Vírus

Parasitas celulares que dependem dos seus hospedeiros, sempre foram causa de instabilidade social.

1. Introdução

Os vírus sempre provocaram desequilíbrio no bem-estar do ser humano ao longo da história da humanidade. O vírus da varíola, por exemplo, matou milhões de pessoas no século XX, mas essa doença foi declarada como a primeira enfermidade causada por vírus que foi erradicada através de vacinação na década de 80.

Foto: Getty Images.
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“Os vírus possuem genes, replicam, evoluem e são adaptados a hospedeiros, habitats e nichos ecológicos específicos. Contudo, eles são entidades infecciosas não vivas que, pode-se dizer, são conduzidos a um tipo de vida ‘emprestado’.” (Traduzido de: CARTER & SAUNDERS, 2007, p. 6)

Os vírus são partículas biológicas microscópicas versáteis que podem infectar diversos seres vivos (bactérias, plantas, invertebrados, etc) e habitar diversos ambientes. Na sua grande maioria são mutantes e produzem novo material genético a cada replicação para sua evolução. Contudo, existe um controverso debate sobre a definição dos vírus como seres vivos ou não vivos já que são muito distintos das formas celulares conhecidas.

No passado, os vírus eram considerados partículas contagiosas que disseminavam doenças, daí a origem do seu nome (do latim: veneno). Vírus poderiam ser um fluido ou algo impregnado em um pedaço de papel, ou aerossóis presentes no ar. A palavra vírus foi utilizada pela primeira vez para definir o tipo de microorganismo que estaria afetando a planta “mosaico do tabaco” no século XIX. No entanto, o cientista responsável pelos estudos ainda não possuía ferramentas suficientes para definir que tipo de entidade era aquela. Somente com a evolução científica foi possível observar a estrutura viral através de microscópios.

Nota: Na Informática, vírus são programas (softwares) invasores que fazem cópias de si mesmo, espalham-se e danificam ou destroem o sistema operacional do usuário, coletando ou apagando dados, quebrando códigos e sistemas de segurança, dentre outros danos de pequena ou grande amplitude.

2. Características

Os vírus possuem uma cápsula protéica que recobre seu código genético (RNA, DNA ou ambos) e dependem de uma célula para formarem novos vírus através do mecanismo de replicação. Assim, são considerados parasitas celulares e dependem de seus hospedeiros para a maioria das suas necessidades, como a síntese protéica e o fornecimento de energia. O vírus pode também modificar o ambiente celular para incrementar a eficiência de seu processo de replicação. Ele pode induzir a redução da expressão de genes celulares ou produzir novas estruturas de membrana, bem como codificar proteínas para impulsionar a fotossíntese (por exemplo) em células hospedeiras provocando assim, um rendimento maior na produção de novos vírus.

Ainda que conhecendo a estrutura de muitos vírus, eles ainda representam um grande desafio para a ciência, já que ainda não foram descobertas vacinas para as doenças que causam, como o vírus HIV que provoca a síndome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e o vírus Ebola, que recentemente tem provocado centenas de mortes no continente africano.

O genoma dos vírus pode encontrar-se incluso em um capsídeo (cápsula protéica) e este, por sua vez, pode estar recoberto por um envelope. Nesse caso, são denominados vírus encapsulados e seus envelopes são compostos pelos mesmos lipídios da membrana plasmática da célula hospedeira.
Na abaixo pode-se observar uma variedade nas formas, tamanhos e tipos de vírus.

Formatos tamanhos de partículas virais desenhados aproximadamente em escala. (Fonte: CANN, 2012, p.26)
Formatos tamanhos de partículas virais desenhados aproximadamente em escala. (Fonte: CANN, 2012, p.26)

Muitas proteínas virais são multifuncionais e podem desempenhar diversas atividades enzimáticas, como a síntese de RNA viral a partir de DNA celular.

3. Doenças provocadas por vírus

Relatos de doenças virais remontam a milhares de anos antes de Cristo, no antigo Egito e o primeiro deles demonstrava os mesmos sinais típicos da poliomielite. As doenças mais frequentemente provocadas por vírus nos seres humanos incluem: gripe, rubéola, sarampo, varicela (catapora), dengue, hepatites, poliomielite, febre amarela, meningite viral, caxumba, herpes, condiloma, AIDS, e outras. Atualmente, o continente africano tem sofrido com um surto de ebola, doença transmitida pelo vírus de mesmo nome, que provoca febre hemorrágica e apresenta alto percentual de letalidade.

A partir do desenvolvimento das vacinas muitas dessas doenças podem ser prevenidas, no entanto, outras ainda não possuem vacina desenvolvida, como é o caso da enfermidade causada pelo Ebola. As vacinas são a maneira mais eficiente de prevenir a infecção por vírus, já que estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos, enquanto o tratamento das infecções virais é, geralmente, direcionado para redução dos sintomas de cada doença em específico.

Referências

CANN, Alan. Principles of Molecular Virology. 5a. edição. Academic Press, 2012. Págs. 1-10 e pág. 26.
CARTER, John; SAUNDERS, Venetia. Virology: principles and applications. Editora John Wiley & Sons. United Kingdom, 2007, págs. 1-7.
ZIMMER, Carl. A Planet of Viruses. University of Chicago Press, 2012, pág. 1-6.

Larissa Aras
Prof. Larissa Aras

Graduada em Ciências Biomédicas (EBMSP) e Especialista em Gestão da Segurança de Alimentos (SENAC)

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1. [ENEM/2013] A contaminação pelo vírus da rubéola é especialmente preocupante em grávidas, devido à síndrome da rubéola congênita (SRC), que pode levar ao risco de aborto e malformações congênitas. Devido a campanhas de vacinação específicas, nas últimas décadas houve uma grande diminuição de casos de rubéola entre as mulheres e, a partir de 2008, as campanhas se intensificaram e têm dado maior enfoque à vacinação de homens jovens. BRASIL. Brasil livre de rubéola: campanha nacional de vacinação para eliminação da rubéola. Brasília: Ministério da Saúde, 2009 (adaptado).

Considerando a preocupação com a ocorrência da SRC, as campanhas passaram a dar enfoque à vacinação dos homens, porque eles:

a) ficam mais expostos a esses vírus.
b) transmitem o vírus a mulheres gestantes.
c) passam a infecção diretamente para o feto.
d) transferem imunidade às parceiras grávidas.
e) são mais suscetíveis a esse vírus que as mulheres.

2. [ENEM/2010] A vacina, o soro e os antibióticos submetem os organismos a processos biológicos diferentes. Pessoas que viajam para regiões em que ocorrem altas incidências de febre amarela, de picadas de cobras peçonhentas e de leptospirose e querem evitar ou tratar problemas de saúde relacionados a essas ocorrências devem seguir determinadas orientações. Ao procurar um posto de saúde, um viajante deveria ser orientador por um médico a tomar preventivamente ou como medida de tratamento:

a) antibiótico contra o vírus da febre amarela, soro antiofídico caso seja picado por uma cobra e vacina contra a leptospirose.
b) vacina contra o vírus da febre amarela, soro antiofídico caso seja picado por uma cobra e antibiótico caso entre em contato com a Leptospira sp.
c) soro contra o vírus da febre amarela, antibiótico caso seja picado por uma cobra e soro contra toxinas bacterianas.
d) antibiótico ou soro, tanto contra o vírus da febre amarela como para o veneno de cobras, e vacina contra a leptospirose.
e) soro antiofídico e antibiótico contra a Leptospira sp e vacina contra a febre amarela caso entre em contato com o vírus causador da doença.

1. [B]

Os casos de mulheres com rubéola diminuiu, então, o enfoque se dá aos homens porque eles também podem transmitir o vírus a suas parceiras.

2. [B]

A vacina é utilizada no combate a vírus, estimulando a resposta imunológica do próprio indivíduo. O soro antiofídico contém anticorpos contra veneno de cobra, portanto, é utilizado contra picada de cobras. O antibiótico é utilizado em infecções bacterianas, como no caso da leptospirose.

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