Sucessão ecológica

Consiste na colonização e desenvolvimento de comunidades biológicas em ambientes desabitados, iniciado por seres vivos mais simples até a formação de comunidades complexas.

Ao nos atentarmos para diferentes comunidades em diferentes estágios de desenvolvimento, notamos que os iniciais são mais simples e produzem uma quantidade menor de biomassa quando comparados aos mais tardios. A modificação gradual das comunidades de acordo com o ambiente e com o tempo de habitação é conhecido como sucessão ecológica.

Tal processo de modificação pode ocorrer de duas formas: a primeira seria sobre superfícies que nunca abrigaram vida anteriormente, e a segunda em ambientes que já abrigaram vida em algum momento e que, por algum fator (como desastres ecológicos), perderam sua comunidade e esta teve que se reestabelecer.

O que é sucessão ecológica

O processo de sucessão ecológica é caracterizado como a sequência de mudanças que ocorrem graças a uma “perturbação”. Essa perturbação consiste em um fenômeno, antrópico ou não, que proporcione a morte da comunidade presente em determinado local.

Como fenômenos naturais podemos citar a ocorrência de furacões, vulcões, tsunamis e incêndios. Fenômenos antrópicos seriam quaisquer atividades humanas que acabem com determinada comunidade, como por exemplo o desmatamento.

Fases da sucessão ecológica

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Ao analisarmos um processo de sucessão que acabou de iniciar, notamos que a complexidade da comunidade é baixa, assim como a diversidade e a produção de biomassa. Já ao considerarmos uma sucessão em avançada idade, notamos maior complexidade e maior produção de biomassa. A sucessão é dividida em três etapas:

Ecese

A criação de qualquer habitat novo, como um campo arado ou uma duna de areia, atrai um conjunto de indivíduos chamados de organismos pioneiros. Estes indivíduos recebem esse nome por serem os primeiros a se instalarem naquele local. Apresentam elevada importância no processo de sucessão por proporcionarem modificações no ambiente que facilitam a colonização de organismos maiores e mais complexos, além de elevar a diversidade.

Por exemplo: ao considerar uma superfície de rocha nua, os primeiros organismos a colonizarem essa superfície serão líquens e musgos. Ao longo do tempo, a presença desses organismos proporciona uma modificação na superfície de rocha, o que facilita a ocupação desse habitat por outras espécies.

Sere ou Seral

As comunidade pioneiras são capazes de modificar o ambiente em questão, o que facilita a ocupação dessa área por indivíduos maiores, mais complexos e com maior capacidade de produção de biomassa. Esses novos indivíduos caracterizam a segunda etapa da sucessão, chamada de sere ou seral. Essa comunidade é considerada uma comunidade de transição entre a pioneira e a clímax.

Clímax

Ao passar do tempo as comunidades vão elevando sua complexidade e biodiversidade, dessa maneira, proporcionando cada vez mais relações ecológicas com diversos organismos. Em um ambiente saudável, o aumento do número de relações ecológicas leva um ecossistema a uma situação de equilíbrio. Tal situação pode ser chamada de Clímax.

Ao analisarmos os diferentes estágios de sucessão podemos fazer uma relação com a biomassa produzida. Ao considerar a biomassa bruta, ou seja, apenas a biomassa produzida, notamos que a comunidade clímax apresenta maior produção quando comparada a comunidade pioneira.

Porém, ao analisarmos a biomassa líquida, ou seja, o saldo de biomassa produzida menos a biomassa gasta, notamos que a produtividade líquida da comunidade pioneira é maior que a da comunidade em clímax. Isso se deve pelo fato das comunidades em clímax gastarem quase que totalmente a biomassa produzida.

Tipos de sucessão ecológica

Para entender melhor os processos de sucessão ecológica, os ecólogos diferenciam dois processos de sucessão. Tais tipos de sucessão são diferenciados pela presença ou não presença de vida anterior. Abordaremos com mais detalhes os dois tipos a seguir.

Sucessão primária

É caracterizada como o estabelecimento e o desenvolvimento de seres vivos em habitats recentemente formados, como por exemplo dunas de areia, fluxos de lava enrijecida e superfície de rochas descobertas pela erosão. Ou seja, como tais habitats acabaram de se formar, ainda não abrigaram vida.

Sucessão secundária

Esse processo ocorre quando notamos a regeneração de uma comunidade após um fenômeno ou uma perturbação. Por exemplo: ao sofrer um incêndio, uma região de mata nativa tem que regenerar. Já existia vida anteriormente naquele local e, devido a isso, a regeneração da comunidade será acelerada.

Devido a ação das comunidades anteriormente existentes, notamos uma maior facilidade no reestabelecimento de novas comunidades. Isso se deve ao fato de que aquele ambiente já foi modificado por seres vivos. Enquanto isso, na sucessão primária, notamos maior dificuldade no estabelecimento e desenvolvimento de comunidades.

Entenda mais sobre a sucessão ecológica

Muitas vezes, quando pensamos no processo de sucessão ecológica, pensamos em um processo de ocorrência em grandes áreas. Entretanto, a sucessão também ocorre em ambientes pequenos. Podemos tomar como exemplo a queda de uma grande árvore em uma floresta, que é responsável pela abertura de uma clareira. Saiba mais nos vídeos a seguir.

Sucessão ecológica para o ENEM

O processo de sucessão ecológica também pode ser chamado de dinâmica de populações. É possível transpor os dados de sucessão para gráficos e até para algumas fórmulas para entender melhor a produtividade de matéria orgânica. Assista o vídeo e entenda.

Dicas rápidas sobre sucessão ecológica

A homeostase do ambiente, ou seja, a situação de equilíbrio é a característica de etapa de clímax. Nesse vídeo do Prof. Gui você confere o processo de forma aprofundada.

Os processos de sucessão ecológica ocorrem em todos os ecossistemas da Terra, inclusive em ambientes marinhos. A sucessão microbiológica também ocorre e envolve a existência de substrato (recurso alimentício) para a diversificação de microrganismos como bactérias e fungos. São esses indivíduos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica morta.

Com isso em mente, podemos concluir que os estudos acerca dos processos e características da sucessão ecológica são de suma importância para a recuperação de áreas degradadas.

Referências

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia das populações 3. 4ª edição. São Paulo: Editora Moderna, 2015;

LINHARES, Sergio; GEWANDSZNAJDER Fernando; Biologia hoje; volume 3; ed 1; editora Atico, São Paulo, 2014;

Ricklefs, R.E. 2003. A Economia da Natureza. 6ª ed. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro.

Murilo Del Bianco
Por Murilo Del Bianco

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá, Mestre no ensino de biologia também pela UEM. Professor de nível médio e cursinhos preparatórios para vestibulares. Nas horas vagas se dedica a música, livros, filmes e aos seus animais de estimação.

Exercícios resolvidos

1. [FUVEST - 2014]

Considere as seguintes comparações entre uma comunidade pioneira e uma comunidade clímax, ambas sujeitas às mesmas condições ambientais, em um processo de sucessão ecológica primária:

I. A produtividade primária bruta é maior numa comunidade clímax do que numa comunidade pioneira.
II. A produtividade primária líquida é maior numa comunidade pioneira do que numa comunidade clímax.
III. A complexidade de nichos é maior numa comunidade pioneira do que numa comunidade clímax.

Está correto apenas o que se afirma em:

A) I.
B) II.
C) III.
D) I e II.
E) I e III.

D) I e II.

2. [UFV - MG]

Todas as afirmativas a seguir representam características de uma comunidade clímax na sucessão ecológica, EXCETO:

A) Aumento da biomassa total.
B) Aumento da produtividade líquida.
C) Aumento da estabilidade ambiental.
D) Aumento da respiração da comunidade.
E) Aumento da diversidade de espécies.

B) Aumento da produtividade líquida.

3. [UFSCar]

A substituição ordenada e gradual de uma comunidade por outra, até que se chegue a uma comunidade estável, é chamada de sucessão ecológica. Nesse processo, pode-se dizer que o que ocorre é:

A) A constância de biomassa e de espécies.
B) A redução de biomassa e maior diversificação de espécies.
C) A redução de biomassa e menor diversificação de espécies.
D) O aumento de biomassa e menor diversificação de espécies.
E) O aumento de biomassa e maior diversificação de espécies.

E) O aumento de biomassa e maior diversificação de espécies.

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