Taxonomia e Nomenclatura Zoológica

A classificação dos diversos organismos existentes na Natureza é uma forma de organizá-los em grupos afins para facilitar o estudo destes seres.

A classificação dos seres vivos refere-se à prática de agrupá-los em grupos de acordo com características semelhantes em categorias hierárquicas. Segundo a divisão proposta por Linnaeus, as ordens taxonômicas são as seguintes (da maior para a menor):

  • Domínio
  • Reino
  • Filo
  • Classe
  • Ordem
  • Família
  • Gênero
  • Espécie
Carolus Linnaeus, criador do método binomial para os nomes das espécies.
Carolus Linnaeus, criador do método binomial para os nomes das espécies.

A introdução do Domínio como um táxon superior é recente, a partir de 1990. Proposto por Carl Woese, o Sistema dos Três Domínios agrupa os grandes reinos da taxonomia tradicional em três domínios (Eubacteria – bactérias; Archaea – procariontes; Eukaria – seres eucariontes). Embora o Sistema dos Três Domínios tenha grande aceitação entre os biólogos, a classificação a partir de Cinco Grandes Reinos ainda é mais utilizada (Plantae; Fungi; Animalia; Protista; Monera).

Código Internacional de Nomenclatura Zoológica

Adota desde 1958, o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica é um sistema de regras que determina a maneira correta de compor e aplicar nomes zoológicos. A Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica é a entidade que mantêm e regula o Código, sendo também a responsável por promover as alterações pertinentes, quando necessárias. Tem por objetivo promover a estabilidade e universalidade dos nomes científicos dos animais, além de garantir que cada nome seja único e distinto.

Principais Regras do Código

Os nomes dos táxons podem ser uninominais, binominais, trinomiais e tetranominais.

UNINOMIAIS: Todos os táxons de escalão superior ao grupo da espécie consistem de uma palavra (uninominal) e com a inicial maiúscula ex: Lepidoptera (nome de uma Ordem de insetos). Se o nome do táxon é um gênero, uninomial, é escrito com inicial maiúscula e grifado.

BINOMIAIS: Usados para designar táxons da categoria espécie. Consiste no nome do gênero no qual a espécie está classificada seguido do nome específico. O nome da espécie é grifado e não pode ser acentuado.

TRINOMIAIS: Quando há um subgênero ou uma subespécie. O nome da subdivisão deve ser escrito entre parênteses e todos devem ser grifados.

TETRANOMIAIS: Quando um nome contém quatro termos: gênero, subgênero, espécie e subespécie. As subdivisões devem ser escritas entre parênteses e todos os nomes devem ser grifados.

Outros aspectos a serem considerados são:

  • A nomenclatura zoológica é independente da nomenclatura botânica ou outras.
  • O nome da espécie é binominal e o da subespécie é trinomial. O primeiro nome é indicativo do gênero; o segundo, da espécie e o terceiro, da subespécie.
  • O subgênero quando citado, é colocado entre o gênero e a espécie e entre parênteses.
  • O nome do autor não faz parte do nome de um táxon e sua citação é opcional.

Abaixo, algumas das principais regras do Código.

  • Os nomes específicos e de táxons acima devem ser redigidos em Latim ou latinizados.
  • Todo animal deve ter, pelo menos, dois nomes, o primeiro é do gênero e o segundo da espécie. É o sistema binominal criado por Linnaeus.
  • O nome do gênero deve ser redigido sempre com a primeira letra em maiúscula.
  • O nome da específico deve ser escrito com a inicial minúscula. Quando se utiliza nomes próprios (nomes de pessoa ou de localidades) é indiferente usar – se inicial maiúscula ou minúscula. Exemplo: Trypanosoma cruzi, Cruzi ou T. cruzi.
  • Quando existe subespécie, o seu nome deve ser escrito depois do nome da espécie, e sempre com a inicial minúscula, mesmo que seja nome de pessoa.
  • O nome da espécie é constituído pelo gênero+nome específico. Exemplo: Trypanosoma (gênero) cruzi (nome específico). Portanto, o nome da espécie, o nome científico, é Trypanosoma cruzi.
  • O nome científico deve ser grifado, sublinhado ou escrito com um tipo de letra diferente do tipo de letra do texto.
  • Deve-se usar sempre o primeiro nome com que um animal foi descrito, mesmo que esteja errado. Exemplo: O anfioxo foi denominado inicialmente de Branchiostoma lanceaolatum. Seu nome baseava-se em uma característica atribuída erroneamente, no caso, pensava-se que as saliências em torno de sua boca (stoma = boca) fossem brânquias. Posteriormente, verificou-se que isto era falso, e o nome foi alterado para Amphioxus. No entanto, devido à Regra de Prioridade, o termo Branchiostoma prevalece.

Você sabia?

Eletromicrografia de vírions de Influenzavirus A (H1N1). Imagem: Wikimedia Commons.
Eletromicrografia de vírions de Influenzavirus A (H1N1). Imagem: Wikimedia Commons.

Vírus: os vírus não são enquadrados em nenhum dos três domínios ou menos dentro dos cinco reinos. Devido à dificuldade em classificar os vírus entre os seres vivos (conceito que ainda está em discussão), dentro da classificação dos três domínios foi incluído um quarto domínio, Aphanobionta, atribuído exclusivamente aos vírus. No entanto, a taxonomia de vírus obedece critérios específicos de nomenclatura e classificação, de acordo com a seguinte hierarquia:

  • Ordem (-virales)
  • Família (-viridae)
  • Subfamília (-virinae)
  • Gênero (-virus)
  • Espécie

A taxonomia de vírus e sua nomenclatura é estabelecida pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, do inglês “International Committee on Taxonomy of Virus“), entidade composta por grupos especializados de virologistas de todo o mundo.

Referências

BUZZI, Z.J. Entomologia Didática. Curitiba: Ed. Universidade Federal do Paraná. 272p. 1985.

Por Carlos Ferreira
Teste seu conhecimento

1. (UFPB 2009) Em uma aula de Sistemática, a professora falou acerca das principais categorias taxonômicas (reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie) e, para ilustrar sua aula, apresentou a seguinte relação de organismos representantes da rica biodiversidade da caatinga.

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Com relação aos organismos citados, identifique as afirmativas corretas:

1) Amazonetta brasiliensis e Schinopsis brasiliensis pertencem a gêneros diferentes.

2) Opuntia inamoena e Opuntia palmadora pertencem ao mesmo gênero.

4) Euphractus sexcinctus e Dasypus novemcinctus pertencem a classes diferentes.

8) Schinopsis brasiliensis e Richardia brasiliensis pertencem ao mesmo filo.

16) Callonychium brasiliense e Amazonetta brasiliensis pertencem a filos diferentes.

 

2. (ENEM/2011)

Os Bichinhos e O Homem

Arca de Noé

Toquinho & Vinicius de Moraes

Nossa irmã, a mosca

É feia e tosca

Enquanto que o mosquito

É mais bonito

Nosso irmão besouro

Que é feito de couro

Mal sabe voar

Nossa irmã, a barata

Bichinha mais chata

É prima da borboleta

Que é uma careta

Nosso irmão, o grilo

Que vive dando estrilo

Só pra chatear

MORAES, V. A arca de Noé: poemas infantis. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1991.

O poema acima sugere a existência de relações de afinidade entre os animais citados e nós, seres humanos. Respeitando a liberdade poética dos autores, a unidade taxonômica que expressa a afinidade existente entre nós e estes animais é:

a) o filo

b) o reino

c) a classe.

d) a família.

e) a espécie.

1. itens corretos: 1, 2, 8 e 16 Somatória= 27

Comentário: Dasypus novemcinctus e Euphractus sexcinctus são duas espécies de tatu, logo, pertencem a mesma classe.

 

2. [b]

A afinidade entre seres humanos e insetos está na unidade taxonômica de reino.

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