Desigualdade social

A má distribuição de renda, aliada a outros fatores, é uma das causas dos alarmantes números dos diversos tipos de desigualdades encontrados em muitos países ao redor do mundo.

A desigualdade social, normalmente compreendida como sinônimo de desigualdade econômica, é um problema social contemporâneo presente em muitos países do mundo, especialmente naqueles não desenvolvidos ou em processo de desenvolvimento.

O conceito de desigualdade social engloba não apenas a má distribuição de renda, mas também diversos tipos de desigualdades, tais como a de gênero, racial, de casta, de classes, etária, na saúde, educação e acesso a oportunidades.

Os números alarmantes da desigualdade social mundial

Foto: Mises.org.br
Foto: Mises.org.br

De acordo com um relatório produzido pela ONG Oxfam, publicado no início de 2014, estima-se que as 85 pessoas mais ricas do mundo ganham o equivalente às 3,5 bilhões mais pobres. A concentração da riqueza nas mãos de poucos, ou seja, a má distribuição de renda, é uma das causas dos números alarmantes alcançados pelo fenômeno contemporâneo e tem, como consequência, a desigualdade em outros segmentos, tais como o acesso à moradia, saúde, educação, segurança, entre outros.

No ano de 2013, com a obra “O Capital no Século XXI”, o economista francês Thomas Piketty advertiu acerca do crescimento contínuo da desigualdade de riqueza desde a década de 1970. Com a falta de políticas ativas contra o fenômeno, países da Europa e os Estados Unidos da América retornariam, segundo Piketty, a um patamar de desigualdade parecido àquele do fim do século XIX e início do XX.

Em outubro de 2015, o banco Credit Suisse publicou o seu Global Wealth Report (Relatório da Riqueza Global), no qual aponta que a concentração de renda mundial alcançou níveis tão alarmantes quanto o do mundo industrializado anterior à Primeira Guerra Mundial.

Existem diversos tipos de indicadores utilizados para medir o fator da desigualdade social a nível global, nacional, estadual ou regional, no entanto, nenhum deles é completamente seguro, pois, sendo a população constantemente mutável, não é possível estabelecer cálculos exatos e definitivos. Dentre os principais índices utilizados no Brasil e no mundo, para medir o fenômeno da desigualdade social, estão o Produto Interno Bruto (PIB), a renda per capita e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Histórico e causas da desigualdade social na humanidade

Os primórdios da desigualdade social na história da humanidade nos remetem às relações de poder, estabelecidas desde o início dos tempos. Com o passar dos anos e a evolução da humanidade, as relações de desigualdades também se modificaram à medida que se davam as mudanças no mundo. As relações comerciais, a consolidação do capitalismo e a expansão da industrialização podem ser apontadas como fatores que contribuíram para o desenvolvimento dos tipos de desigualdades sociais.

Em sua obra “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”, o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau dividiu a desigualdade social em dois tipos, a saber: a física ou natural, estabelecida por fatores como força física, idade, qualidade do espírito, condições de saúde; e a moral e política, que seria uma espécie de convenção autorizada pela maioria da sociedade.

Na concepção do pensador alemão Karl Marx, tal fenômeno era causado pela divisão de classes, quadro em que as classes dominantes se utilizavam da miséria provocada pela desigualdade social para manter o seu domínio.

A desigualdade social no Brasil

Por que o Brasil é um dos países com maior desigualdade social, embora seja, também, tão rico em recursos naturais e com um PIB (Produto Interno Bruto) que figura entre os maiores do planeta? Trata-se de uma questão realmente difícil de entender e aceitar, mas a resposta reside no fato de o país ser extremamente injusto em relação à distribuição de seus recursos entre a população.

De acordo com pesquisadores da área social e econômica, o fenômeno da desigualdade social é tão elevado no Brasil devido ao seu contexto histórico, desde os tempos do Brasil Colônia.

Um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgado em julho de 2010, coloca o país no terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Ainda de acordo com esse estudo, as principais causas de tanta disparidade social incluem a falta de acesso à educação de qualidade, baixos salários, política fiscal injusta, dificuldade de acesso a serviços básicos como saúde, saneamento básico e transporte público.

Com a desigualdade social surgem ainda outros problemas preocupantes, como o aumento da violência e criminalidade, fome, educação precária, pobreza, desemprego e conflitos civis. É preciso ressaltar que existem pessoas e instituições à frente de iniciativas que visam reduzir, e até acabar, com o problema da desigualdade no Brasil, no entanto, ao olharmos a realidade, concluímos que ainda há muito a ser feito.

Referências

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/01/140122_desigualdade_davos_pai.shtml

Por Débora Silva
Teste seu conhecimento

1. [Ufub] De acordo com a teoria de Marx, a desigualdade social explica-se:

a) Pela distribuição da riqueza de acordo com o esforço de cada um no desempenho de seu trabalho.

b) Pela divisão da sociedade em classes sociais, decorrente da separação entre proprietários e não proprietários dos meios de produção.

c) Pelas diferenças de inteligência e habilidade inatas dos indivíduos, determinadas biologicamente.

d) Pela apropriação das condições de trabalho pelos homens mais capazes em contextos históricos, marcados pela igualdade de oportunidades.

2. [UEM] Considerando o debate sociológico sobre o tema das “desigualdades sociais” no Brasil, assinale o que for correto.

01) O desemprego é uma condição de vida experimentada por muitos indivíduos na atualidade. Ele é analisado pelas teorias sociológicas como uma “questão social”, podendo ser um fenômeno que envolve diversos elementos estruturais de uma ou de várias sociedades.

02) O aumento significativo do número de divórcios é resultado dos problemas que afetam os indivíduos em particular, destruindo lares e famílias, exigindo soluções específicas para cada pessoa.

04) As desigualdades socioeconômicas entre brancos e negros são explicadas pelo sentimento de inferioridade que os negros, historicamente, cultivaram, não tendo relação com o regime de produção baseado na monocultura, no latifúndio e na escravidão.

08) Os negros integram o grupo social que permanece por menos tempo na escola. A implantação de políticas públicas que tenham como meta sua inclusão no sistema formal de ensino integra, na atualidade, o grupo das ações afirmativas, discutidas pelas instituições de ensino superior.

16) O desemprego, o divórcio e as desigualdades socioeconômicas entre negros e brancos podem ser analisadas como “questões sociais” que produzem efeitos perversos exclusivamente nas classes sociais menos favorecidas.

1. [b].

2. 01 e 08 = 09.

Compartilhe nas redes sociais

TOPO