sociais.

Referências

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População. Disponível em: ibge.gov.br
LUCCI, Elian Alabi (Org.). Geografia: homem e espaço. 7º ano. 22ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
SILVA, Angela Côrrea da (Org.). Geografia: contextos e redes. São Paulo: Moderna, 2013.
TAMDJIAN, James Onnig (Org.) Geografia: estudos para compreensão do espaço – o espaço geográfico do Brasil. 7º ano. São Paulo: FTD, 2012.

Luana Caroline
Prof. Luana Caroline

Graduada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (FAU) e Mestre em Geografia (UNIOESTE)

Teste seu conhecimento

1. [Enem/2013] Trata-se de um gigantesco movimento de construção de cidades, necessário para o assentamento residencial dessa população, bem como de suas necessidades de trabalho, abastecimento, transportes, saúde, energia, água etc. Ainda que o rumo tomado pelo crescimento urbano não tenha respondido satisfatoriamente a todas essas necessidades, o território foi ocupado e foram construídas as condições para viver nesse espaço. (MARICATO. E. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. Petrópolis Vozes. 2001). A dinâmica de transformação das cidades tende a apresentar como consequência a expansão das áreas periféricas pelo (a):

a) crescimento da população urbana e aumento da especulação imobiliária.
b) direcionamento maior do fluxo de pessoas, devido à existência de um grande número de serviços.
c) delimitação de áreas para uma ocupação organizada do espaço físico, melhorando a qualidade de vida.
d) implantação de políticas públicas que promovem a moradia e o direito à cidade aos seus moradores.
e) reurbanização de moradias nas áreas centrais, mantendo o trabalhador próximo ao seu emprego, diminuindo os deslocamentos para a periferia.

2. [UFRJ] O envelhecimento da população está mudando radicalmente as características da população da Europa, onde o número de pessoas com mais de 60 anos deverá chegar nas próximas décadas a 30% da população total. Graças aos avanços da medicina e da ciência, a população está cada vez mais velha. Isso ocorre em função do:

a) Declínio da taxa de natalidade e aumento da longevidade.
b) Aumento da natalidade e diminuição da longevidade.
c) Crescimento vegetativo e aumento da taxa de natalidade.
d) Aumento da longevidade e do crescimento vegetativo.
e) Declínio da taxa de mortalidade e diminuição da longevidade

1. [A]

Com o aumento populacional, surgem problemas quanto ao modo como as pessoas preenchem o espaço urbano, e uma das consequências desta expansão urbana é a especulação imobiliária.

2. [A]

Assim como na Europa, o Brasil enfrenta um cenário similar, no qual há um aumento da população idosa. Isso ocorre devido aos progressos na área da Medicina e qualidade de vida na terceira idade, elevando os índices de longevidade. Enquanto isso, as taxas de natalidade diminuem, por conta das mudanças sociais, como a industrialização, inserção da mulher no mercado de trabalho, e o acesso aos métodos contraceptivos.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO