América do Sul

Esta parte do continente americano chama a atenção mundial pela sua diversidade cultural baseada em danças, músicas, vestimentas e comidas típicas.

No mundo existem 6 continentes, sendo eles: América, Europa, Ásia, África, Oceania e Antártida. A América do Sul faz parte do continente americano, juntamente com a América do Norte e a América Central. O continente americano é o segundo maior em extensão. Além da divisão das três Américas, há outra subdivisão no continente americano, que é entre América Anglo-Saxônica (países com origem linguística inglesa) e América Latina (países de origem linguística românica, como espanhol, francês e português).

1. América do Sul

A América do Sul localiza-se na parte meridional da América, sendo composta por doze países independentes, os quais são: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname.

Ilustração: Reprodução
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Dentre os países sul-americanos, o Brasil recebe destaque por sua dimensão territorial (8,5 milhões de km2), sendo o maior país da América do Sul, bem como o mais populoso. As línguas mais faladas são o Espanhol e o Português, além de diversas outras em menores proporções. O menor país é o Suriname, com apenas 164 mil km2 de extensão territorial. Além da abundância de recursos naturais, a América do Sul é conhecida pelas desigualdades sociais, embora alguns países tenham se desenvolvido significativamente nas décadas mais recentes.
Existem algumas especulações sobre a descoberta da América do Sul, sendo que a teoria mais aceita afirma que os descobridores das terras sul-americanas foram caçadores provenientes da América do Norte e América Central. A data provável das ocupações é de 15.000 a.C., com base em indícios encontrados por pesquisadores, como sítios arqueológicos. O desenvolvimento desta região está intimamente relacionado com a presença dos incas, que são uma antiga civilização que habitava a região dos Andes.

“Os incas construíram uma grande rede de estradas, na qual circulavam continuamente mensageiros levando notícias e carregadores transportando mercadorias […] Desse modo, foi vencido o isolamento natural das regiões montanhosas, o que permitiu que essa extraordinária civilização se estendesse por mais de 4 mil quilômetros ao longo da cordilheira dos Andes.” (TAMDJIAN, 2012, p.93)

As riquezas naturais da América do Sul atraíram outros povos para a região, o que trouxe prejuízos devastadores para a civilização inca, a qual foi praticamente destruída, especialmente quando submetida ao domínio espanhol, nos anos de 1533.
Nota-se que há um esquecimento social em relação aos avanços feitos pelos incas, os quais são importantes até os dias atuais para a ciência. A presença da civilização inca no território sul-americano é relembrada pelas ruínas de suas construções, as quais atraem diversos turistas para a região. A grandiosidade das construções mostra o poder deste império naquele contexto.

Foto: Reprodução
Machu Picchu, Peru. Foto: Reprodução

2. Dinâmicas da Natureza

A América do Sul é composta pela diversidade das paisagens, as quais compreendem desde desertos e florestas úmidas, até cordilheiras e geleiras. Justamente por sua diversidade, a ação antrópica sobre o meio também é intensa, especialmente com a extração dos recursos naturais para exportação, mas também com a devastação dos biomas para dar lugar às pastagens e plantações.

A formação do relevo sul-americano deriva de fatores internos, como a dinâmica entre as placas tectônicas Sul-americanas e de Nazca. Um exemplo disso é a constituição da Cordilheira dos Andes, que se formou a partir do choque entre estas placas. Da mesma forma, o atrito entre estas causa os terremotos na região dos Andes.

Vista da cidade de Santiago no Chile, ao fundo a Cordilheira dos Andes. Foto: Getty Images.
Vista da cidade de Santiago no Chile, ao fundo a Cordilheira dos Andes. Foto: Getty Images.

O relevo da América do Sul é semelhante ao da América do Norte, contando com grandes cadeias de montanhas, que no caso do sul são as cordilheiras dos Andes, também planícies centrais, as quais são a planície do rio Orinoco, a planície Amazônica e a planície Platina. Os planaltos e as serras do Atlântico são importantes na configuração do relevo da América do Sul, assim como o planalto da Patagônia.

Há uma boa disponibilidade de águas na América do Sul, especialmente com a vertente do Atlântico Sul, a mais extensa e importante do continente. Nesta estão dispostas as bacias Amazônica e Platina. Há também importantes lagos, como o Maracaibo na Venezuela, e o Titicaca nos Andes. A vegetação na América do Sul apresenta significativa variedade, essa heterogeneidade deriva por conta das influências climáticas. Podem ser encontradas florestas de alta densidade, como a Amazônica e a Mata Atlântica. Há a presença das regiões dos Pampas, que são constituídas por grandes pastagens, e também a Caatinga, típica do nordeste brasileiro.

Nas regiões com climas mais amenos, podem-se encontrar as florestas de araucárias, que são árvores adaptadas às baixas temperaturas. Enquanto nos climas mais elevados, como as regiões mais áridas, verifica-se a presença de espécies cactáceas. Ainda, estão presentes na América do Sul, regiões com predominância de savanas e cerrados. Abaixo seguem os mapas do clima e da vegetação (cobertura original) do continente americano:

Ilustração: Reprodução
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3. Desenvolvimento e Economia

O continente americano desde seu descobrimento tem servido aos interesses do capital estrangeiro, especialmente as áreas ao sul, as quais são ricas em recursos naturais.

“O continente americano foi a primeira área da superfície terrestre colonizada e organizada para atender às exigências e aos interesses comerciais do capitalismo que nascia nos diversos Estados-nação europeus.” (LUCCI, 2012, p. 94)

Assim, o continente sempre sofreu com as intervenções humanas no meio para retirada de recursos minerais, como o ouro e a prata. Além de matérias-primas de diversos tipos, especialmente as madeiras. Devido às condições naturais propícias para o cultivo da cana-de-açúcar, algodão e o tabaco, houve o extensivo uso da mão-de-obra dos indígenas que viviam no continente, bem como dos africanos escravizados. A produção e os recursos atendiam aos interesses dos europeus.

Atualmente a América do Sul tem sua economia relativamente diversificada. Veja a organização dos países segundo a atividade econômica:

Ilustração: Reprodução
Ilustração: Reprodução

Os países caracterizados com atividade industrial diversificada são basicamente exportadores de produtos primários e industrializados, apresentando produção industrial elevada em algumas áreas específicas. Já os países com atividade pouco ou relativamente industrializada são geralmente dependentes de exportações de produtos primários, seja de origem agrícola ou mineral. Alguns países da América do Sul estão em expansão econômica, firmando acordos internacionais, e se desenvolvendo continuamente. Embora seja possível perceber esse crescimento econômico e o desenvolvimento social de países sul-americanos, ainda é predominante a ideia de que a América do Sul é subdesenvolvida, pois existe grande desigualdade social, e muitas pessoas ainda vivem de maneira muito precária, além de haver uma significativa dependência com os países desenvolvidos em diversos aspectos.

4. Cultura Sul-americana

A cultura da América do Sul é pautada especialmente nas tradições. Além da cultura indígena, também a europeia, portuguesa e africana possuem destaque. Há uma ampla variedade de manifestações culturais sul-americanas, como as danças: tango na Argentina, samba no Brasil, salsa na Colômbia, dentre outras. Da mesma forma os gêneros musicais, os quais refletem em grande medida as vivências do povo, como no caso dos sertanejos. As manifestações religiosas também têm destaque, especialmente o catolicismo e o protestantismo. A presença dos africanos também é lembrada por meio da cultura, especialmente na Bahia, com as comidas típicas, vestimentas, músicas e religiões de matriz africana. A diversidade cultural é um dos traços marcantes da América do Sul, e tem sido utilizada como estratégia de aproximação entre os países sul-americanos, já que a cultura promove o sentido de pertencimento.

Referências

LUCCI, Elian Alabi (Org.). Geografia: homem e espaço. 8º ano. 25ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
TAMDJIAN, James Onnig (Org.). Geografia: estudos para a compreensão do espaço – O espaço do mundo. 8º ano. São Paulo: FTD, 2012.

Luana Caroline
Por Luana Caroline

Graduada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (FAU) e Mestre em Geografia (UNIOESTE)

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1. [UDESC] O país localizado na América do Sul, que possui geleiras eternas, vulcões, lagos de altitude, florestas de araucárias, ilhas, praias, áridos desertos e é banhado pelo oceano pacífico, é:

a) Venezuela
b) Brasil
c) Uruguai
d) Bolívia
e) Chile

 

2. [ENEM/2009] Apesar do aumento da produção no campo e da integração entre a indústria e a agricultura, parte da população da América do Sul ainda sofre com a subalimentação, o que gera conflitos pela posse de terra que podem ser verificados em várias áreas e que frequentemente chegam a provocar mortes. Um dos fatores que explica a subalimentação na América do Sul é:

a) a baixa inserção de sua agricultura no comércio mundial.
b) a quantidade insuficiente de mão-de-obra para o trabalho agrícola.
c) a presença de estruturas agrárias arcaicas formadas por latifúndios improdutivos.
d) a situação conflituosa vivida no campo, que impede o crescimento da produção agrícola.
e) os sistemas de cultivo mecanizado voltados para o abastecimento do mercado interno.

1. [E]

A grande extensão latitudinal do Chile, bem como a presença da Cordilheira dos Andes, favorece a formação de diversificadas paisagens, como as descritas.

 

2. [C]

Apesar de haver uma grande quantidade de espaços agricultáveis na América do Sul, muitos destes são mal utilizados, estando ociosos, enquanto poderiam estar produzindo alimentos. A produção em ampla escala para exportação, como no caso da soja, não representa necessariamente alimento para a população, mas lucro para o produtor. O ideal seria que houvesse uma reforma agrária, permitindo que um maior número de pessoas tivesse acesso a terra, podendo produzir alimentos.

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