Canal do Panamá

Servindo como atalho nas rotas dos navios, o Canal do Panamá é considerando uma das maiores obras humanas concretizadas.

No contexto geográfico, o canal é compreendido como uma escavação natural (realizada pelo próprio rio) ou artificial (criado por necessidades humanas) através do qual correm as águas de um rio. Os canais são criados com a finalidade de facilitar as navegações, expandindo as relações entre diversas partes do globo.

O Canal do Panamá foi criado com a intenção de unir os Oceanos Pacífico e Atlântico. É considerada como uma das maiores obras humanas já concretizadas até hoje.

Navio de carga no Canal do Panamá. Foto: Getty Images
Navio de carga no Canal do Panamá. Foto: Getty Images

“Uma das ações mais efetivas e marcantes da Doutrina Monroe, e que se deu sob o governo Roosevelt.” (SILVA, 2013, p. 51)

A vontade de união dos Oceanos no istmo (uma porção de terras estreitas cercadas por água em ambos os lados, a qual conecta extensões de terra) da América Central era já antiga, mas faltavam investimentos neste sentido. Houve uma primeira tentativa por parte da França, por parte da equipe do mesmo Arquiteto que construiu o Canal de Suez. A França não obteve sucesso neste sentido, pois naquele contexto houve uma epidemia de malária, a qual dificultou os trabalhos, o que acabou levando à falência a empresa de Ferdinand de Lesseps.

Com a retirada de França das obras, os Estados Unidos, que já estavam interessados, deram continuidade nas obras. No contexto da Doutrina Monroe, pautada na expansão e dominação territorial, os estadunidenses já estavam articulando forças para dar continuidade ao projeto.

“Para isso, ofereceram dez milhões de dólares ao governo colombiano pela concessão do istmo, oferta recusada pela então Grã-Colômbia a quem pertencia o Panamá.” (SILVA, 2013, p. 51)

Sendo o Panamá uma possessão colombiana, a revolta já existente entre os panamenhos e os colombianos se intensificou, quando houve a aproximação dos Estados Unidos em relação aos panamenhos, os incentivando a romper com a dependência política em relação à Colômbia. Naquele contexto, com apoio estadunidense, foi proclamada a República do Panamá, a qual foi imediatamente reconhecida pelos Estados Unidos. Os colombianos ficaram sem possibilidade de retomada daquela fração territorial, uma vez que a marinha estadunidense desembarcou no Panamá, intimidando qualquer manifestação.

Os Estados Unidos concluíram a obra, obtendo uma concessão de uso perpétuo do canal. Durante o século XX o Canal do Panamá esteve sob controle dos EUA, no entanto, devido às pressões populares panamenhas, foi assinado um acordo de devolução do controle do canal ao Panamá em 1977. Mas, a devolução ocorreu apenas em 1999. Veja abaixo o mapa da construção do Canal do Panamá:

Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução

A construção do Canal do Panamá foi uma obra de extrema importância, pois a construção desta passagem interoceânica de grande porte, aceleraria o comércio entre Oeste e Leste dos Estados Unidos, e entre a Europa e o Pacífico (Oceania e Japão). Antes da construção do Canal, os grandes navios cargueiros tinham a necessidade de contornar o continente Sul-americano, demandando maior quantidade de tempo e de custos.

Hoje existe uma necessidade de investimentos para que o Canal do Panamá continue sendo viável aos navegantes, uma vez que ele foi originalmente criado com a finalidade de abarcar até um determinado tamanho máximo de navios. Com o avanço das tecnologias, navios maiores e mais modernos foram criados, tornando difícil a passagem pelo canal. Atualmente, a responsabilidade quanto às obras de ampliação e modernização cabe ao Panamá.

“Os gigantes navios cargueiros modernos não podem atravessá-lo porque alguns pontos são estreitos e outros são rasos.” (TAMDJIAN, 2012, p. 188)

O assoreamento é um dos principais problemas que assolam o Canal do Panamá. Como assoreamento é compreendido o processo de deposição de sedimentos no fundo de rios, represas e lagos. Essa deposição deixa-os mais rasos, prejudicando e colocando em risco a navegação.

Referências

SILVA, Edilson Adão Cândido da (Org.). Geografia em rede. 3º ano. São Paulo: FTD, 2013.
TAMDJIAN, James Onnig (Org.). Geografia: estudos para a compreensão do espaço. O espaço do mundo. 8º ano. São Paulo: FTD, 2012.

Luana Caroline
Por Luana Caroline

Mestre em Geografia (UNIOESTE); Licenciada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (ALFA-UMUARAMA) e Educação Profissional e Tecnológica (FACULDADE SÃO BRAZ).

Como referenciar este conteúdo

Künast Polon, Luana Caroline. Canal do Panamá. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/geografia/canal-do-panama. Acesso em: 10 de October de 2021.

Teste seu conhecimento

1. [FUVEST 2007] A importância geopolítica do Canal do Panamá e o crescente fluxo de embarcações entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico exigem melhorias na infraestrutura desse canal. Assim, a responsabilidade por essas melhorias caberá:

a) ao conjunto dos países que compõem a CARICOM (Comunidade do Caribe) , dado o montante de recursos necessários.
b) ao próprio Panamá, provavelmente, uma vez que o domínio e o controle do Canal passaram para esse país a partir do ano 2000.
c) aos EUA, pois é o país que tem o principal interesse geopolítico na região, além de manter o controle do Canal.
d) ao governo panamenho em uma associação com a Colômbia e a Costa Rica, oferecendo, a tais países vizinhos, vantagens futuras no uso do Canal.
e) à ONU, que, a partir de 2008, será a responsável pela gestão do Canal, em razão não só do aumento do fluxo internacional de mercadorias, mas também em virtude de sua importância geopolítica.

1. [B]

Por reivindicação popular, o Canal do Panamá, passou a estar sob domínio do Panamá novamente, após muitos anos sob dominação dos Estados Unidos. Assim, as modificações necessárias em relação à infraestrutura, com a finalidade de atender a crescente demanda de fluxos, está sob responsabilidade do próprio Panamá.

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