América Central

A América Central já foi considerada como a “fazenda” dos Estados Unidos, por permitir o abastecimento daqueles com produtos tropicais.

1. O continente americano

Considerado o segundo mais extenso do mundo, o continente americano é separado dos demais continentes pelos oceanos Atlântico a Leste, e Pacífico a Oeste. O continente é composto por três subdivisões, sendo elas: América do Norte, América Central e América do Sul. Em termos de extensão, a América Central é a menor porção continental.

2. América Central

A América Central está localizada entre América do Norte e América do Sul, sendo um espaço de conexão entre estas.

“Entre essas duas porções continentais, existe uma estreita faixa de terra, denominada istmo, que, juntamente com as Antilhas, forma a América Central.” (LUCCI, 2012, p. 91)

A América Central é formada por duas partes, uma primeira chamada de ístmica, que é a parte continental que liga o sul com o norte da América; e outra Insular, formada pelas ilhas. A maioria dos países que formam a América Central possuem o espanhol como idioma oficial (destacando-se também o inglês e o francês); estes países são considerados pouco desenvolvidos; baseiam sua economia na agricultura e nas pequenas indústrias, além do turismo.

Ilustração: Reprodução
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Ao todo, são 20 países que formam a América Central, boa parte deles possuindo pequenas dimensões territoriais. São aproximadamente 749.000 km² de extensão territorial total, ocupados por cerca de 82 milhões de habitantes.

3. Ocupação da América Central

A ocupação da América Central foi desenvolvida com o interesse de abastecimento das metrópoles com produtos diversos e riquezas, assim como era comum a boa parte dos demais processos colonizadores ao redor do mundo.

“Por volta dos séculos XVII e XVIII, por exemplo, predominavam em vastos trechos da América Central as plantations, cuja produção agrícola era controlada pelas metrópoles europeias.” (TAMDJIAN, 2012, p. 185)

Contratos eram firmados, com a finalidade de que os produtos fossem vendidos exclusivamente para as metrópoles. Na América Central, a colonização foi tipicamente espanhola, derivando daí o idioma oficial da maioria dos países. Uma característica interessante dos povos da América Central é a miscigenação, ocasionada pelo contato entre os colonizadores e as antigas civilizações ameríndias.

“Em países como o Peru e a Guatemala, cerca de 40% da população é constituída por indígenas, e na Bolívia, cerca de 70% são indígenas e 15% são mestiços.” (LUCCI, 2012, p. 112)

Os povos da América Central são reconhecidos pelas vestimentas típicas daquela região. E apesar das conquistas que tiveram ao longo dos anos, continuam sendo, por vezes, discriminados socialmente, economicamente e culturalmente.

Foto: Getty Images
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4. Economia

Uma parte do setor agrícola da América Central é voltada para subsistência, praticada de modo familiar, sem uso de modernas tecnologias. O plantio em menor escala, com técnicas rudimentares, ocasiona uma menor quantidade de produção, mas, de outro lado, produtos sem a massiva intervenção de agrotóxicos e modificações genéticas. Dentre os produtos, é possível destacar o cultivo do milho, repassado ao longo das gerações. Algumas espécies de milho, já extintas em outros locais do mundo, ainda são plantadas naquela região.

Este modo simples de produzir é visto como atrasado pelos países desenvolvidos, motivando preconceito em relação aos países da América Central, sendo que estes já foram apelidados como “República das Bananas”, pois por muito tempo a banana era o principal item de exportação daqueles países. Dentre os principais produtos cultivados atualmente na América Central estão: café, açúcar, algodão, banana, cacau, fumo, dentre outros. As atividades econômicas variam também com o tipo de relevo em cada região, uma vez que existem partes montanhosas e outras mais planas, nas quais o clima também é variável de acordo com a altitude. Quanto maiores as altitudes, menores serão as temperaturas.

De outro lado, destacam-se os latifúndios onde é praticada a monocultura para exportação. Ainda hoje é comum a intervenção de outros países na América Central, especialmente os Estados Unidos, os quais se beneficiam das fragilidades daqueles países para obter vantagens econômicas. Especialmente em relação ao Canal do Panamá é possível ver a dominação dos Estados Unidos, que por muitos anos foram os responsáveis pela administração deste. Destaca-se também o turismo, especialmente em países como a República Dominicana, nas Bahamas e em Cuba. O setor industrial é considerado bastante limitado, mas pode-se destacar o setor petroquímico no Panamá, assim como em algumas ilhas. A presença de petróleo atraí os olhares de outros países.

Além disso, alguns países da América Central funcionam como “paraíso fiscal”, o que significa que os bancos aceitam correntistas sem que estes precisem se identificar. Assim, existe a entrada de capital, sem que a procedência deva ser comprovada, o que dá margem ao encobrimento de recebimentos ilícitos em outros países.

5. Aspectos físicos

A região é constituída por relevo montanhoso, com expressiva atividade vulcânica e com a presença de terremotos. O caso de maior expressividade foi o terremoto que assolou o Haiti em 2010, devido ao qual, o país sofre até hoje.

Foto: Reprodução
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Muito embora a maior parte da América Central esteja sob a zona climática intertropical, outros tipos de climas são comuns devido às variáveis altitudes. Destacam-se também os furacões comuns na região do Mar do Caribe, o que demonstra que a região está em área de intensa atividade vulcânica, sendo moldada constantemente.

A hidrografia da América Central é composta por grandes e pequenos rios, os quais desembocam em locais diferentes, sendo que os grandes desaguam no Caribe, e os pequenos desaguam no Pacífico. Além disso, destacam-se três grandes lagos: Nicarágua, Manágua e Gatún. A fauna e a flora são semelhantes as existentes na América do Sul e América do Norte, variando de acordo com a altitude.

Referências

LUCCI, Elian Alabi (Org.). Geografia: homem e espaço. 8º ano. 25ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
TAMDJIAN, James Onnig (Org.). Geografia: estudos para a compreensão do espaço. O espaço do mundo. 8º ano. São Paulo: FTD, 2012.

Luana Caroline
Por Luana Caroline

Graduada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (FAU) e Mestre em Geografia (UNIOESTE)

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1. [FUVEST/2010] Honduras é um país da América Central, cuja história, assim como a de outros países latino-americanos, é marcada pela dependência externa política e econômica. Em 2009, Honduras esteve em evidência no noticiário político.

a) Explique por que esse país, bem como outros países da América Central, ficou conhecido como “Republiqueta das Bananas” ou “República das Bananas”.

b) Em junho de 2009, um jornal de grande circulação publicou uma reportagem intitulada: Golpe em Honduras repete roteiro do século XX. Identifique e explique duas características comuns ao golpe ocorrido em Honduras e a outros golpes ocorridos na América Latina, durante o período da Guerra Fria.

2. [CESGRANRIO/1993] El Salvador, Nicarágua, Guatemala, Honduras têm estado nos últimos anos, associados aos conflitos que assolam a América Central, tais conflitos se relacionam às formas dominantes na organização de seu espaço. Assinale a alternativa que não contém características dessa parte da América Latina.

a) Trata-se de uma região subdesenvolvida marcada por profunda dependência econômica ao exterior, tanto no setor de exportação quanto na satisfação das necessidades de importação.
b) A economia da maioria dos países é controlada pelas grandes empresas de plantations, o que acarreta constante ingerência estrangeira e instabilidade política na região.
c) A importância estratégica – faixa estreita de terra entre os dois maiores oceanos – torna esta região politicamente importante, principalmente para os Estado Unidos, que aí conservam o Canal Panamá.
d) A proximidade do mercado norte americano para os produtos da região fez com que, de há muito, os investimento estrangeiros aí se fizessem presentes em quase todos os setores da economia.
e) As plantations monopolizam a posse da terra para melhor controlar a produção agrícola, etapa mais lucrativa do processo de produção, deixando aos países locais a responsabilidade da comercialização para o exterior.

1.

a) A denominação “República das bananas” ou “Republiquetas das bananas” está relacionada aos países centro-americanos, e tem um caráter depreciativo, expressando uma conotação de área dominada, dependente, como antigas colônias europeias exportadoras de produtos agrícolas tropicais, principalmente a fruticultura, que após a independência, devido à proximidade geográfica e aos interesses comerciais, passaram a tutela dos Estados Unidos em decorrência de sua política de hegemonia no continente americano, caracterizada, entre outros aspectos, pelas ações da United Fruit Corporation.

b) A história recente da América Latina mostra uma sucessão de golpes de estado e governos populistas ao sabor das mais variadas justificativas, desde a guerra fria a questões de segurança interna. Os golpes, em geral são patrocinados por oligarquias locais e apoiados pela alta hierarquia local da Igreja Católica. Outro aspecto comum foi o autoritarismo através de repressão à liberdade de expressão e dos direitos individuais, sempre vistos como ameaças à segurança nacional.

2. [E]

As plantations foi uma forma de exploração colonial que se pautava em quatro bases: grandes latifúndios, monocultura, trabalho escravo e exportação para a metrópole. O proprietário do latifúndio era o responsável pelo controle do trabalho dos escravos, bem como sobre a comercialização dos produtos.

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