Economia verde

A economia verde defende o bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais e combate a escassez ecológica.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA, o conceito de economia verde pode ser entendido como uma visão alternativa para o crescimento e desenvolvimento gerando melhorias na vida das pessoas de forma consistente a partir do desenvolvimento sustentável.

Uma economia verde promove um triplo resultado: sustentar e promover o bem-estar econômico, ambiental e social. Esse conceito surgiu em oposição à chamada “economia marrom”, marcada pela exploração capitalista dos bens naturais sem um cuidado com as questões ambientais.

O conceito de economia verde e como surgiu

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A crise ambiental ocasionada a partir da década de 1970 trouxe a realização de muitos eventos em escala mundial, visando o tratamento do tema. Exemplos disso foram a realização da Conferência de Estocolmo (1972) e a ECO 92.

Visando alcançar o desenvolvimento econômico de forma sustentável, levando em consideração todos os pilares do conceito de sustentabilidade, o PNUMA lançou em 2008 o conceito da economia verde, pois, segundo relatórios e especialistas no assunto, o mundo encontra-se à beira de um colapso ambiental e pode vir a sofrer com o esgotamento dos recursos naturais e do crescimento populacional.

Isto é, uma economia verde deve apresentar baixa emissão de carbono, ser eficiente no uso de recursos naturais e socialmente inclusiva.

Ainda segundo PNUMA, em uma economia verde, o crescimento de renda e de emprego deve ser impulsionado por investimentos públicos e privados que reduzem as emissões de carbono e poluição e aumentam a eficiência energética e o uso de recursos, prevenindo, assim, a perda de biodiversidade e ecossistemas.

Economia verde: exemplos

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Os exemplos de economia verde aplicados à sociedade atual são variados e estão espalhados por todo o globo, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento.

Coréia do Sul

A Coréia do Sul adotou uma estratégia nacional e um plano quinquenal para o “crescimento verde” para o período 2009-2013, alocando 2% de seu produto interno bruto para investimentos em vários setores verdes, tais como energia renovável, eficiência energética, tecnologia limpa e água.

O governo coreano também lançou o Instituto Global de Crescimento Verde, que visa ajudar os países (especialmente os países em desenvolvimento) a desenvolver estratégias de crescimento verde.

Cidade do México

Na Cidade do México, o tráfego congestionado levou a um grande esforço para promover o Bus Rapid Transit (BRT), um sofisticado sistema de ônibus que utiliza vias exclusivas nas ruas da cidade.

Esse investimento no BRT reduziu o tempo de deslocamento e a poluição do ar e melhorou o acesso ao transporte público para aqueles menos capazes de pagar carros particulares.

Este sucesso está agora sendo replicado em outras cidades mexicanas e levou ao investimento do governo federal em transporte público urbano pela primeira vez.

China

A China é atualmente o país que mais investe em energia renovável no mundo. Sua capacidade total de energia eólica cresceu 64% em 2010.

Esse crescimento foi impulsionado por uma política nacional que considera a energia limpa como um grande mercado no futuro próximo, no qual a China deseja obter uma vantagem competitiva.

Economia verde no Brasil

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Utilizadas de forma cada vez mais frequente no Brasil, as fontes renováveis de energia são exemplo de desenvolvimento sustentável e portanto, de economia verde.

Em 2015, cerca de 90% das novas energias geradas vêm de fontes renováveis (energia hidráulica, eólica e solar).

Reciclagem: cada vez mais presente na vida dos brasileiros, a reciclagem é outro exemplo de economia verde. Dados apontam que 18% dos resíduos gerados nas cidades são reciclados, à medida em que aumentam os postos de coleta.

Vale lembrar que a reciclagem impacta positivamente não só no meio ambiente, mas também em comunidades locais que têm na reciclagem uma alternativa ao desemprego, tratando-se, portanto, de sustentabilidade.

Águas de reuso, ou águas residuais, aquelas que já foram utilizadas em atividades humanas e que podem ainda ser reaproveitadas, estão cada vez mais presentes no setor industrial do país.

Pois a crescente demanda por recursos hídricos torna necessário modificar a gestão dessas águas, passando para um modelo de “redução, reutilização, reciclagem e recuperação dos recursos”, conforme relatório do PNUMA de 2017.

No entanto, no Brasil, as águas residuais não são aproveitadas como deveriam pois o país ainda carece de legislação específica sobre o tema.

Referências

Green Economy: what do we mean by green economy? – UNEP
Economia verde: conceito, críticas e instrumentos de transição – Ana L. Bittencourt, Ricardo S. Vieira, Queila J. N. Martins
O que é economia verde – Manish Bapna
Rumo a uma economia verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [IFG]

A partir da segunda metade do século XX, vários países do mundo, inclusive o Brasil, implantaram um pacote de medidas que recebeu o nome de revolução verde.

Assinale a alternativa que indica duas características desse momento.

a) Uso intensivo de agrotóxico; aplicação de adubos e fertilizantes.

b) Introdução de espécies vegetais nas florestas; uso de adubação orgânica.

c) Revitalização de biomas degradados; retorno da população urbana para o campo.

d) Surgimento de movimentos sociais no campo; aumento da produtividade e o fim da fome.

e) Uso de sementes selecionadas; uso de sementes transgênicas.

Resposta: A
A Revolução Verde se caracterizou pelo uso de maior tecnologia na produção de alimentos. Diante disso, o uso de agrotóxicos e fertilizantes também sofreu visível aumento.

2. [IFBA ]

Mostrengo enviado para punir o povo de Tebas por ter afrontado os deuses, a Esfinge tinha cabeça e seios de mulher, corpo e patas de leoa, e asas de águia. Instalada às portas da cidade, ela exigia que seus melhores jovens a enfrentassem. Todos eram impiedosamente trucidados porque não conseguiam responder ao enigma que ela lhes propunha. Desgraça que só terminou quando apareceu um esperto rapaz, vindo de Corinto e chamado Édipo. Ele matou a charada, provocando o suicídio da fera. O resto da lenda é bem conhecido.

Pois bem, o “desenvolvimento sustentável” também é um enigma à espera do seu Édipo [….] .

VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI. 3a edição. Rio de Janeiro: Garamond, 2008, p.3.

O desenvolvimento sustentável se define de forma enigmática por constituir-se enquanto o desafio do Século XXI. Nesta perspectiva, pode-se afirmar:

a) A privatização da água proposta pelo Banco Mundial é uma medida de uso e apropriação racional da natureza com vistas à sustentabilidade socioeconômica e ambiental.

b) Os conflitos socioambientais evidenciam as contradições da relação estabelecida entre a sociedade e a natureza no modelo de desenvolvimento capitalista.

c) O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), proposto pelo governo federal, tem como projeto estruturante a criação de reservas e parques nacionais para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia.

d) A regulação da biodiversidade pela Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto patrimônio da humanidade, vem garantindo o cumprimento legal da política ambiental brasileira.

e) A conservação natural dos ecossistemas terrestres para a reprodução social da vida torna evidente o desenvolvimento sustentável no capitalismo.

Resposta: B
A priori, não existe no capitalismo espaço para preocupação com o meio ambiente uma vez que o lucro é colocado em primeiro lugar.

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