América Latina

Países com um histórico de independência tardia, mas que estão caminhando para um estágio cada vez mais avançado em suas economias.

Foto: Getty Images
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Como América Latina entende-se o conjunto de países marcados pela herança colonial ibérica. Estes países possuem algumas condições comuns, como o fato de terem sido colonizados por países latinos, sendo eles Portugal, Espanha e França. A língua predominante nos países latinos é o espanhol, mas são idiomas destes países também o português e o francês (línguas derivadas do latim). Destacando-se também as línguas nativas, ainda faladas em alguns países. São marcas da América Latina, a diversidade cultural, natural, e também socioeconômica. É relevante destacar também as desigualdades e contrastes sociais entre os países englobados.

1. Quais países compreendem a América Latina?

São considerados como latino-americanos, países pertencentes à América do Sul, América Central e ainda o México (América do Norte). São eles: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Suriname, Uruguai, Venezuela. Veja o mapa:

Mapa: Reprodução
Mapa: Reprodução

A maioria dos países que compõem a América Latina teve sua independência ainda na primeira metade do século XIX, processo este que foi marcado pelas lutas em favor do fim da escravidão, bem como as rebeliões dos nativos contra o domínio europeu, e ainda os choques entre os colonizadores e as elites que foram se constituindo.

“Com a conquista da independência, começaram a surgir conflitos de interesse entre as elites criollas distribuídas por diferentes locais, o que levou à fragmentação das colônias em diversos territórios e deu origem à maioria dos países que hoje compõem a América de colonização europeia.” (CARVALHO, 2006, p. 114)

Já no iniciou do século XXI, há uma consolidação dos regimes democráticos nos países latino-americanos. Em conjunto, é possível se verificar que o ritmo de crescimento econômico também tem representado um crescimento significativo. Esse crescimento econômico, juntamente com os programas governamentais de transferência de renda, tem demonstrado uma queda expressiva nos indicadores de pobreza. Ainda assim as desigualdades sociais são gritantes, e o número de pobres ainda é elevado. Observe os índices de pobreza representados no gráfico abaixo:

Avanço da pobreza nos países da América Latina. Ilustração: ECLAC
Avanço da pobreza nos países da América Latina. Ilustração: ECLAC

2. O crime organizado

Um dos principais problemas da América Latina é o crime organizado, especialmente em relação ao tráfico de drogas, bem como a lavagem de dinheiro. A cocaína é um dos mais sérios problemas que envolvem os países latino-americanos. Originalmente plantada na Colômbia, no Peru e na Bolívia, a folha de coca é a base da produção de cocaína. A droga segue pelos territórios brasileiro, colombiano e peruano, alcançando os mercados dos Estados Unidos e países europeus.

“A maior parte do transporte e da distribuição dessas drogas fica a cabo dos cartéis mexicanos, atualmente responsáveis por comercializar a droga nos Estados Unidos e no Canadá, grandes mercados consumidores.” (SILVA, 2013, p. 111)

Essas relações formadas pelo crime organizado na América Latina criam as redes de comércio ilegais, formulando uma configuração territorial própria destes espaços, configurada em favor das práticas consideradas ilícitas. Veja um mapa das principais rotas do tráfico de drogas, observando as redes na América Latina:

3. Economia e Industrialização

A economia latino-americana ainda é considerada como subdesenvolvida, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos. Dentre as principais atividades destacam-se o extrativismo, a agropecuária, a indústria, o comércio, os transportes, e outros. Neste cenário, são destaques o Brasil, o México e a Argentina, sendo que quase 90% de toda produção industrial da América Latina advém destes três países.

“Brasil, México e Argentina apresentam um parque industrial diversificado, com expressiva produção.” (LUCCI, 2012, p. 222)

Dentre as diversas condições que tem elevado à economia brasileira, e impulsionado o desenvolvimento latino-americano, estão os investimentos na produção agrícola, em especial em relação à mecanização do processo produtivo, bem como os avanços em implementos e nas formas de manejo. Da mesma forma, a pecuária também possui destaque, em especial na região do cerrado brasileiro, contendo os maiores rebanhos bovinos do mundo. São relevantes também o extrativismo vegetal e a mineração.

4. Aspectos Físicos

Muito embora tenha sido convencionado chamar o conjunto dos países em questão de “América Latina”, é necessário frisar que existe uma vasta diversidade de características humanas e ambientais, não representando, portanto, uma região homogênea. Em termos de relevo, independente da latitude, na direção Leste-Oeste, verifica-se uma continuidade de formas de relevo. Estão presentes as planícies costeiras (tanto no Pacífico, quanto no Atlântico), as cordilheiras, as planícies fluviais e os planaltos. Observe abaixo o mapa físico da América Latina:

Ilustração: Mediateca.cl
Mapa físico e hidrográfico da América Latina. Ilustração: Mediateca.cl

Em relação ao clima, existem significativas variações, as quais são ocasionadas pelas diferenças em alguns fatores: localização geográfica (latitude/altitude), formas do relevo, massas de ar, dentre outros. As características climáticas da América Latina são variáveis e não há um padrão específico, pois, apesar de se localizar em sua totalidade no hemisfério ocidental, essa divisão não é homogênea, ficando a maior parte das terras do lado Sul da Linha do Equador. Assim, quase em sua totalidade, a América Latina encontra-se sob o clima intertropical, uma parte menor na zona temperada do Norte, e a maior sob a zona temperada do Sul. Alguns pontos específicos são relevantes, como a região do Deserto do Atacama, na qual praticamente não há chuvas, constituindo um clima próprio de áreas desérticas. Veja o mapa de climas da América Latina:

Mapa climático da América Latina. Ilustração: Reprodução.
Mapa climático da América Latina. Ilustração: Reprodução.

Da mesma forma, a vegetação também varia de acordo com a posição geográfica, e as condições físicas, como relevo e o clima. Deste modo, estão presentes florestas tropicais, subtropicais e temperadas, savanas, e plantas adaptadas aos climas desérticos, como as xerófilas. Assim, tanto em termos físicos, quanto em questão social e cultural, torna-se uma tarefa complexa compreender a América Latina como grupo, pois as diferenças são notórias. O que faz com que esse conjunto seja assim caracterizado é a herança colonial comum.

Referências

CARVALHO, Marcos Bernardino de. Geografias do mundo. São Paulo: FTD, 2006.
LUCCI, Elian Alabi (Org.). Geografia: homem e espaço. 8º ano. 25ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
SILVA, Angela Corrêa da (Org.). Geografia: contextos e redes. São Paulo: Moderna, 2013.
SILVA, Edilson Adão Cândido da (Org.). Geografia em rede. 3º ano. São Paulo: FTD, 2013.

Luana Caroline
Por Luana Caroline

Graduada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (FAU) e Mestre em Geografia (UNIOESTE)

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1. [ENEM 2013] Embora haja dados comuns que dão unidade ao fenômeno da urbanização na África, na Ásia e na América Latina, os impactos são distintos em cada continente e mesmo dentro de cada país, ainda que as modernizações se deem com o mesmo conjunto de inovações (ELIAS, D. Fim do século e urbanização no Brasil. Revista Ciência Geográfica, ano IV, n. 11, set/dez. 1988). O texto aponta para a complexidade da urbanização nos diferentes contextos socioespaciais. Comparando a organização socioeconômica das regiões citadas, a unidade desse fenômeno é perceptível no aspecto:

a) espacial, em função do sistema integrado que envolve as cidades locais e globais.
b) cultural, em função da semelhança histórica e da condição de modernização econômica e política.
c) demográfico, em função da localização das maiores aglomerações urbanas e continuidade do fluxo campo-cidade.
d) territorial, em função da estrutura de organização e planejamento das cidades que atravessam as fronteiras nacionais.
e) econômico, em função da revolução agrícola que transformou o campo e a cidade e contribuiu para fixação do homem ao lugar.

1. [C]

Apesar de muitas cidades estarem afastadas e apresentarem características socioeconômicas e culturais distintas, podemos observar fenômenos correlatos como o demográfico, no qual certos lugares apresentam grandes aglomerações urbanas, atraídas por uma melhor infraestrutura, havendo o deslocamento das áreas rurais em direção às urbanas.

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