Morfologia Vegetal Externa

A morfologia vegetal externa representa uma das bases para o estudo da botânica, tanto para fins de sistemática e taxonomia quanto para fisiologia vegetal.

A organografia vegetal compreende o estudo da morfologia externa das plantas. No caso da maioria das angiospermas, há uma divisão em duas partes: subterrânea e aérea. Os órgãos vegetais presentes na parte subterrânea são as raízes, enquanto a porção aérea é representada por caule, folhas, flores, frutos e sementes.

Representação esquemática de estruturas encontradas em uma planta com flores. Imagem: Wikimedia Commons.
Representação esquemática de estruturas encontradas em uma planta com flores. Imagem: Wikimedia Commons.

Raíz

Tem função de fixação da planta ao solo e absorção de água e nutrientes. Embora se tratem de estruturas comumente subterrâneas, algumas plantas possuem raízes aéreas, tais como as epífitas. Nesse caso, a raiz modificada fixa a planta ao caule do vegetal que está sendo usado como substrato. Algumas raízes desempenham ainda a função de armazenamento de carboidratos, como é o caso da cenoura e do rabanete.

Nas pteridófitas, a raiz se desenvolve a partir do esporófito. Já no caso das plantas com semente, o desenvolvimento se dá a partir de um órgão primordial chamado de radícula, o qual dará origem ao sistema radicular.

Nas dicotiledôneas existe uma raiz principal a partir da qual o restante do sistema radicular é derivado. Por fim, nas monocotiledôneas todas as raízes derivam da base do caule, sendo chamadas raízes adventícias ou fasciculadas.

Caule

“As duas funções principais associadas ao caule são condução e suporte. As substâncias produzidas nas folhas são transportadas através do caule, via floema, para os locais de consumo, incluindo folhas, caule e raízes em crescimento, assim como flores, sementes e frutos em desenvolvimento.”(Raven; Evert; Curts, 1996, pg. 454)

As plantas podem apresentar caules de vários tipos. Dentre os caules aéreos, podemos citar os lenhosos (troncos de árvores), herbáceos (haste de feijão), colmo (cana-de-açúcar) e estipe (palmeiras). Alguns tipos de caules aéreos precisam de outra planta como suporte de fixação, como é o caso do caule das trepadeiras (uva, chuchu), alguns são do tipo rasteiro e crescem paralelamente ao solo (morangueiro, abóbora).

Os tubérculos da batata-inglesa são um exemplo de caule subterrâneo. Imagem: Wikimedia Commons.
Os tubérculos da batata-inglesa são um exemplo de caule subterrâneo. Imagem: Wikimedia Commons.

Com relação aos caules subterrâneos, podem ser do tipo rizoma (bananeiras e samambaias), tubérculo (batata inglesa) e bulbo (cebola, alho).

O caule também pode sofrer algumas modificações para se adaptar ao meio, como é o caso do caule de plantas de deserto, as cactáceas. Esse tipo de caule é denominado cladódio. Além de armazenar água e carboidratos, os cladódios também assumem o papel das folhas – sendo, portanto, responsáveis também pela fotossíntese.

Folha

A folha é uma expansão do caule. Pode ter a superfície lisa, cerosa ou coberta de pelos. São os órgãos responsáveis pela fotossíntese na grande maioria das plantas. Uma folha completa possui limbo, bainha, pecíolo e estípulas. O limbo é a parte em forma de lâmina, que é ligada ao caule por um eixo denominado pecíolo.

A parte inferior do pecíolo é denominada bainha. Na base do pecíolo de algumas plantas, são encontrados dois apêndices denominados estípulas. Algumas folhas podem ser incompletas, quando uma ou mais estruturas estão ausentes.

Flor

Órgão responsável pela reprodução das angiospermas. Flores são formadas pelo pedicelo ou pedúnculo (eixo floral) e por um receptáculo, onde estão os verticilos florais (elementos florais).

O pedúnculo ou pedicelo é a haste de uma flor, que fica presa ao caule. Em seu ápice, encontram-se os verticilos florais. Os elementos florais, ou verticilos florais, são folhas modificadas que fazem parte do receptáculo. Uma flor completa possui cálice, corola, androceu e gineceu.

As partes de uma flor. Imagem: http://fiqueidedp.blogspot.com.br/2013/04/biologia-reino-plantae.html
As partes de uma flor. Imagem: http://fiqueidedp.blogspot.com.br/2013/04/biologia-reino-plantae.html

O cálice é o conjunto de sépalas, geralmente de coloração verde. A corola é o conjunto de pétalas, que comumente são coloridas. O androceu constitui o sistema reprodutor masculino, e é formado pelos estames (antera e filete). O gineceu constitui o sistema reprodutor feminino, sendo formado pelo pistilo (estigma, estilete e ovário).

Fruto

Os frutos são o resultado do desenvolvimento do ovário das flores (especificamente, da parede do ovário) sob a ação de hormônios vegetais. Para que ocorra a fecundação dos óvulos no interior dos ovários, primeiro deve haver a polinização das flores. Existem dois tipos de polinização:

  • cruzada (flores diferentes envolvidas, uma masculina e outra feminina); e
  • autopolinização (uma mesmo flor possui estruturas masculinas e femininas e se autopoliniza).

O fruto possui duas partes distintas, o pericarpo e a semente. O pericarpo é originado a partir do ovário e pode ser dividido em três camadas: epicarpo (parte externa), mesocarpo (mediana) e endocarpo (interna). A principal função dos frutos é proteger a semente.

Os frutos apresentam diversos critérios de classificação, relacionados à composição (simples e compostos), abertura (deiscentes e indeiscentes), tipo (carnoso ou seco, com várias subdivisões em cada tipo).

Partes de um fruto. Imagem: www.biologiafragmentada.blogspot.com.br
Partes de um fruto. Imagem: www.biologiafragmentada.blogspot.com.br

Pseudofrutos: um fruto dito verdadeiro, origina-se do ovário da flor. Pseudofrutos originam-se de outras partes da flor. Um exemplo é o caju, que se originou do pedicelo da flor. A parte originada do ovário é a castanha.

Infrutescências: com a fecundação das várias flores de uma infloresncência, formam-se vários frutos a partir do desenvolvimento do ovário de cada uma destas flores. Este tipo de fruto recebe o nome de infrutescência. O abacaxi é um dos exemplos mais clássicos.

Semente

A semente é o óvulo desenvolvido após a fecundação. O processo de polinização origina o embrião e o endosperma, estruturas que, juntamente com a casca, constituem a semente. O endosperma tem função de reserva para garantir a nutrição do embrião. A casca ou tegumento tem função de proteção. O embrião é o principal componente da semente, pois é o responsável pela origem de um novo espécime vegetal quando a semente germina.

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Por que a banana não tem sementes?

Em alguns frutos ocorre o desenvolvimento do ovário sem que exista fecundação. Nesse casos, o fruto formado não possui sementes e é denominado fruto partenocárpico. O desenvolvimento do ovário ocorre pela ação dos hormônios vegetais auxina e giberilina.

Referências

RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; CURTS, H. Biologia Vegetal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996.

VIDAL, W. N. & VIDAL, M. R. R. Botânica – organografia. Editora UFV, 4ª Ed., 2000

Por Carlos Ferreira
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1. (UFPR/2007) Atualmente, as angiospermas dominam o ambiente terrestre. Para isso, essas plantas desenvolveram, ao longo do processo evolutivo, características que lhes permitiram colonizar os diferentes biomas terrestres. Identifique, nas características listadas a seguir, aquelas que foram importantes para o desenvolvimento do atual processo reprodutivo das angiospermas.

  1. Fase gametofítica masculina reduzida.
  2. Presença de elementos traqueais, como os elementos de vasos e respectivas placas de perfuração.
  3. Presença da cutícula – uma estrutura de revestimento -, que é uma substância graxa, de composição química de natureza complexa.
  4. O produto da reprodução sexuada é protegido pelo fruto.
  5. Desenvolvimento da estrutura floral, concomitante com o processo de polinização biótica.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas 1, 3 e 5 são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas 1, 4 e 5 são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas 2, 3 e 5 são verdadeiras.

2. (UFSM-RS/2007) Nas pesquisas da EMBRAPA, a melancia foi alterada geneticamente para a não-formação de sementes. Quando ocorre na natureza esse fenômeno é chamado de:

a) anemocoria.

b) Fecundação cruzada.

c) mega ou macrosporogênese.

d) embriogênese.

e) partenocarpia.

1. [c]

Elementos de vaso e cutícula não afetaram diretamente o processo evolutivo de reprodução das angiospermas.

 

2. [e]

a) Anemocoria: dispersão das sementes pelo vento

b) Fecundação cruzada: no caso de plantas, o pólen de uma flor fecunda outra flor

c) Macrosporogênese: produção de esporos no sistema reprodutor feminino da planta, que resulta no desenvolvimento do saco embrionário

d) Embriogênese: processo de formação e desenvolvimento do embrião

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