Arte gótica

A arte gótica foi um movimento de arte medieval europeu que durou cerca de três séculos.

Desenvolvendo-se primeiramente na França, a arte gótica formou-se em meados do século XII e durou até o final do século XIV, quando já havia se espalhado por boa parte da Europa medieval e continuou até o final do século XV, quando progrediu para a Arte Renascentista.

O que é arte gótica?

Vitrais góticos em Sainte-Chapelle (1248)

O termo “gótico” foi originalmente criado para menosprezar a arte que não seguia os padrões artísticos da Grécia e da Roma Clássica.

Entretanto, a palavra “gótico” que provém de “bárbaro”, portanto atrasado, segundo a mentalidade medieval, logo ganhou outra conotação quando passou a ser associada às cidades mais modernas da Europa com suas catedrais monumentais.

Segundo estudiosos do assunto, o advento do estilo gótico representa o ápice da conquista da cristandade unificada. Em outras palavras, a arte gótica representa uma síntese bem-sucedida entre religião, filosofia e arte.

Principais características da arte gótica

Muito embora cada forma de manifestação da arte gótica tenha as suas particularidades, algumas característica são comuns a toda elas:

  • Naturalismo
  • Simbolismo
  • Religiosidade
  • Dinamismo
  • Elevações verticais
  • Iluminação natural
  • Didatismo

Arte gótica na arquitetura

Catedral de Milão (1385)

Os arquitetos góticos possuíam o desejo de ver seus edifícios próximos ao céu e assim o fizeram com grande magnitude.

Desse modo, a verticalização das construções era fundamental e seus objetos de trabalho eram sobre as catedrais católicas.

As paredes das catedrais possuíam paredes grossas, colunas e pilares para sustentar as grandes abóbadas (estruturas internas curvadas) que projetavam. Essas construções contavam também os arcobotantes, importante inovação técnica que permitia aumentar a exposição à luz internamente.

Na parte externa, as paredes possuíam arcos e quase sempre gárgulas, esculturas peculiares responsáveis pelo escoamento da água.

Gárgula da Catedral de Notre-Dame (‎1163-1345)

Na catedral gótica, o interior foi elevado de tal maneira que os olhos do espectador olham primeiro para o topo da catedral deixando claro o pensamento dos arquitetos sobre o simbolismo da esperança cristã de deixar o mundo material para um reino celestial.

Essa experiência transcendente da arquitetura foi reforçada sobretudo pelos ricos vitrais, tão particulares da arte gótica.

Com efeito, os vitrais, muitas vezes adornados com figuras religiosas, eram centrais para a percepção da catedral como um símbolo da fé cristã.

Uma das catedrais góticas mais famosas do mundo é a Catedral de Notre-Dame, construída entre os séculos XII e XII em Paris.

Pintura gótica

Madonna and Child with Saint Jerome, Saint Bernardino, and Angels (Sano di Pietro – 1470)

A pintura gótica se afastou da arte bizantina em direção a um naturalismo maior, tomando a forma de um estilo mais suave e realista, cujas características gerais perduraram até meados do século XIII.

É importante lembrar que essas pinturas e ilustrações serviram tanto para se contemplar quanto para educar a sociedade medieval, uma vez que não alfabetizada, ilustrações, pinturas e vitrais eram ótimos meios de se catequizá-la.

Exemplos da arte gótica na pintura podem ser encontrados até hoje na França, Inglaterra, Alemanha e Itália, principalmente.

Arte gótica na escultura

Esculturas da Catedral de Notre-Dame (1211 – 1475)

O surgimento das esculturas góticas acompanharam a construção das primeiras catedrais góticas no século XII na França.

Podemos consideram como uma das principais características da escultura gótica, se não sua principal, seu destacamento das paredes das catedrais fazendo dessas manifestações figuras tridimensionais.

Dessa maneira, as escultura góticas parecem estar se movendo em direção ao observador em vez de serem atraídas para o fundo.

Há ainda nas esculturas góticas o aspecto naturalista que se faz presente nas dobras que “caem” verticalmente dando sensação de fluidez às obras.

Referências

A Arte Gótica – Wilhelm Worringer
Arte Gótica: Coleção Arte na Idade Média – Sueli Lemos (Autor)

Luana Bernardes
Por Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [UEM]

Inicialmente, o termo gótico fora utilizado pelos estudiosos de forma desdenhosa para definir uma arquitetura que consideravam “tão bárbara, que ela poderia até ter sido criada pelos godos, povo que invadira o Império Romano e destruíra muitas de suas obras” (PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo: Ática, 2007 – p. 74).

Mais tarde, o termo perderia o caráter depreciativo ao continuar ligado a uma das grandes revoluções na técnica construtiva. Acerca da arquitetura gótica, é correto afirmar que

01) a abóbada de nervuras, estrutura gerada em função do emprego do arco semicircular, é um dos legados da técnica construtiva da arquitetura românica adotada pelos novos construtores.

02) o emprego do arco ogival permitiu a construção de igrejas mais altas com a impressão de verticalidade ainda mais acentuada pelo desenho das ogivas que se alongam e apontam para o alto.

04) o arcobotante foi um importante recurso técnico introduzido pela arquitetura gótica, pois, ao transmitir a pressão de uma abóbada diretamente para contrafortes externos, permitiu aumentar as aberturas de iluminação.

08) ao lançar mão do uso de pilares dispostos a intervalos regulares os construtores do período conseguiram suprimir as grossas paredes que sustentavam a estrutura e que caracterizavam a arquitetura românica.

16) os vitrais, que na arquitetura românica tinham cores predominantemente escuras com o objetivo de obscurecer o interior das igrejas, ganharam cores radiantes ao serem importados para as igrejas góticas

Resposta: 21
(01 + 04 + 16)
As abóbadas, os arcobotantes e os vitrais coloridos são legados da arquitetura gótica.

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