Crise na Venezuela

A crise na Venezuela representa um momento de forte tensão geopolítica internacional, onde motivos explanam o problema político local.

A crise na Venezuela, atualmente, é um problema imenso do ponto de vista geopolítico. Inclusive, e sobretudo, para o Brasil, que além de ser um vizinho e aliado comercial, sofre com as consequências do regime.

O país sul-americano passa por uma crise política, econômica e internacional, principalmente do ponto de vista do abastecimento. Ainda lida, sobretudo, com um governo autoritário e repressivo.

O que parecia apenas uma pequena chama interna, transformou-se em um incêndio de proporções mundiais. Uma das nações com uma das maiores reservas mundiais de petróleo caminha, a passos largos, para uma ditadura.

Rússia e China, no entanto, ainda mantêm o suporte e apoio a Nicolás Maduro, atual presidente venezuelano. O que agrava a crise, principalmente, é a desconfiança de parte da comunidade internacional (União Europeia e Estados Unidos), que contestam a democracia venezuelana.

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(Imagem: Reprodução)

Motivos que acarretaram a crise na Venezuela

Alguns pontos relativos à crise na Venezuela chamam a atenção. O agravamento das tensões internas espalhou o problema para o estrangeiro. Entre os motivos, 5 podem ser citados como os principais, e que levaram a Venezuela ao colapso atual.

O problema do Petróleo

Como principal commoditie do país, a Venezuela acabou sofrendo com a queda do preço do barril. De 100 para 50 dólares de 2014 para cá, o valor foi interessante para os consumidores do exterior.

Contando com mais de 300 bilhões de barris, a Venezuela apresenta uma das maiores reservas mundiais do produto. O fim de importações obrigatórias pelos EUA, o maior importador, ou uma bancarrota estatal poderia gerar aumento no preço do barril.

Tensões geopolíticas com membros da comunidade internacional

Rússia, China e Irã dedicam seu apoio ao presidente Nicolás Maduro. Estima-se que a potência asiática tenha injetado mais de 50 bilhões de dólares na Venezuela entre os anos de 2005 e 2016.

Por outro lado, os Estados Unidos, com mais força, e suporte de três grandes potências no “quintal norte-americano, impõe sanções contra o presidente venezuelano.

crise na venezuela fome
(Imagem: Reprodução)

Falta de investimento internacional

A desvalorização absurda do bolívar venezuelano tornou a Venezuela um sinônimo de prejuízo para investidores estrangeiros. Lucros na moeda local de nada valem, e o aumento da inflação prejudicou ainda mais essa perspectiva.

Empresas internacionais ainda permanecem no país em meio à crise na Venezuela. No entanto, o local que antes parecia uma “Noruega latina”, transformou-se em um pesadelo.

Instabilidade dentro da América do Sul

Relações com os vizinhos se tornaram tensas, sobretudo com a Colômbia, nação que se tornou esperança das empresas que antes apostavam na Venezuela. O acordo de paz junto das FARCs foram fundamentais.

O presidente Nicolás Maduro publicamente já proferiu represálias à nação colombiana, acusando-a de apoiar a oposição na Venezuela.

Refugiados após crise na Venezuela

Segundo última contagem, cerca de 150 mil refugiados venezuelanos estariam vivendo na Colômbia de modo ilegal. O governo colombiano se propôs a acolher os refugiados, e pretende emitir vistos que permitam a permanência dos cidadãos no país.

Os venezuelanos refugiados também têm buscado o Brasil como destino, nas cidades fronteiriças. Estas, no entanto, já estão sobrecarregadas, e, devido à falta de infraestrutura na região norte do país, fica inviável para o país atender a todos.

O fluxo de refugiados econômicos é grande também para o Brasil, onde as cidades fronteiriças estão sobrecarregadas e não se consegue atender a todos os venezuelanos que chegam.

Referências

O que levou a Venezuela ao colapso econômico e à maior crise de sua história, via G1, por BBC

Crise fez 3 milhões de pessoas deixarem a Venezuela, diz ONU, via R7

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Exercícios resolvidos

1. [PUC]

Dos movimentos ligados às lutas sociais na América Latina, um deles se projetou na América do Sul, a partir dos anos de 1980, quando passou a cunhar discursos libertadores, nacionalistas e emancipatórios na região, originados nos ideais liberais e anti-imperialistas do início do século XIX.
Tal movimento vem se espalhando, na atualidade, nos países sul-americanos, consolidando-se como uma importante força geopolítica continental chamada:

a) Maoísmo.
b) Castrismo.
c) Laoísmo.
d) Senderismo.
e) Bolivarianismo.

Resposta: E

2. [UNESP]

Leia.
É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o Novo Mundo uma única nação com um único vínculo que ligue as partes entre si e com o todo. Já que tem uma só origem, uma só língua, mesmos costumes e uma só religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes Estados que haverão de se formar; mas tal não é possível, porque climas remotos, situações diversas, interesses opostos e caracteres dessemelhantes dividem a América.
(Simón Bolívar. Carta da Jamaica [06.09.1815]. Simón Bolívar: política, 1983.)

O texto foi escrito durante as lutas de independência na América Hispânica. Podemos dizer que,
a) ao contrário do que afirma na carta, Bolívar não aceitou a diversidade americana e, em sua ação política e militar, reagiu à iniciativa autonomista do Brasil.
b) ao contrário do que afirma na carta, Bolívar combateu as propostas de independência e unidade da América e se empenhou na manutenção de sua condição de colônia espanhola.
c) conforme afirma na carta, Bolívar defendeu a unidade americana e se esforçou para que a América Hispânica se associasse ao Brasil na luta contra a hegemonia norte-americana no continente.
d) conforme afirma na carta, Bolívar aceitou a diversidade geográfica e política do continente, mas tentou submeter o Brasil à força militar hispano-americana.
e) conforme afirma na carta, Bolívar declarou diversas vezes seu sonho de unidade americana, mas, em sua ação política e militar, reconheceu que as diferenças internas eram insuperáveis.

3. (Fgv 2009)

Na Carta da Jamaica, de 1815, [Simon Bolívar] escreveu:

“Eu desejo, mais do que qualquer outro, ver formar-se na América a maior nação do mundo, menos por sua extensão e riquezas do que pela liberdade e glória”.

(Flavio de Campos e Renan Garcia Miranda, “Oficina de História – história integrada”)

A intenção de uma América hispânica independente e formando um único país, entre outros motivos, não prevaleceu em razão:

a) de um acordo entre franceses e ingleses, assinado no Congresso de Viena.
b) do interesse espanhol em enfraquecer o poderoso Vice-Reinado da Nova Granada.
c) dos fortes e decisivos interesses ingleses, norte-americanos e das próprias elites locais da América.
d) da deliberada ação do Brasil, preocupado com a formação de um poderoso Estado na América.
e) das tensões entre as elites do México e Peru, que disputavam a hegemonia sobre a América.

Resposta: E

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