Desertificação

A desertificação é definida como um processo de degradação da terra em áreas áridas e semiáridas devido a vários fatores que incluem mudanças climáticas e a atividade humana.

A desertificação é o processo pelo qual a terra fértil é transformada em deserto à medida que se torna progressivamente mais seca e incapaz de suportar qualquer crescimento de plantas para a produção de alimentos.

De modo resumido, podemos dizer que desertificação se dá quando a terra que era originalmente de outro tipo de bioma se transforma em deserto devido a vários fatores (ambientais, econômicos e sociais).

Atualmente, a de desertificação de ecossistemas é uma grande questão enorme em muitos países nos quais grandes áreas de terra estão passando por esse processo.

Desertificação no mundo

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Atualmente, a desertificação da terra afeta 168 países em todo o mundo, principalmente em regiões da África, América do Sul e Oceania, de acordo com a pesquisa mais recente feita pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

Esse número é bastante significativo pois mostra um aumento acentuado desde a última pesquisa feita na década de 1990, que estimou que 110 países estavam com suas terras em risco.

A desertificação vem tomando muita importância nos debates mundiais já que terra desertificada é terra improdutiva, logo, incapaz de produzir alimentos o que impacta diretamente na economia ao redor do mundo.

Dessa forma, cada vez mais países se encontram preocupados particularmente devido aos temores sobre a capacidade do mundo de alimentar uma população que não para de crescer.

Para você ter uma ideia, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) prevê que a demanda por alimentos aumente em 60% até 2050.

E especialistas no assunto dizem que o mundo precisará de mais 120 milhões de hectares de terras agrícolas para sustentar a produção de alimentos necessária.

Enquanto que desde o ano 2000, os preços dos alimentos básicos como carne, laticínios, cereais e açúcar dobraram, um reflexo direto da falta de terras agricultáveis que permitam plantio e criação de animais.

A desertificação é um problema sério que merece nossa atenção.

Causas da desertificação

O processo acontece devido a uma série de razões, mas grande parte da desertificação que está ocorrendo em todo o mundo hoje é causada pela atividade humana em terras extremamente vulneráveis à exploração e a métodos agrícolas inadequados.

  • Desmatamento
  • Pastoreio intensivo
  • Falta de preparação do solo
  • Métodos errados de irrigação
  • Superpopulação humana
  • Alterações climáticas

Consequências da desertificação

O solo torna-se infértil. À medida que o solo seca, ele endurece e torna-se difícil para qualquer chuva que ocorra penetrar abaixo da superfície do solo. E o que resta é uma pilha de pó sem vida, em vez de um meio que dá vida.

A vegetação é danificada ou destruída, pois a desertificação reduz a capacidade da terra de suportar a vida vegetal.

Erosão

Essa redução na cobertura vegetal aumenta a erosão do solo devido ao aumento da exposição direta ao vento que resulta na diminuição da capacidade de armazenamento de água dos solos.

Vale ressaltar que a erosão do solo é o passo final que fecha o ciclo de deterioração contínua do solo e é impossível que haja a reversão da desertificação nesse estágio.

O processo de desertificação também piora os desastres naturais, uma vez que eventos como inundações, tempestades de poeira e poluição se tornam mais fortes em áreas com solos altamente degradados.

Poluição das águas

Do mesmo modo, a vegetação desempenha um papel importante na limpeza da nossa água. Plantas e árvores funcionam como filtros naturais, armazenando poluentes como metais pesados da água em seus próprios corpos.

Os solos desertificados carecem desse “filtro verde” e, portanto, mais dessas substâncias nocivas entram em nossos reservatórios de água subterrânea.

Aumento da fome e da pobreza

Tudo isso sem contar com a pobreza e a fome. Devido às condições de seca e à perda de terras produtivas, as pessoas podem enfrentar a fome a pobreza, pois o solo fértil é ainda a única alternativa para milhares de pessoas ao redor do mundo se alimentarem e gerarem algum lucro.

Desertificação no Brasil

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Aqui, temos dois biomas que são particularmente atingidos pela desertificação: a caatinga, em maior grau e o pampa gaúcho, em menor grau.

Praticamente esquecido, esse bioma se encontra no clima semiárido que favorece a sua desertificação bem como a exploração inadequada das terras.

No entanto, visando diminuir as regiões afetadas pela desertificação, em 2016 o governo brasileiro estabeleceu a iniciativa Recuperação de Unidades Degradantes e Redução de Vulnerabilidade Climática (URAD) para financiar ações que abordem os principais fatores de degradação da terra.

A caatinga está localizada no nordeste do Brasil e ocupa 11% do território nacional, uma área de cerca de 1 milhão de km² e conta com mais de 34 milhões de habitantes, sendo o lar de 178 espécies de mamíferos, 591 espécies de aves, 177 espécies de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 espécies de peixes e 221 espécies de abelhas.

Portanto, assim como você pode ver, a caatinga, ainda que não pareça, é um bioma riquíssimo.

Porém como na maioria das regiões áridas e semiáridas do mundo, a caatinga enfrenta os desafios da pobreza além de ser fortemente desgastada pela seca.

Isso porque a maioria das regiões áridas do mundo é subvalorizada e pouco divulgada porque não há políticas públicas que possam promover as transformações ambientais, sociais e econômicas que são necessárias.

Por isso projetos como o URAD são tão importantes, já que recuperação de cada bacia hidrográfica é construída sobre uma intervenção ambiental, social e econômica totalmente integrada.

Através desse projeto, as intervenções ambientais visam administrar e conservar o solo, recuperar a água da nascente, preservar a diversidade biológica e criar as condições que tornarão a área útil para a produção de alimentos.

Desse modo, apesar de recente, esse projeto tem se mostrado fundamental para que possamos recuperar áreas atingidas pela desertificação, mas que ainda não entraram em processo erosivo.

Como evitar a desertificação

Confira agora algumas soluções para a desertificação.

Práticas de agricultura sustentáveis

O uso sustentável da terra pode consertar problemas como o pastoreio intensivo, a superexploração da vegetação e as práticas de irrigação que causam e pioram a desertificação.

Preservação da vegetação

A melhor maneira de proteger o solo contra a desertificação e a sua consequente erosão é preservando a vegetação nativa da região, optando pela exploração consciente do solo.

Criação oportunidades econômicas fora das terras áridas e semiáridas

A criação de novas possibilidades para as pessoas ganharem a vida, com crescimento urbano e infraestrutura, poderia aliviar os processos de desertificação, pois essas pessoas teriam outro modo de vida que não incluiria a exploração incorreta do solo, certo?

Políticas de prevenção e restauração do solo

Assim como citamos acima, a criação do projeto URAD entre outras iniciativas são superimportantes, uma vez que incluem ativamente o poder público no problema.

Dessa maneira, como podemos perceber, a desertificação dos solos é um problema ambiental capaz de afetar toda forma de vida em regiões inteiras. É uma questão que merece a atenção de todos, inclusive dos nossos governantes.

Referências

Desertificação, degradação da terra e secas no Brasil – CGEE
Combate à desertificação – Ministério do Meio Ambiente
Desertificação – Nações Unidas

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [UFSCAR]

O processo de desertificação de uma área consiste em uma diminuição progressiva nos índices de umidade e no empobrecimento dos solos arenosos, que se tornam inviáveis para a agricultura. A esse respeito, analise as seguintes afirmativas:

I. O uso inadequado do solo, os desmatamentos, as sucessivas queimadas, monocultura e sobrepastoreio são atividades que ocasionam a desertificação.

II. No Brasil, o processo de desertificação vem ocorrendo basicamente em certas áreas do Nordeste e do Rio Grande do Sul.

III. O abandono de uma área agrícola, que fica vários anos sem ser cultivada, inicia o processo de desertificação.

IV. O processo de desertificação de uma área não se explica por mudanças locais e sim pelo aquecimento global da atmosfera da Terra.

São corretas as seguintes afirmativas:

(A) I e II.

(B) I e III.

(C) II e III.

(D) II e IV.

(E) I e IV.

Resposta: A
Todas as atividades citadas em I colaboram com a desertificação; E, além do Nordeste, o Rio Grande do Sul também vem sofrendo com esse processo.

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